quarta-feira, agosto 14, 2019

Pèlerinage

In English
Em português

Mon mari et moi avons fait un voyage rapide ce mois d'août - le fameux tour de la Gaspésie - sur la "Route des Navigateurs", un road trip classique. En voyant les routes surpeuplées, pleines de gens qui se dirigeaient vers une destination quelconque, j'ai eu une pensée à mes proches déjà disparus, et également à tous ceux qui ont fait leur dernier voyage - les routes sont pleines de pèlerins. Et peut-être, grâce à l'approche de la fête des pères au Brésil, j'ai beaucoup pensé au mien. À ma grande surprise, nous sommes passés près d'un village nommée St-Yvon. Je n'en avais jamais entendu parler et je ne savais pas non plus qu'il y avait un saint - un autre - portant le nom de mon père.
Mon père était un saint. Pas seulement moi qui le dis, j'en ai toujours entendu parler - même lorsqu'il était encore en vie - de la part de personnes qui le connaissaient. Sa vaste culture aidée par son intelligence privilégiée ne lui causait aucune affectation; son humilité était sincère et vraie. Il a passé sa vie à donner aux autres ce qu'il était et ce qu'il avait appris, possédant une rare bonté, cultivée par une grande foi.
Nos vacances nous ont également rappelé le voyage de Saint-Joseph et de Sainte-Marie, enceinte de l'Enfant Jésus, à Bethléem, pour le recensement. Nous avons eu un petit aperçu de ce qu’ils ont souffert quand ils ne trouvaient pas un logement. Nous avons fini par en trouver un, après une journée entière sur la route, en nous arrêtant dans toutes les villes et en frappant à la porte de chaque hôtel que nous avons vu. Tous étaient déjà complets. Quand nous étions épuisés, le soir, nous avons finalement été accueillis par une annulation de réservation.
Nous n'étions pas dans une étable; au contraire, l'hôtel était beaucoup plus luxueux - et plus cher - que ce que nous voulions, et c'était aussi une autre frustration. C'est notre vie ici. Nous pouvons essayer de l'améliorer, mais il y aura toujours une sorte de souffrance. Si nous avions réservé un hôtel avant, nous n'aurions pas eu cette difficulté, mais nous ne pouvons certainement pas éviter tous les problèmes de notre vie.
Cette expérience a été utile et m'a fait réfléchir plus profondément à la vie, inspirée par la Sainte Famille et par St-Yvon. Le mystère de la participation de Jésus à l’histoire de la souffrance, puis de notre rachat par sa Résurrection... En l'honneur de mon père qui était catholique (je ne dirai pas très catholique, car nous sommes ou nous ne sommes pas), je vais essayer de méditer sur tout cela, pour ne pas jeter tout ce qu'il nous a appris et transmis. Bien qu'infime, je donne mon témoignage; cela peut être, en quelque sorte, efficace pour éviter de perdre les traces de notre pèlerinage.
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Liens connexes:

Yvon Rodrigues Vieira (Wikipedia) (en portugais)
 

domingo, agosto 11, 2019

Pilgrimage

Em português
En français
My husband and I took a quick trip this August, driving around the Gaspé Peninsula on "Route des Navigateurs", a classic road trip. Seeing the crowded roads, full of people going toward some destination, I remembered my departed loved ones, also thinking of all the people who went on their last trip – roads are full of pilgrims. And, maybe, because Father's Day in Brazil was approaching, I thought a lot about mine. To my surprise, we passed a small town named St-Yvon. I had never heard of it, nor did I know that there was a saint – another one – with my father's name.
My father was a saint. Not only me who say that, I have always heard about it – even when he was still alive – from people who knew him. His vast culture helped by his privileged intelligence caused him no affectation; his humility was sincere and true. He spent his life giving to others what he was and what he learned, possessing a rare kindness, cultivated by a great faith.
Our holidays also reminded us of the trip of St. Joseph and St. Mary, pregnant with the Child Jesus, to Bethlehem, for the census. We've had a tiny idea of what their suffering had been, finding no lodging anywhere. We ended up finding a place to stay, after an entire day on the road, stopping in every city, knocking on the door of every hotel we saw. All of them were already complete. When we were exhausted, in the evening, we were finally welcomed by a booking cancellation.
We were not in a stable; on the contrary, the hotel was far more luxurious – and more expensive – than what we wanted, and it also was another frustration. This is our life here. We may try to improve it, but there will always be some kind of suffering. If we had booked a hotel before, we would not have gone through this trouble, but we certainly can’t avoid all the problems in our lives.
This experience has been useful, and made me think more deeply about life, inspired by the Holy Family and St-Yvon. The mystery of Jesus' participation in the history of suffering and then redeeming us by his Resurrection... In honor of my father, who was Catholic (I won't say very Catholic, because we are or are not), I will try to meditate on all this for not to throw away everything he taught us and passed on. Although it is tiny I give my testimony; it may be somehow effective in order to avoid the footsteps of our pilgrimage to be lost.
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Related links:

sábado, agosto 10, 2019

Dia dos Pais – peregrinação


In English
En français 
Meu marido e eu fizemos uma rápida viagem, neste mês de agosto, dando a volta à Península Gaspesiana, pela "Route des Navigateurs", uma viagem clássica. Vendo as estradas cheias de veículos em direção a algum destino, lembrei-me de meus entes queridos que já se foram e imaginei todas as pessoas que já partiram em sua última viagem - as estradas estão repletas de peregrinos. E, talvez por estar-se aproximando o Dia dos Pais, pensei muito no meu. Para minha surpresa, passamos por uma cidadezinha chamada St-Yvon. Nunca tinha ouvido falar dela, tampouco sabia que havia um santo - outro - com o nome do meu pai.
Meu pai foi um santo. Não só eu que digo, sempre ouvi esta aclamação geral – mesmo quando ele ainda estava vivo – por parte dos que o conheceram. Sua vasta cultura alicerçada em uma inteligência privilegiada não lhe causava afetação alguma, sua humildade era sincera e verdadeira. Passou a vida a doar aos outros o que era e o que aprendeu, possuidor de uma rara bondade, cultivada com muita fé.
Nossas férias nos lembraram, também, da ida de São José e Nossa Senhora, grávida do Menino Jesus, a Belém, para o recenseamento. Tivemos uma pequeníssima mostra do que foi o sofrimento deles, sem encontrar hospedagem em lugar nenhum. Nós acabamos encontrando, depois de um dia inteiro na estrada, parando em cada cidade por onde passávamos, batendo à porta de cada hotel, ou similar, que vimos. Todos já estavam completos. Quando já estávamos exaustos, noite fechada, finalmente, fomos acolhidos por um cancelamento de reserva.
Não ficamos numa estrebaria; ao contrário, o hotel era bem mais luxuoso - e mais caro - do que queríamos, e esta também foi mais uma frustração. Assim é nossa vida por aqui. Podemos tentar melhorá-la, sob alguns aspectos, mas sempre haverá algum tipo de sofrimento. Se tivéssemos reservado hotel antes, não teríamos passado por esse dissabor, mas certamente não conseguimos evitar todos os transtornos de nossas vidas.
A experiência valeu para me chamar a muitas reflexões, inspirada pela Sagrada Família e por St-Yvon. O mistério da participação de Jesus na história do sofrimento e sua Ressurreição que nos redime... Em homenagem ao meu pai, que era católico (não vou dizer muito católico, pois ou somos ou não somos), vou tentar meditar sobre tudo isso, para não jogar no lixo tudo o que ele nos ensinou e transmitiu. Dou meu testemunho, mesmo que ínfimo, para que, de alguma forma, não se percam as pegadas da nossa peregrinação.

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segunda-feira, julho 29, 2019

Substancialmente

In English
En français
Continuando minha série sobre a Transubstanciação, veio-me à mente uma ideia tentadora como analogia, embora grotesca diante da grandiosidade do assunto. Assisti a um vídeo do Padre Paulo Ricardo (1), falando sobre o tema, e sua tentativa de explicar o mistério da Eucaristia fez-me pensar na água. Sim, na água.

Resumindo em poucas palavras, ele diz que Jesus está presente no pão e no vinho em "substância", apesar de a forma "acidental" continuar a ser de pão e vinho e de não podermos experimentá-LO, portanto não é uma presença empírica. A explicação é muito interessante, vale a pena assistir ao vídeo no link ao final deste texto.

Imediatamente, pensei na água e suas inúmeras e variadas apresentações sólidas, no inverno glacial que ocorre onde moro. Há o gelo, que todos conhecemos, e há a neve que varia enormemente em sua forma e consistência, conforme as condições meteorológicas. Encantam-me, por exemplo, as rendas e bordados rebuscados que aparecem na janela da minha cozinha que, por sua localização, recebe os ventos do Polo Norte e sofre a ação mais vigorosa e direta do frio.

Todas essas apresentações são, substancialmente, H₂O, mas acidentalmente em visual e consistência diferentes. No caso da água, a presença também é empírica, podemos experimentar. Na Eucaristia, ao contrário, o que permanece são as características acidentais: aparência, consistência, gosto – de pão e vinho; muda a substância em cada um: pão e vinho passam a ser corpo e sangue de Cristo, respectivamente.

Obviamente, a analogia é precária, mas de certa forma didática, não acham?

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São Carlo Acutis, rogai por nós.
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Links relacionados

 


quinta-feira, julho 25, 2019

Só para os que creem ou gostariam de crer...

In English
“Fazei isto em memória de mim” (Lucas 22:19)
Fico imaginando que haja uma "função" de concretude inusitada para o ato recomendado na frase acima... A ordem foi comer o Corpo e beber o Sangue mesmo! Adentramos, aí, na tangibilidade do espiritual.
Eu me explico:
Pelo que podemos captar com os nossos sentidos, constata-se que o nosso “DNA” está preso dentro de um círculo vicioso, onde esta morte que a gente conhece desempenha um papel fundamental, desde o cenário de um diminuto átomo englobado por uma molécula até o cenário de pedaços de carne, folhas e frutos, etc, sendo deglutidos por seres humanos, como alimento. Assim o nosso DNA se mantém e se “procria” a partir da assimilação de produtos da morte de outros seres, tudo se resumindo naquela máxima de Lavoisier – « Rien ne se perd, rien ne se crée, tout se transforme. » - dentro deste "pool" de elementos que conhecemos.
Se cremos que Jesus é a palavra de Deus encarnada – fenômeno de grandeza desconhecida para nós –, há na nossa crença algo palpável, que deixou de ser apenas conjectura filosófica. Logo, que a "Palavra" seja capaz de transformar a hóstia em Corpo de Cristo, passa a ser algo banal, em comparação com a magnitude da encarnação do Verbo Divino.
            Não seria, então, a Hóstia o Elemento de Vida introduzido no círculo vicioso (mencionado acima) com a função exatamente de "contaminar" o pool da morte com a Vida? Ou seja, à medida que comemos este Pão que ressuscita, ele vai quebrando o círculo vicioso, preparando nossa matéria para um outro estágio (note-se bem que este "pool" é o mesmo desde que o tempo é tempo… vale para o que entendemos como "passado" e "futuro" também).
            Parece mirabolante, coisa de feitiçaria? Se pensarmos assim, tudo o que vivenciamos também parece… Quer coisa mais estranha do que uma criança se formar, ir crescendo, virar adulto, depois esse adulto ficar velho? Isso existe mesmo ou é efeito colateral da morte? Esse velho que você vê no espelho tem alguma coisa em comum com aquele bebê que você foi, não tem? Hein?
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terça-feira, julho 16, 2019

Une légende des Îles de la Madeleine


Il est probable que les légendes cachent un fond de vérité, on s’en doute. Moi, en tout cas, je n’ose pas dire tout simplement : - Ah, ce n’est qu’une légende ! Attention, « il n’y a pas de fumée sans feu ».
En 2017, on est allé aux Îles de la Madeleine. Ce fut un voyage magnifique, j’ai adoré ! J’ai écrit un texte basé sur mon carnet de voyage (1), pour enregistrer les bons souvenirs. Mais je n’ai pas tout raconté. Par exemple, il est arrivé quelque chose de bizarre quand on a visité la Pointe-aux-loups, une région des Îles.
Pour chaque endroit, je cherchais la localisation sur mon appareil mobile, pour avoir la météo à jour. C’est ce que j’ai fait aussi en arrivant à la Pointe-aux-loups, je n’ai pas eu de problème pour trouver le toponyme – je l’ai gardé. Le jour suivant, quand je me réveille et regarde la prévision météo… Tiens, tiens… le nom de la place avait changé, comme par magie. Où j’avais enregistré Pointe-aux-loups, c’était écrit « Le Buttereau-du-nègre » ! Comment ça ?
Je fouille sur Internet, en commençant par la carte et, voilà, le nom est là, dans la région de la Pointe-aux-loups; mon appareil a probablement raffiné la localisation. Tout de suite, j’ai fait une recherche sur ce nom intrigant et j’ai trouvé une légende populaire.
Voici un récit que j'ai copié de la page en référence (2), à la fin de ce texte: « Vers 1870, un naufragé noir échoue sur une plage de la Dune-du-Sud, près de Havre-aux-Maisons. Les habitants l’ensevelissent comme il se doit, dans la dune adjacente. Or, plusieurs années durant, le cadavre réapparaît, la face tournée vers le ciel, et chaque fois, les Madelinots le ré-enterrent. Après quelques années, on procède donc à une nouvelle sépulture, cette fois le cadavre face contre terre. Peine perdue. On décide alors de construire un cercueil et d’ensevelir le naufragé plus profondément et selon les rites habituels. Cette fois semble la bonne, mais des phénomènes étranges continuent de se produire : la nuit, des lueurs apparaissent au-dessus du buttereau, « en passant là les chevaux prenaient peur ; les roues de charrettes se détachaient ; les menoires cassaient » (Chiasson, Les légendes des îles de la Madeleine, Les Aboiteaux, 1969, p. 103). »
D'autres récits disent que tant que le Noir n'a pas été enterré avec les rituels catholiques, il continuait à revenir en surface. Ils disent, aussi, que sur cette place ni route ni maison ont été construites, depuis ces événements.
Enfin, le problème ne semble pas complètement résolu encore. N'est-ce pas bizarre que ce toponyme, dont je n'avais jamais entendu parler, ait pris le dessus sur l'autre que j'avais choisi ? Une façon virtuelle de revenir en surface encore ! :-)
Mais il y a d'autres problèmes ajoutés. La Commission de toponymie du Québec devra changer ce nom, parce que le mot « nègre » n'est plus politiquement correct (3). En plus, le toponyme n'est pas associé à un endroit précis, donc il n'apparaît plus sur bien des cartes modernes. On verra bien s'ils vont réussir à enterrer toute cette histoire, un jour. J'en suis sceptique. :-/

      (1)   Carnet de voyage
      (3)   Toponyme désofficialisé

quinta-feira, julho 11, 2019

Nunca fiando

Até meados do século XX, nos anos 1950, o sistema telefônico era ainda muito precário, embora significasse um grande desenvolvimento nas comunicações. Na zona rural do Canadá eram oferecidas linhas compartilhadas (lignes partagées, party lines, shared service line – também nos Estados Unidos). Quando um telefone tocava na casa de alguém, os que compartilhavam a linha ouviam um sinal e sabiam que não era na casa deles. Mas havia os curiosos que punham o aparelho no ouvido, para escutar a conversa; o sistema não tinha privacidade garantida, embora pudesse ser ouvido um “clic” quando o curioso tirava o aparelho do gancho, correndo o risco de levar uma bronca do outro lado. Já ouvi muitos casos anedóticos dessa época, em reuniões familiares, por aqui.
No Brasil, do que me lembro, nos anos 1960, as linhas eram individuais, em Belo Horizonte. Supostamente, as ligações não deveriam ser partilhadas com outras casas. No entanto, acontecia, com certa frequência, de ouvirmos pequenos ruídos no aparelho e, quando retirávamos do gancho para verificar, havia gente conversando em outra linha. Claro, mandava a boa educação que desligássemos o telefone imediatamente, para não ficar ouvindo conversa dos outros e, às vezes, a gente até avisava: " – Ó, tá dando para ouvir a conversa de vocês." Também quando estávamos em uma ligação, por vezes, ouvíamos um estalido, dando a impressão de que mais alguém havia se juntado a nós, na escuta.
Por ser mais antiga, portanto tendo vivenciado mais falhas da incipiente comunicação por telefone, minha mãe costumava nos advertir, dizendo baixinho, para o interlocutor não ouvir, – “Olha a linha cruzada” – ao mesmo tempo que fazia um gesto com as duas mãos, cruzando os dedos, toda vez que ela achava que estávamos falando algo impróprio ou comprometedor.
Depois a coisa melhorou, telefone grampeado só mesmo por autoridades com mandato para tal. Mas minha mãe continuou sempre a fazer a advertência, mesmo depois que julgávamos que a telefonia já estava mais segura. – “Nunca fiando” era outro bordão que ela usava, para diversas circunstâncias.
Atualmente, apesar da enorme evolução da tecnologia, tudo pode vazar, nem sempre por mandato justificado, muito menos por motivos nobres. Como eu gosto de dizer, é muito difícil impugnar qualquer coisa que minha mãe dizia... Ela estava certa ao afirmar que não se podia confiar em nada.
Por essas e por outras, temos que pôr na cabeça que, o que não pudermos falar em um microfone para qualquer um ouvir, é melhor não falar de jeito nenhum. Está faltando pouco para lerem o pensamento da gente... e parece que já estão estudando esta possibilidade.
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