quinta-feira, abril 09, 2026

Unconditionally

 

To the skies

May I praise God to the skies

In joy and in sorrow

With laughs and cries

Today and tomorrow

Because He loves me

Unconditionally

May I love Him there

As high as Heaven can be

And inside me, somewhere

Though my eyes cannot see

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I wrote the poem/prayer above on my Easter card this year. Then, I read it again and I stopped on the word "unconditionally", asking myself if it was correct to say God's love is unconditional. Yes, it is, but I was thinking about it.

First of all, I have considered that we have some established conditions for having a good relationship with God, like the Commandments, for example. But they were given because of our wrong way of thinking. We think the opposite way. As a consequence of sin — absence of love — introduced in our thoughts (original sin), we behave wrongly, without love for God and for each other. Commandments were given for us to understand how love should be practised in our world. We are created to love God and each other. Jesus said:

— “You shall love the Lord your God with all your heart and with all your soul and with all your mind. This is the great and first commandment. And the second is like it: You shall love your neighbour as yourself." (Matthew 22:37-39)

"Love each other. Just as I have loved you, you should love each other." (John 13:34).

The heart of the matter is that absence of love is about rejecting God, which we call sin. We are the ones who are distancing ourselves from God when we commit sins. God's love for us is still present despite our sinfulness.

Sometimes, we don't know what we are doing. Jesus said, “Father, forgive them, for they do not know what they are doing." (Luke 23:24) This phrase is for all of us, not only for the executioners of Calvary.

When we know something is wrong and we do it anyway, we need to repent in order to draw closer to God again. We have the fragility to commit sins, but also the divine grace of the time for repentance. Oh, how loving is the Sacrament of Reconciliation given to us in this time!

When we insist on rejecting God, then it is our decision to distance ourselves from Him; He created us with the capacity for free will.


sexta-feira, abril 03, 2026

Quaresma - Confissões

 

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Tenho me confessado pelo menos uma vez por ano. Aqui, há somente duas temporadas em que a Igreja estabelece horários para o Sacramento do Perdão: Quaresma e Advento. Para confessar fora desses períodos, é preciso pedir ao padre, se ele estiver disponível antes ou depois de alguma missa.

No ano passado, participei da confissão comunitária com absolvição individual, uma modalidade que eu não conhecia. Após orações em conjunto, cada um vai ao padre só para pedir perdão, sem precisar desfiar toda a lista de pecados, e recebe a absolvição.

Dessa vez, fui enfrentar a confissão individual. Sim, enfrentar, pois é sempre um desafio de humildade e fé. Pedir perdão a Deus é algo de suma importância para nós, imprescindível. É um momento muito grave e sério. Mas tem lá o seu lado cômico, quando se trata de confissão individual. Não devido ao fato de nos confessarmos, mas pela maneira como os padres nos recebem.

Apesar de sabermos, racionalmente, que é com Cristo que vamos falar, que é Ele, sendo Deus, que nos perdoa, penso que temos dificuldade em vê-LO através do padre que está ali e isto nos traz um sentimento desconfortável. Por isso, acho engraçado ver todos ali na fila, saber que estamos sentindo a mesma coisa, todos compenetrados, tensos, como crianças sabendo que fizeram algo errado. E somos "crianças" de Deus mesmo, Ele nos acolhe em sua infinita Misericórdia.

Mas o lugar e o modo como os padres nos atendem, muitas vezes, não ajudam em nada. Eu preferia aqueles confessionários tradicionais, em madeira, o padre entrava pela frente, por uma portinha, e lá ficava, do lado de dentro, no escuro. Nós, os penitentes, ajoelhávamo-nos num genuflexório lateral integrado, com saliências laterais e um pequeno teto; ficávamos também no escuro e escondidos. Mal nos víamos, através de uma treliça, apenas vultos dos dois lados. Dava para perceber que o padre aproximava a orelha da treliça para ouvir melhor o cochicho. Daí essa confissão ser chamada de auricular. :-) Conforme a demora da conversa, ao sairmos da toca, a iluminação da igreja até parecia mais intensa, devido a pupilas dilatadas, se não pela escuridão, pela adrenalina liberada, com o stress. :-)

Hoje, isso tornou-se raro, pelo menos por essas bandas de cá. Há ainda confessionários, lindas peças de madeira que não passam de objeto decorativo.

Cheguei à Catedral na hora marcada para começarem as confissões. Já havia quatro pessoas na fila próxima a um confessionário maior, no fundo da igreja. Fiz a pergunta que quase todos fazem, já sabendo a resposta; perguntei, ao que estava na extremidade, se era fila para confessar. Para que outra finalidade seria aquela fila? :-) Daí a pouco, chegam dois padres, um paramentado e o outro com livrinhos que foi distribuindo sobre aquelas mesinhas de entrada de igreja. A esta altura, a fila já tinha triplicado.

O padre que estava paramentado abriu a porta do confessionário e acendeu a luz. Para meu espanto, descortinou-se o interior da peça, com iluminação feérica; uma saleta, com uma cadeira em frente a outra e uma mesinha ao fundo. Assim era o ambiente destinado ao tête-à-tête sacramental. O jeito era enfrentar aquela epifania.

O segundo padre ressurgiu, agora paramentado, vindo das lonjuras da sacristia, e se pôs disponível para também dar confissão, sentado alguns bancos à frente do confessionário, oferecendo um encontro não tão resplandecente, mas às claras.

Difícil saber qual situação seria menos constrangedora. Entreguei para Deus, o que me couber será. Quando chegou a minha vez, a vaga era com o segundo padre. Ele fez sinal para que eu fosse ao seu encontro e me disse para esperar um pouco, pois ia pedir para colocarem música ambiente na igreja, para diminuir a chance de ouvirem as confissões. Não sei por que ele não escolheu outro dos tantos confessionários que há na Catedral... Paciência.

Após terminar de me confessar e receber a absolvição, fui sentar-me em um banco do outro lado, bem longe, para rezar um pouco. Pude ver que muitos que chegavam depois, em vez de entrarem na fila única, estavam se aproximando do padre do banco. Ele mandou todo mundo voltar para a fila, gesticulando peremptoriamente, com braços que pareciam mais longos do que se poderia imaginar. Os infratores voltaram para trás quase correndo. :-)

Apesar de a igreja estar vazia, com música suave, aquela movimentação tirou minha concentração para rezar. Resolvi ir embora, uma boa caminhada num belo dia de primavera. Mesmo se estivesse nevando, era Primavera para mim.

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quarta-feira, abril 01, 2026

Onisciência

 

A propósito da Semana Santa, eu estava lendo um texto que fala sobre a traição de Judas. Nele, o autor menciona certas interpretações errôneas, de que Judas estivesse predestinado, como que obrigado a fazer aquilo. Essa interpretação errada vem da incompreensão do que significam as profecias, incluindo a de Jesus, momentos antes da traição.

Ou melhor, vem do desconhecimento do que é a onisciência divina.

É muito difícil de compreender o que é onisciência, pois somos incapazes de experimentá-la, mas há um jeito de fazer um exercício de imaginação, embora de modo muito rudimentar, pois só temos uma vaguíssima ideia, ninguém sabe realmente como é. Lembrei-me do que eu mesma escrevi, certa vez.

Vocês se lembram das fitas antigas de filme, com aqueles quadradinhos mostrando cada movimento, quadro a quadro? Olhando contra a luz, podíamos ver várias sequências, ir passando a fita, seguindo com o olhar e ver o filme todo.

Deus vê, ou melhor, conhece a fita de todo o universo, de todos os tempos, passado, presente e futuro, como se olhasse tudo de uma vezada só, sempre. Como se, para Ele, este movimento todo estivesse estático, num ínfimo instante. O "olhar" dEle abrange tudo, ao mesmo tempo. Não existe antes e depois, como para nós, que percebemos tudo de modo confuso.

Jesus sabia que Judas iria querer traí-lo e que realmente o faria.

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