sexta-feira, julho 03, 2026

Divine omniscience

 

Português

Regarding Holy Week, I was reading a text about Judas' betrayal. The author mentions certain erroneous interpretations, such as the idea that Judas was predestined, as if forced to do what he did. This misinterpretation stems from a misunderstanding of the meaning of prophecies, including Jesus' prophecy moments before the betrayal.

Or rather, it stems from a lack of understanding of what divine omniscience is. It is very difficult to comprehend what omniscience is, because we are incapable of experiencing it, but there is a way to do an exercise in imagination, albeit in a very rudimentary way, since we only have a very vague idea; nobody really knows what it is like. It reminds me of what I myself wrote once.

Do you remember the old tapes, with those little squares showing each movement, frame by frame? Looking up to the light, we could see various sequences, sliding the strips, following them with our eyes to see the whole movie.

God can see, or rather, He knows the tape of the entire universe, of all times, past, present, and future, as if He were looking at everything at once, always. As if, for Him, all this movement were static, in a tiny instant. His "gaze" encompasses everything at the same time. There is no before and after, as there is for us, who perceive everything in a confused way.

Jesus knew that Judas would want to betray Him and that he actually would.

~~~~~~~~~~

Links relacionados:

Somersault


terça-feira, junho 30, 2026

Purgatory, nostalgia for the future

Português

Français

According to what I have read by authors who specialize in the subject, I have understood that even if we repent, confess our sins and are forgiven during confession, many of us must go through Purgatory… a purification process that can begin here on Earth, through the pursuit of holiness and penance.

It is not about paying for sin, that has already been done by Salvation in Jesus; it is about recognizing the extent of our misery, which does not do justice to the infinite merciful love of God, or, as Father Paulo Ricardo says, it is about welcoming this Salvation, through faith and works of charity, works of rejection of the world, works of struggle against sin, works of an ascetic life.

Purification is not without suffering. We must praise God for the salvation he has offered us and act to welcome it, while acknowledging our propensity for sin. This acknowledgment and the painful effort to correct ourselves ultimately bring us indescribable joy, often accompanied by consolation and progress in faith and holiness.

In other words, we can also say that Purgatory consists of knowing oneself to be unworthy of such great divine Love, of experiencing a kind of pain at the idea of knowing oneself to be unworthy, because we constantly make mistakes, despite the immense gratitude for Salvation and the hope of joining God.

It is when nostalgia turns towards the future, within the limits of our understanding, when it evokes a joy to come, the nostalgia for eternal happiness. And, paradoxically, this feeling already has a foretaste of joy.

~~~~~~~~~~~~

Related links:

O Purgatório

Treatise on Purgatory


quarta-feira, maio 27, 2026

Meu "blues" ficou vermelho

 

Sou uma pessoa que tenta seguir os passos da Igreja Católica. Por exemplo, vou à missa nos dias de preceito, o que me coloca a par do tempo litúrgico do momento. Pois, mesmo assim, a chegada do Domingo de Pentecostes me surpreendeu. O tempo passou depressa demais!

Andei muito distraída, com trâmites de mudança de estação, com meu hobby preferido, que é fotografar tudo quanto há. Acho que estive tentando distrair minha alma do luto pela falta do meu marido. Às vezes, o sentimento de perda recrudesce, com todas aquelas lembranças tristes. Não sei se a culpa é da primavera, com suas flores, passarinhos, calor, Sol... Nessa época, começávamos a cuidar do terreno da nossa antiga casa e isso me faz falta. Não bem o terreno, mas o estarmos juntos, nessas atividades.

Depois que fiquei viúva, penso que estou sendo afetada pelo "blues printanier"; o que me ajuda a superá-lo são as orações. E o interessante é que, pensando nesse vácuo interior, preenchido por preocupações, ansiedade e desânimo, tudo ao mesmo tempo, veio-me a ideia de que o vazio em meu coração poderia ser um chamado para eu deixar o Espírito Santo ocupá-lo. Pensei isso na véspera de Pentecostes, sem me dar conta da data. Quando cheguei à Missa de sábado, valendo para domingo, surpresa! Os ajudantes estavam trocando os panos litúrgicos do altar para vermelho. Já era Pentecostes! Que alegria! Meu pensamento teria sido um "Sopro" que recebi? Gosto de pensar que foi. Deus é tão misericordioso, sempre atende os aflitos, de alguma forma. Meu "blues" ficou vermelho!

Para completar, um fato curioso: uma das fotos que consegui tirar no sábado, foi de um Cardeal (passarinho) que, aqui, é todo vermelho. Que amor! Há algum tempo, estava tentando. Na nossa casa, era muito mais fácil, os passarinhos eram acostumados com a gente. Pudera, nós os alimentávamos. Eles pousavam e posavam para nós.

Então, quero deixar esta mensagem para quem, por vezes, sente um vazio imenso no coração. Imagine que seja um convite, um chamado para deixá-lo ser habitado pelo Espírito Santo. Ele vem nos incendiar de Amor!

"Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado. E renovareis a face da terra."

~~~~~~~~~

Links relacionados:

A origem e o sentido cristão da festa de Pentecostes

Pentecostes individual

Pentecostes

Maria e o Espírito Santo

O que é a Crisma

Os dons do Espírito Santo

A importância da Ascensão de Cristo


quinta-feira, abril 09, 2026

Unconditionally

 

To the skies

May I praise God to the skies

In joy and in sorrow

With laughs and cries

Today and tomorrow

Because He loves me

Unconditionally

May I love Him there

As high as Heaven can be

And inside me, somewhere

Though my eyes cannot see

~~~~~~~~~~

I wrote the poem/prayer above on my Easter card this year. Then, I read it again and I stopped on the word "unconditionally", asking myself if it was correct to say God's love is unconditional. Yes, it is, but I was thinking about it.

First of all, I have considered that we have some established conditions for having a good relationship with God, like the Commandments, for example. But they were given because of our wrong way of thinking. We think the opposite way. As a consequence of sin — absence of love — introduced in our thoughts (original sin), we behave wrongly, without love for God and for each other. Commandments were given for us to understand how love should be practised in our world. We are created to love God and each other. Jesus said:

— “You shall love the Lord your God with all your heart and with all your soul and with all your mind. This is the great and first commandment. And the second is like it: You shall love your neighbour as yourself." (Matthew 22:37-39)

"Love each other. Just as I have loved you, you should love each other." (John 13:34).

The heart of the matter is that absence of love is about rejecting God, which we call sin. We are the ones who are distancing ourselves from God when we commit sins. God's love for us is still present despite our sinfulness.

Sometimes, we don't know what we are doing. Jesus said, “Father, forgive them, for they do not know what they are doing." (Luke 23:24) This phrase is for all of us, not only for the executioners of Calvary.

When we know something is wrong and we do it anyway, we need to repent in order to draw closer to God again. We have the fragility to commit sins, but also the divine grace of the time for repentance. Oh, how loving is the Sacrament of Reconciliation given to us in this time!

When we insist on rejecting God, then it is our decision to distance ourselves from Him; He created us with the capacity for free will.


sexta-feira, abril 03, 2026

Quaresma - Confissões

 

Image URL

Tenho me confessado pelo menos uma vez por ano. Aqui, há somente duas temporadas em que a Igreja estabelece horários para o Sacramento do Perdão: Quaresma e Advento. Para confessar fora desses períodos, é preciso pedir ao padre, se ele estiver disponível antes ou depois de alguma missa.

No ano passado, participei da confissão comunitária com absolvição individual, uma modalidade que eu não conhecia. Após orações em conjunto, cada um vai ao padre só para pedir perdão, sem precisar desfiar toda a lista de pecados, e recebe a absolvição.

Dessa vez, fui enfrentar a confissão individual. Sim, enfrentar, pois é sempre um desafio de humildade e fé. Pedir perdão a Deus é algo de suma importância para nós, imprescindível. É um momento muito grave e sério. Mas tem lá o seu lado cômico, quando se trata de confissão individual. Não devido ao fato de nos confessarmos, mas pela maneira como os padres nos recebem.

Apesar de sabermos, racionalmente, que é com Cristo que vamos falar, que é Ele, sendo Deus, que nos perdoa, penso que temos dificuldade em vê-LO através do padre que está ali e isto nos traz um sentimento desconfortável. Por isso, acho engraçado ver todos ali na fila, saber que estamos sentindo a mesma coisa, todos compenetrados, tensos, como crianças sabendo que fizeram algo errado. E somos "crianças" de Deus mesmo, Ele nos acolhe em sua infinita Misericórdia.

Mas o lugar e o modo como os padres nos atendem, muitas vezes, não ajudam em nada. Eu preferia aqueles confessionários tradicionais, em madeira, o padre entrava pela frente, por uma portinha, e lá ficava, do lado de dentro, no escuro. Nós, os penitentes, ajoelhávamo-nos num genuflexório lateral integrado, com saliências laterais e um pequeno teto; ficávamos também no escuro e escondidos. Mal nos víamos, através de uma treliça, apenas vultos dos dois lados. Dava para perceber que o padre aproximava a orelha da treliça para ouvir melhor o cochicho. Daí essa confissão ser chamada de auricular. :-) Conforme a demora da conversa, ao sairmos da toca, a iluminação da igreja até parecia mais intensa, devido a pupilas dilatadas, se não pela escuridão, pela adrenalina liberada, com o stress. :-)

Hoje, isso tornou-se raro, pelo menos por essas bandas de cá. Há ainda confessionários, lindas peças de madeira que não passam de objeto decorativo.

Cheguei à Catedral na hora marcada para começarem as confissões. Já havia quatro pessoas na fila próxima a um confessionário maior, no fundo da igreja. Fiz a pergunta que quase todos fazem, já sabendo a resposta; perguntei, ao que estava na extremidade, se era fila para confessar. Para que outra finalidade seria aquela fila? :-) Daí a pouco, chegam dois padres, um paramentado e o outro com livrinhos que foi distribuindo sobre aquelas mesinhas de entrada de igreja. A esta altura, a fila já tinha triplicado.

O padre que estava paramentado abriu a porta do confessionário e acendeu a luz. Para meu espanto, descortinou-se o interior da peça, com iluminação feérica; uma saleta, com uma cadeira em frente a outra e uma mesinha ao fundo. Assim era o ambiente destinado ao tête-à-tête sacramental. O jeito era enfrentar aquela epifania.

O segundo padre ressurgiu, agora paramentado, vindo das lonjuras da sacristia, e se pôs disponível para também dar confissão, sentado alguns bancos à frente do confessionário, oferecendo um encontro não tão resplandecente, mas às claras.

Difícil saber qual situação seria menos constrangedora. Entreguei para Deus, o que me couber será. Quando chegou a minha vez, a vaga era com o segundo padre. Ele fez sinal para que eu fosse ao seu encontro e me disse para esperar um pouco, pois ia pedir para colocarem música ambiente na igreja, para diminuir a chance de ouvirem as confissões. Não sei por que ele não escolheu outro dos tantos confessionários que há na Catedral... Paciência.

Após terminar de me confessar e receber a absolvição, fui sentar-me em um banco do outro lado, bem longe, para rezar um pouco. Pude ver que muitos que chegavam depois, em vez de entrarem na fila única, estavam se aproximando do padre do banco. Ele mandou todo mundo voltar para a fila, gesticulando peremptoriamente, com braços que pareciam mais longos do que se poderia imaginar. Os infratores voltaram para trás quase correndo. :-)

Apesar de a igreja estar vazia, com música suave, aquela movimentação tirou minha concentração para rezar. Resolvi ir embora, uma boa caminhada num belo dia de primavera. Mesmo se estivesse nevando, era Primavera para mim.

~~~~~~~~~~~

Links relacionados:

Confissões

Confissões II


quarta-feira, abril 01, 2026

Onisciência

 

A propósito da Semana Santa, eu estava lendo um texto que fala sobre a traição de Judas. Nele, o autor menciona certas interpretações errôneas, de que Judas estivesse predestinado, como que obrigado a fazer aquilo. Essa interpretação errada vem da incompreensão do que significam as profecias, incluindo a de Jesus, momentos antes da traição.

Ou melhor, vem do desconhecimento do que é a onisciência divina.

É muito difícil de compreender o que é onisciência, pois somos incapazes de experimentá-la, mas há um jeito de fazer um exercício de imaginação, embora de modo muito rudimentar, pois só temos uma vaguíssima ideia, ninguém sabe realmente como é. Lembrei-me do que eu mesma escrevi, certa vez.

Vocês se lembram das fitas antigas de filme, com aqueles quadradinhos mostrando cada movimento, quadro a quadro? Olhando contra a luz, podíamos ver várias sequências, ir passando a fita, seguindo com o olhar e ver o filme todo.

Deus vê, ou melhor, conhece a fita de todo o universo, de todos os tempos, passado, presente e futuro, como se olhasse tudo de uma vezada só, sempre. Como se, para Ele, este movimento todo estivesse estático, num ínfimo instante. O "olhar" dEle abrange tudo, ao mesmo tempo. Não existe antes e depois, como para nós, que percebemos tudo de modo confuso.

Jesus sabia que Judas iria querer traí-lo e que realmente o faria.

~~~~~~~~~~

Links relacionados:

Cambalhota - Parte II


quinta-feira, fevereiro 19, 2026

Purgatoire, nostalgie du futur

 

Português

English

D'après ce que j'ai lu d'auteurs spécialistes du sujet, j'ai compris que même si nous nous repentons, confessons nos péchés et sommes pardonnés lors de la confession, beaucoup d'entre nous doivent passer par le purgatoire… un processus de purification qui peut commencer ici-bas, par la recherche de la sainteté et par la pénitence.

Il ne s'agit pas de payer pour le péché, cela est déjà fait par le Salut en Jésus ; il s'agit de reconnaître l'ampleur de notre misère, qui ne rend pas justice à l'amour miséricordieux infini de Dieu, ou, comme le dit le père Paulo Ricardo, il s'agit d'accueillir ce Salut, par la foi et les œuvres de charité, les œuvres de rejet du monde, les œuvres de lutte contre le péché, les œuvres d'une vie ascétique. La purification n'est pas sans souffrance. Nous devons louer Dieu pour le Salut qu'il nous a offert et agir pour l'accueillir, tout en reconnaissant notre propension au péché. Cette reconnaissance et l'effort douloureux pour nous corriger finissent par nous apporter une joie indicible, souvent accompagnée de consolation et de progrès dans la foi et la sainteté.

Autrement dit, on peut aussi dire que le purgatoire consiste à se savoir indigne d'un si grand Amour divin, à éprouver une sorte de douleur à l'idée de se savoir indigne, car nous commettons des erreurs sans cesse, malgré l'immense gratitude pour le Salut et l'espoir de rejoindre Dieu.

C’est lorsque la nostalgie se tourne vers l’avenir, dans les limites de notre compréhension, lorsqu’elle évoque une joie à venir, la nostalgie du bonheur éternel. Et, paradoxalement, ce sentiment a déjà un avant-goût de joie.

~~~~~~~~~

Liens connexes :

O purgatório

Traité du Purgatoire