domingo, outubro 11, 2026

Uai !

 


Creio que, escandalizadas com as notícias sobre livros completamente criados por IA, muitas pessoas que gostam de escrever estão temerosas que seus textos sejam assim "diagnosticados", com o "mal da IA".

Existem programas, tidos como altamente eficazes e confiáveis, que analisam textos e dizem se foram escritos por humanos ou por IA, dando até a porcentagem de participação de um e de outro na obra.

O escândalo do livro "diagnosticado" como inteiramente criado por IA, um verdadeiro tsunami que invadiu o mundo literário francófono, ocorreu no mês de setembro. O "autor" de "C'était ça ou mourir", um canado-haitiano, ganhou prêmios prestigiosos com sua obra e era favorito na lista do Goncourt, na França, quando foi descoberta a autoria da IA e, em seguida, após vasculharem sua produção, descobriram também plágios completos em artigos escritos para jornais. Em consequência disso, o livro foi cancelado e sua reputação, como autor, completamente desacreditada. O livro, porém, subiu como um foguete nas vendas.

Tenho pequenos livros publicados por minha própria conta, há mais de uma década, portanto livres dessa suspeita. Mas continuo escrevendo e pretendo, talvez um dia, publicar uma coletânea de algumas crônicas e alguns poemas já registrados em meu "blogspot", desde os idos de 2010, além de outros avulsos, arquivados em minhas pastas.

Minha preocupação vem do fato de usar corretores ortográficos e gramaticais gratuitos online, assim como tradutores gratuitos disponíveis na Internet. Muitas vezes, meu original é em português, mas, também, em francês ou em inglês. E uso esses tradutores gratuitos, para me ajudar a escrever o mesmo assunto nas três línguas. De qualquer forma, após ter trechos traduzidos com a assistência desse método, eu própria "corrijo" de maneira a expressar meu pensamento do meu jeito. Espero que isso não seja interpretado como uma criação de IA, porque não é. Uai ! (Vem a calhar, nossa interjeição mineira, uai, parece até uma sigla: não tenho conhecimentos nesta área: "Unknown...")

Nem sequer sei como seria a criação de um livro por IA, como estão falando que o tal escritor fez. Espero que meu uso de corretores e tradutores não seja mal interpretado. Uso-os há anos, muito antes de se falar em IA.

Há, ainda, outra coisa que me preocupa. O fato de, às vezes, usar palavras em francês ou em inglês, que têm as mesmas raízes em português, mas que não são as mais usadas naquelas línguas. Quando fiz meus cursos de inglês e de francês, os professores diziam, e é verdade, que temos tendência a usar palavras parecidas com as da nossa língua materna, mas que soam estranhas no uso corrente dos outros idiomas; e vice-versa. É preciso ter cautela para não passarmos por pedantes, usando palavras que não são comuns e, nos dias de hoje, para não sermos acusados de usar IA!

Não vou parar de escrever por causa disso, certamente que não. E, de qualquer forma, minha produção é importante só para mim mesma.

Por falar no meu "blogspot", ele completará 16 anos no próximo 15 de outubro!


quarta-feira, setembro 23, 2026

Omniscience divine

 

Português

English

Concernant la Semaine Sainte, j'ai lu un texte qui parle de la trahison de Judas. Dans cet article, l'auteur mentionne certaines interprétations qui ne sont pas correctes, comme si Judas avait une prédestination, comme s'il y était contraint de le faire. Cette fausse interprétation vient d'une mauvaise compréhension du sens des prophéties en général, y compris celle que Jésus fait quelques instants avant la trahison.

Ou plutôt, elle provient de l'incompréhension de ce qu'est l'omniscience divine.

Il est très difficile de comprendre ce qu'est l'omniscience, car nous sommes incapables d'en faire l'expérience. Cependant, il existe un exercice d'imagination, quoique très rudimentaire, parce que nous n'en avons qu'une vague idée ; personne ne sait vraiment ce que c'est. Je me suis souvenu de ce que j'avais écrit autrefois.

Vous souvenez-vous des vieilles bobines de film, avec ces petits carrés montrant chaque mouvement, image par image? En regardant à contre-jour, on pouvait voir plusieurs séquences, parcourir la pellicule, la suivre du regard et voir le film entier.

Dieu voit, ou plutôt connaît, la trame de l'univers entier, de tous les temps, passé, présent et futur, comme s'Il voyait tout d'un seul coup, toujours. Comme si, pour Lui, tout ce mouvement était figé, en un instant fugace. Son regard voit tout instantanément. Il n'y a ni avant ni après, contrairement à nous qui percevons le monde de façon confuse.

Jésus savait que Judas voudrait le trahir et qu'il le ferait.

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Liens connexes :

La culbute


terça-feira, setembro 22, 2026

Bécosse

 

Alguém comentou sobre o termo "casinha", em referência a instalações sanitárias e a palavra me fez voltar à infância, lembrei do meu 1° ano primário, no "Grupo Escolar".

De vez em quando, algum(a) coleguinha pedia autorização à professora para ir à "casinha". E eu ficava curiosa, o quê e onde era a tal "casinha"... Depois, constatei que era o banheiro! Achei um tanto nonsense, mas não dei importância ao assunto.

Não costumávamos falar assim na minha família. Nunca comentei lá em casa, naquele tempo, que eu não sabia por que algumas crianças chamavam banheiro de casinha; talvez meus pais tivessem me explicado a razão. Imaginem que só fui aprender quando me mudei para o Canadá.

Na floresta do meu sogro, onde se produzia "sirop d'érable / maple syrup" à moda antiga, vi uma cabaninha minúscula no meio do arvoredo, só dava para entrar uma pessoa. Perguntei ao Léo, meu marido, ele me explicou que era uma instalação sanitária primitiva. Aqui, nas províncias de Québec e Ontário, era chamada de "backhouse" (termo mais comum do que "outhouse" em outros lugares).

O Léo me contou que, antigamente, não havia banheiro dentro de casa, havia a "bécosse", corruptela de "backhouse". Imediatamente, lembrei-me do termo que ouvi na infância. Devia ser do mesmo jeito no Brasil, em velhos tempos, o banheiro devia ser uma casinha separada.

Os antigos canadenses franceses transformaram "backhouse" em "bécosse", segundo o Léo, porque não sabiam falar direito. Fiquei surpresa com a diferença na pronúncia, em relação à original inglesa, mas acho que lá pelos idos dos séculos XVIII, XIX, devia haver resquícios de um inglês mais arcaico. Na pesquisa que fiz, "house" em inglês antigo era "hūs". Com algum sotaque mais carregado francês, pode-se chegar a "bécosse"... ??

A foto que ilustra esta página é da "bécosse" que vi na floresta.

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Nota: aventei a hipótese de usarem um inglês mais antigo, naqueles idos de antanho, em analogia ao que ocorria com o francês, naquela época.

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Link relacionado:

DHFQ : bécosse


quinta-feira, setembro 10, 2026

Irmão, irmã, que não vi em pessoa

 

Consolação inesperada

Uma emoção nova, inesperada

Irmão, irmã, da mesma morada

Que não vi em pessoa

Doçura infinita – consolação

Bendita rajada de afeição

Sensação imensamente boa

Chorei

Foi tão rápido o que experimentei

Não, não veio de mim, veio do além

Pelo sentimento de estar entre os meus

Só pode ter vindo do Bem

Veio de Deus

(escrito em 14 de março de 2014)

Embora não tenha conhecido meus irmãozinhos que morreram recém-nascidos, sinto amor fraternal por eles. Provavelmente, por ouvir minha mãe contar, emocionada, como foram os rápidos momentos em que estiveram nesse mundo. Eu ainda não era nascida, vim depois deles, mas emociono-me com as histórias que ela contava.

O mais velho, José Eustáquio, nasceu prematuro, em novembro de 1947; teve problemas respiratórios. Morreu com apenas 12 horas. Era muito parecido com o meu pai.

Cabe aqui, lembrar de fenômenos impressionantes que ocorreram com meus pais, relacionados com o Beato Padre Eustáquio, já falecido, naquela época. Transcrevo, abaixo, o que escrevi sobre isso, há algum tempo (link ao final):

Com minha mãe, que também era muito devota dele, houve uma espécie de manifestação em dois sonhos, já alguns anos após a morte do sacerdote. Ela tinha perdido o primeiro filho, recém-nascido, e sonhou com o padre que lhe dizia que ela perderia um filho. Ela dizia que já tinha perdido um e perguntava se era desse que ele estava falando. Ele não respondeu, nem sim nem não.

Outro episódio interessante que ocorreu com meus pais foi que, também em sonho, o Padre Eustáquio disse à minha mãe que ela teria sete filhos. Sem que ela tivesse comentado nada sobre isso, meu pai deu a ela um presente – não sei se no dia seguinte, ou dias depois: uma peça de louça com sete criancinhas pintadas; e perguntou se não seria uma boa conta. Ela ficou impressionada porque era o mesmo número do sonho.

Naquele tempo, as famílias católicas não evitavam filhos, viessem quantos viessem. Pois, anos depois, após finalizada a produção da “fábrica”, minha mãe lembrou-se dos sonhos e constatou que estavam certos. Ela teve sete filhos, contando com os dois que morreram pequeninos. Sim, ela teve um outro que morreu recém-nascido – uma menininha. Coincidências estranhas... Sinais para ajudar a fortalecer a fé?

Maria Jacinta foi o quinto rebento, nasceu logo antes de mim. Segundo minha mãe, ela nasceu forte, saudável, mas parece que adquiriu uma infecção no hospital, morreu com sete dias. Provavelmente, tétano.

Outro dia, ouvi a palestra de um padre, explicando o que acontece com as pessoas após a morte, de acordo com os ensinamentos da Igreja Católica. Meus irmãozinhos foram batizados. Como recém-nascido não tem pecados pessoais, a alma alcança a visão beatífica de Deus de imediato. Não sei se a proximidade genética desse lado de cá leva algum rastro para o lado de lá, mantendo algum elo entre os dois "mundos". Penso que não. Mas, pelo menos, sabemos, com certeza, que eles são santos. Temos, portanto, garantidos, mais dois para pedirmos intercessão por nós e para darmos glória a Deus. É o que eu faço praticamente todos os dias.

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Link relacionado:

Padre Eustáquio - Saúde e Paz


sexta-feira, agosto 14, 2026

Eclipse solar - efeito "pinhole"

 

Gosto de observar fenômenos no céu, mas eclipse do Sol não me interessa de modo nenhum. Penso que, tal foi a eficácia da explicação de meus pais, quando éramos crianças, de que olhar para o Sol cegava e que não se podia confiar que os óculos especiais que nos ofereciam eram bons mesmo, que perdi o interesse completamente, para o resto da vida. :-)

Não me lembrava de ter ocorrido em Belo Horizonte, durante toda a minha vida lá. Não o total. Fui checar com a IA e, realmente, um eclipse total nunca foi visível de Belo Horizonte, no século XX.

O único eclipse total que presenciei, pelas sombras e pela escuridão, foi o que ocorreu em 8 de abril de 2024, visível aqui do Québec. Foi tanta falação, que acabei me preparando, não para olhar para o Sol, com os tão anunciados óculos protetores, mas para ver o fenômeno pelas sombras. A estratégia de vê-lo indiretamente acendeu meu interesse.

Sim, ver o eclipse solar projetado na sombra é muito interessante. Trata-se do efeito "pinhole". É uma forma segura e indireta de observar um eclipse solar sem olhar para o Sol. Projeta-se a imagem da luz solar, através de um orifício, em uma superfície branca, que pode ser o chão de cimento mesmo. Basta ter um objeto qualquer com um orifício bem pequenininho, não necessariamente do tamanho de um furinho feito com alfinete, pode ser um pouquinho maior. :-) A luz passa pelo pequeno furo e desenha, no chão, o formato do Sol sendo ocupado pela sombra da Lua. Até os pequenos espaços entre as folhas de uma árvore funcionam como múltiplos pinholes, criando dezenas de pequenas imagens do eclipse no quintal, no passeio, na rua.

Eu usei meu escorredor de macarrão, como se vê na foto ilustrativa desta página. Cada buraquinho projeta uma imagem do eclipse. Acompanhei todo o tempo que o fenômeno durou observando o chão da minha sacadinha. Parece que o povo da minha cidade estava na rua. Quando o Sol ficou todo coberto, foi um grito em uníssono: "Oh!"... Muito legal!!!

O momento em que ele fica todo escondido é muito rápido. Enquanto a Lua vai cobrindo e descobrindo é que demora mais um pouco. Os passarinhos começam a "cochichar", quando vai escurecendo, como quando anoitece. Um encanto! Não chega a ficar totalmente escuro, fica como uma noitinha, como um resto de crepúsculo.

Finalmente, quebrei o tabu de não olhar para o eclipse do Sol, mas de modo indireto. Uma ótima estratégia! Sempre bom lembrar que momentos de escuridão são passageiros, a Luz está só escondida por eventuais circunstâncias. Ela vai aparecer de novo.


sexta-feira, julho 03, 2026

Divine omniscience

 

Português

Français

Regarding Holy Week, I was reading a text about Judas' betrayal. The author mentions certain erroneous interpretations, such as the idea that Judas was predestined, as if he was forced to do what he did. This misinterpretation comes from not knowing the meaning of prophecies, including Jesus' prophecy moments before the betrayal.

Or rather, it comes from a lack of understanding of what divine omniscience is. 

It is very difficult to know what omniscience is, because we are incapable of experiencing it, but there is a way to do an exercise in imagination, although in a very rudimentary way, since we only have a very vague idea; nobody really knows what it is like. It reminds me of what I myself wrote once.

Do you remember the old tapes, with those little squares showing each movement, frame by frame? Looking against the light, we could see several sequences, sliding the strips, following them with our eyes to see the whole movie.

God can see, or rather, He knows the tape of the entire universe, of all times, past, present, and future, as if He were looking at everything at once, always. As if, for Him, all this movement were static, in a tiny instant. His "gaze" encompasses everything at the same time. There is no before and after, as there is for us, who perceive everything in a confused way.

Jesus knew that Judas would want to betray Him and that he actually would.

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Somersault


terça-feira, junho 30, 2026

Purgatory, nostalgia for the future

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According to what I have read by authors who specialize in the subject, I have understood that even if we repent, confess our sins and are forgiven during confession, many of us must go through Purgatory… a purification process that can begin here on Earth, through the pursuit of holiness and penance.

It is not about paying for sin, that has already been done by Salvation in Jesus; it is about recognizing the extent of our misery, which does not do justice to the infinite merciful love of God, or, as Father Paulo Ricardo says, it is about welcoming this Salvation, through faith and works of charity, works of rejection of the world, works of struggle against sin, works of an ascetic life.

Purification is not without suffering. We must praise God for the salvation he has offered us and act to welcome it, while acknowledging our propensity for sin. This acknowledgment and the painful effort to correct ourselves ultimately bring us indescribable joy, often accompanied by consolation and progress in faith and holiness.

In other words, we can also say that Purgatory consists of knowing oneself to be unworthy of such great divine Love, of experiencing a kind of pain at the idea of knowing oneself to be unworthy, because we constantly make mistakes, despite the immense gratitude for Salvation and the hope of joining God.

It is when nostalgia turns towards the future, within the limits of our understanding, when it evokes a joy to come, the nostalgia for eternal happiness. And, paradoxically, this feeling already has a foretaste of joy.

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O Purgatório

Treatise on Purgatory