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Église de Saint-Jean-Baptiste à Notre-Dame-des-Neiges, QC Canada |
O Evangelho do 3° domingo do Advento nos
lembra que São João Batista, já estando preso, enviou discípulos
a Jesus para perguntar-lhe se Ele era o Messias ou se deviam esperar
por outro.
E João, ouvindo no cárcere falar dos
feitos de Cristo, enviou dois dos seus discípulos,
A dizer-lhe: És tu aquele que havia de vir,
ou esperamos outro?
E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide, e
anunciai a João as coisas que ouvis e vedes:
Os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos
são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos
pobres é anunciado o evangelho.
E bem-aventurado é aquele que não se
escandalizar em mim.
E, partindo eles, começou Jesus a dizer às
multidões, a respeito de João: Que fostes ver no deserto? Uma cana
agitada pelo vento?
Sim, que fostes ver? Um homem ricamente
vestido? Os que trajam ricamente estão nas casas dos reis.
Mas, então que fostes ver? Um profeta? Sim,
vos digo eu, e muito mais do que profeta;
Porque é este de quem está escrito: Eis
que diante da tua face envio o meu anjo, que preparará diante de ti
o teu caminho.
Em verdade vos digo que, entre os que de
mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o
Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que
ele.
— Mateus 11:2-11
À primeira vista, parece que São João
Batista duvidou. Mas São João Crisóstomo nos explica esta
passagem, usando a lógica, não há como contestar. Vejamos o texto
com o qual o Padre Angelo responde a uma fiel:
1.
Trago-te o comentário de São João Crisóstomo, que é um dos
quatro grandes Padres da Igreja do Oriente.
Este
comentário era muito estimado por São Tomás.
Como
tu mesma observas, certamente São João conhecia Jesus.
Independentemente
do fato de serem primos (eles tinham tido dois caminhos totalmente
diferentes até então), João tinha sido avisado de cima sobre a
identidade de Cristo.
Ele
mesmo diz: “Eu não o conhecia, mas aquele que me mandou batizar em
água disse-me: Sobre quem vires descer e repousar o Espírito, este
é quem batiza no Espírito Santo” (Jo 1,33).
2.
Mas eis o que disse Crisóstomo:
“Ele
O conhecia antes que fizesse milagres. Ele o havia sabido através do
Espírito, havia ouvido do Pai.
Ele
o tinha proclamado diante de todos, como é que agora por sua própria
vontade ele envia pessoas para perguntar se Ele era ou não o
Cristo?”.
Voltando-se
ao Batista, Crisóstomo pergunta: “Não
disseste tu: Eu não sou digno de lhe desatar a correia do calçado.
Não disseste tu: Eu não o conhecia, mas aquele que me mandou
batizar em água disse-me: Sobre quem vires descer e repousar o
Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo?
Não
viste o Espírito na forma de uma pomba? Não ouviste aquela voz?
Não
tentaste atrapalhar dizendo: Eu
devo ser batizado por ti e tu vens a mim?
Não
disseste aos discípulos: Importa
que ele cresça e que eu diminua?
Não
ensinaste a todos que Ele os batizaria no Espírito Santo e no fogo e
que Ele é o Cordeiro de Deus que toma sobre si o pecado do mundo?
Não
havias proclamado tudo isso antes dos milagres e das maravilhas?
Por
que, então, agora que Ele se manifestou a todos, Sua fama se
espalhou por toda parte, os mortos foram ressuscitados, os demônios
expulsos e houve provas de milagres tão grandes, envias, por tua
própria iniciativa, pessoas a se informar? O que aconteceu? Todas
essas palavras foram engano, falsidade, fábulas?
Mas
que pessoa sensata poderia dizer isso? Não digo João, que
estremeceu no ventre de sua mãe, que o proclamou antes de nascer,
que era um cidadão do deserto, que exibia um sistema angélico de
vida; mas nem mesmo nenhuma das multidões, entre aqueles muito
desprezados, poderia duvidar depois de tantos testemunhos, tanto dele
como de outros”.
3.
E continua: “Daí é evidente que nem mesmo ele (o Batista) enviou
os discípulos porque duvidava, nem fez essa pergunta porque
ignorava.
Também
não se poderia dizer que ele sabia claramente, mas tinha se tornado
mais temeroso por causa da prisão; ele não esperava ser libertado e
nem, se o tivesse esperado, teria traído sua piedade religiosa, ele
que estava pronto para morrer. Pois, de fato, se ele não estivesse
preparado para isso, não teria mostrado tanta coragem diante de todo
o povo, que tinha se comprometido a derramar o sangue dos profetas,
nem teria desafiado, com tanta franqueza, aquele tirano cruel no meio
da cidade e da praça, repreendendo-o duramente como uma criancinha,
enquanto todos o escutavam.
E
se ele tivesse se tornado mais temeroso, porque não tinha vergonha
de seus discípulos, diante dos quais ele havia dado um testemunho
tão grande, mas abordado sua pergunta através deles, ao passo que
deveria tê-lo feito através de outros?
Certamente
ele sabia claramente que eles tinham inveja dele e desejava encontrar
um pretexto contra ele. (…)
Qual
é então a sua intenção?
É
evidente pelo que foi dito que o questionamento dessas coisas não
dizia respeito a João, mas também a nenhuma pessoa, por mais tola e
insensata que fosse. A solução da questão deve agora ser
apresentada. Por que então ele os enviou para questionar?
Os
discípulos de João se opunham a Jesus; isso é evidente para todos
que eram sempre invejosos dele. Está claro pelo que disseram ao seu
mestre:
Aquele
que estava convosco do outro lado do Jordão e a quem dás
testemunho, eis que ele batiza, e todos vêm até ele;
e ainda:
surgiu
uma discussão entre os discípulos de João e os judeus a respeito
da purificação.
E mais, eles vieram até ele e disseram: Por
que nós e os fariseus jejuamos muito, mas os teus discípulos não
jejuam?
4.
Eles ainda não sabiam que era Cristo, mas, imaginando que Jesus era
um mero homem e João mais do que um homem, ficaram angustiados ao
ver que o primeiro gozava de uma grande reputação, enquanto o
segundo nem tanto, como ele havia dito. Isso os impediu de se
aproximar de Cristo, pois a inveja lhes impedia o acesso a Ele.
Enquanto
João estava com eles, exortava-os e os instruía continuamente e,
mesmo assim, não os convencia; mas porque estava prestes a morrer,
aumentava seus esforços, porque temia que pudesse dar origem a uma
opinião perversa, e que eles permanecessem separados de Cristo.
Se
esforçava desde o início para levar todos os seus discípulos até
Ele, mas como não conseguia convencê-los, aumentou seus esforços
quando estava prestes a morrer.
Se
ele tivesse dito: “Vão até Ele; Ele é melhor do que eu”, não
os teria persuadido, pois eles dificilmente teriam se separado dele,
mas teriam pensado que ele falava assim por modéstia e teriam se
apegado ainda mais a ele. Por outro lado, se tivesse ficado em
silêncio, nenhuma vantagem teria surgido disso.
O
que ele faz então? Espera ouvir deles que fazia maravilhas e nem
mesmo nesse caso faz exortações a eles, nem envia todos, mas apenas
dois que ele talvez soubesse que eram mais dóceis que os outros, que
a pergunta poderia não parecesse suspeita, para que eles aprendessem
com os fatos a diferença entre Jesus e ele, e então diz: “Vão
e perguntem: Sois vós aquele que deve vir, ou devemos esperar por
outro?”
5.
Cristo, conhecendo a intenção de João, não disse: “Sou eu”,
pois novamente isso teria perturbado seus ouvintes, embora fosse
lógico dizê-lo, mas deixa que eles aprendam com os fatos. Quando se
aproximaram Dele, curou muitos.
Certamente
havia alguma conexão entre o fato de não responder nada à
pergunta: “Sois
vós?”
e a cura imediata dos doentes, se não tivesse a intenção de
indicar o que eu disse?
De
fato, consideravam que o testemunho resultante dos atos era mais
credível e menos suspeito do que aquele proveniente das palavras.
Sabendo,
portanto, já que era Deus, da intenção com que João os havia
enviado, Ele imediatamente curou cegos, aleijados e muitos outros,
para não ensiná-lo – e como ele poderia, uma vez que estava
convencido disso? – mas para aqueles que duvidavam e depois de
tê-los curado, disse:
Ide
e contai a João o que ouvistes e o que vistes:
os
cegos veem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem,
os mortos ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres …
Bem-aventurado aquele para quem eu não for ocasião de queda!,
mostrando
conhecer os segredos de suas mentes.
Se
Ele tivesse dito:Sou
eu,
isso os teria chocado, como já disse antes e eles teriam pensado,
mesmo sem dizer, o que os judeus Lhe diziam: “Tu
dás testemunho de ti mesmo“.
Portanto,
não se expressa nesses termos, mas faz com que aprendam tudo dos
prodígios, tornando seu ensinamento insuspeito e mais claro”
(Homilia 36, 1-2).
Agradeço
por ter me dado a oportunidade de citar uma página do Crisóstomo
para mostrar quão profunda e persuasiva é a análise dos Santos
Padres sobre as Sagradas Escrituras.
Desejo-te
tudo de bom, lembro-te ao Senhor e te abençoo.
— Padre
Angelo
Eu
acrescentaria: se São João Batista estava duvidando de Jesus, iria
enviar seus discípulos para fazer a pergunta justamente ao
"impostor"? Não, ele não duvidou.
Ambos
os textos estão abaixo, nos links relacionados.
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Links relacionados:
Mateus
11:2-11
São João Crisóstomo responde