sexta-feira, outubro 16, 2026

Le « Tout-Autre »

 

Português abaixo

English below

J'ai lu un texte qui appelle Dieu « Le Tout-Autre » [1] et j'ai trouvé cette expression magnifique pour exprimer notre incapacité de saisir Dieu, Notre Seigneur, entièrement en dehors de notre compréhension, de notre espace et de notre temps. Nos mots, notre logique, nos définitions sont insuffisantes, nos sens et notre raison ne parviennent pas à Le conceptualiser. 

L'article met en évidence la difficulté à rendre compatible cette « distance » avec la « proximité » de l'Amour que Jésus-Christ, l'Homme, a eu pour nous, en étant aussi Dieu, Lui-même.

« En vérité, en vérité, je vous le dis, avant qu’Abraham existât, je suis » (Jean 8:58)

« Il y a si longtemps que je suis avec vous, et tu ne m'as pas connu, Philippe! Celui qui m'a vu a vu le Père; comment dis-tu: Montre-nous le Père? » (Jean 14:9)

Tout ça est magnifique et bouleversant, en même temps.

Avec le Saint-Esprit pour nous éclairer avec le feu de l'Amour, nous n'avons pas besoin de nous creuser la tête, la compréhension nous vient comme intuition et acceptation.

« Viens, Esprit Saint, remplis le cœur de tes fidèles et allume en eux le feu de ton amour. Envois ton Esprit, et tout sera créé. Et Tu renouvelleras la face de la terre. »

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Li um texto que chama Deus de "Le Tout-Autre" (o Totalmente Outro) [1] e achei esta expressão magnífica para exprimir nossa incapacidade de captar o que é Deus, Nosso Senhor, completamente fora de nossa compreensão, de nosso espaço e de nosso tempo. Nossas palavras, nossa lógica, nossas definições são insuficientes, nossos sentidos e nossa razão não conseguem conceituá-LO. 

O artigo coloca em evidência a dificuldade em tornar compatível essa "distância" com a "proximidade" do Amor que Jesus Cristo, Homem, teve por nós, sendo, Ele próprio, também Deus.

"Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, eu sou." (João 5:58)

"Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?" (João 14:9)

Tudo isso é magnífico e emocionante, ao mesmo tempo.

Com o Espírito Santo a nos iluminar com o fogo do Amor, não precisamos de quebrar a cabeça, a compreensão nos vem como intuição e aceitação.

“Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.”

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I read a text that calls God as "Le Tout-Autre" (the Wholly Other) [1] and I found this expression magnificent to explain our inability to understand what God, Our Lord, is, because He is completely outside of our understanding, our space and our time. Our words, our logic and our definitions are insufficient; our senses and our reason cannot form concepts of Him. 

The article highlights the difficulty of reconciling this "distance" with the "closeness" of the Love that Jesus Christ—the Man—had for us, while Himself also being God.

"Truly, truly, I tell you, before Abraham was born, I am!" (John 5:58)

"Don't you know me, Philip, even after I have been among you such a long time? Anyone who has seen me has seen the Father. How can you say, "Show us the Father"? (John 19:4)

With the Holy Spirit illuminating us with the fire of Love, we need not rack our brains; understanding comes to us as intuition and acceptance.

“Come Holy Spirit, fill the hearts of your faithful and kindle in them the fire of your love. Send forth your Spirit and they shall be created. And You shall renew the face of the earth.”

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[1] Dieu, le « tout-autre »


domingo, outubro 11, 2026

Uai !

 


Creio que, escandalizadas com as notícias sobre livros completamente criados por IA, muitas pessoas que gostam de escrever estão temerosas que seus textos sejam assim "diagnosticados", com o "mal da IA".

Existem programas, tidos como altamente eficazes e confiáveis, que analisam textos e dizem se foram escritos por humanos ou por IA, dando até a porcentagem de participação de um e de outro na obra.

O escândalo do livro "diagnosticado" como inteiramente criado por IA, um verdadeiro tsunami que invadiu o mundo literário francófono, ocorreu no mês de setembro. O "autor" de "C'était ça ou mourir", um canado-haitiano, ganhou prêmios prestigiosos com sua obra e era favorito na lista do Goncourt, na França, quando foi descoberta a autoria da IA e, em seguida, após vasculharem sua produção, descobriram também plágios completos em artigos escritos para jornais. Em consequência disso, o livro foi cancelado e sua reputação, como autor, completamente desacreditada. O livro, porém, subiu como um foguete nas vendas.

Tenho pequenos livros publicados por minha própria conta, há mais de uma década, portanto livres dessa suspeita. Mas continuo escrevendo e pretendo, talvez um dia, publicar uma coletânea de algumas crônicas e alguns poemas já registrados em meu "blogspot", desde os idos de 2010, além de outros avulsos, arquivados em minhas pastas.

Minha preocupação vem do fato de usar corretores ortográficos e gramaticais gratuitos online, assim como tradutores gratuitos disponíveis na Internet. Muitas vezes, meu original é em português, mas, também, em francês ou em inglês. E uso esses tradutores gratuitos, para me ajudar a escrever o mesmo assunto nas três línguas. De qualquer forma, após ter trechos traduzidos com a assistência desse método, eu própria "corrijo" de maneira a expressar meu pensamento do meu jeito. Espero que isso não seja interpretado como uma criação de IA, porque não é. Uai ! (Vem a calhar, nossa interjeição mineira, uai, parece até uma sigla: não tenho conhecimentos nesta área: "Unknown...")

Nem sequer sei como seria a criação de um livro por IA, como estão falando que o tal escritor fez. Espero que meu uso de corretores e tradutores não seja mal interpretado. Uso-os há anos, muito antes de se falar em IA.

Há, ainda, outra coisa que me preocupa. O fato de, às vezes, usar palavras em francês ou em inglês, que têm as mesmas raízes em português, mas que não são as mais usadas naquelas línguas. Quando fiz meus cursos de inglês e de francês, os professores diziam, e é verdade, que temos tendência a usar palavras parecidas com as da nossa língua materna, mas que soam estranhas no uso corrente dos outros idiomas; e vice-versa. É preciso ter cautela para não passarmos por pedantes, usando palavras que não são comuns e, nos dias de hoje, para não sermos acusados de usar IA!

Não vou parar de escrever por causa disso, certamente que não. E, de qualquer forma, minha produção é importante só para mim mesma.

Por falar no meu "blogspot", ele completará 16 anos no próximo 15 de outubro!


quarta-feira, setembro 23, 2026

Omniscience divine

 

Português

English

Concernant la Semaine Sainte, j'ai lu un texte qui parle de la trahison de Judas. Dans cet article, l'auteur mentionne certaines interprétations qui ne sont pas correctes, comme si Judas avait une prédestination, comme s'il y était contraint de le faire. Cette fausse interprétation vient d'une mauvaise compréhension du sens des prophéties en général, y compris celle que Jésus fait quelques instants avant la trahison.

Ou plutôt, elle provient de l'incompréhension de ce qu'est l'omniscience divine.

Il est très difficile de comprendre ce qu'est l'omniscience, car nous sommes incapables d'en faire l'expérience. Cependant, il existe un exercice d'imagination, quoique très rudimentaire, parce que nous n'en avons qu'une vague idée ; personne ne sait vraiment ce que c'est. Je me suis souvenu de ce que j'avais écrit autrefois.

Vous souvenez-vous des vieilles bobines de film, avec ces petits carrés montrant chaque mouvement, image par image? En regardant à contre-jour, on pouvait voir plusieurs séquences, parcourir la pellicule, la suivre du regard et voir le film entier.

Dieu voit, ou plutôt connaît, la trame de l'univers entier, de tous les temps, passé, présent et futur, comme s'Il voyait tout d'un seul coup, toujours. Comme si, pour Lui, tout ce mouvement était figé, en un instant fugace. Son regard voit tout instantanément. Il n'y a ni avant ni après, contrairement à nous qui percevons le monde de façon confuse.

Jésus savait que Judas voudrait le trahir et qu'il le ferait.

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La culbute


terça-feira, setembro 22, 2026

Bécosse

 

Alguém comentou sobre o termo "casinha", em referência a instalações sanitárias e a palavra me fez voltar à infância, lembrei do meu 1° ano primário, no "Grupo Escolar".

De vez em quando, algum(a) coleguinha pedia autorização à professora para ir à "casinha". E eu ficava curiosa, o quê e onde era a tal "casinha"... Depois, constatei que era o banheiro! Achei um tanto nonsense, mas não dei importância ao assunto.

Não costumávamos falar assim na minha família. Nunca comentei lá em casa, naquele tempo, que eu não sabia por que algumas crianças chamavam banheiro de casinha; talvez meus pais tivessem me explicado a razão. Imaginem que só fui aprender quando me mudei para o Canadá.

Na floresta do meu sogro, onde se produzia "sirop d'érable / maple syrup" à moda antiga, vi uma cabaninha minúscula no meio do arvoredo, só dava para entrar uma pessoa. Perguntei ao Léo, meu marido, ele me explicou que era uma instalação sanitária primitiva. Aqui, nas províncias de Québec e Ontário, era chamada de "backhouse" (termo mais comum do que "outhouse" em outros lugares).

O Léo me contou que, antigamente, não havia banheiro dentro de casa, havia a "bécosse", corruptela de "backhouse". Imediatamente, lembrei-me do termo que ouvi na infância. Devia ser do mesmo jeito no Brasil, em velhos tempos, o banheiro devia ser uma casinha separada.

Os antigos canadenses franceses transformaram "backhouse" em "bécosse", segundo o Léo, porque não sabiam falar direito. Fiquei surpresa com a diferença na pronúncia, em relação à original inglesa, mas acho que lá pelos idos dos séculos XVIII, XIX, devia haver resquícios de um inglês mais arcaico. Na pesquisa que fiz, "house" em inglês antigo era "hūs". Com algum sotaque mais carregado francês, pode-se chegar a "bécosse"... ??

A foto que ilustra esta página é da "bécosse" que vi na floresta.

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Nota: aventei a hipótese de usarem um inglês mais antigo, naqueles idos de antanho, em analogia ao que ocorria com o francês, naquela época.

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DHFQ : bécosse


quinta-feira, setembro 10, 2026

Irmão, irmã, que não vi em pessoa

 

Consolação inesperada

Uma emoção nova, inesperada

Irmão, irmã, da mesma morada

Que não vi em pessoa

Doçura infinita – consolação

Bendita rajada de afeição

Sensação imensamente boa

Chorei

Foi tão rápido o que experimentei

Não, não veio de mim, veio do além

Pelo sentimento de estar entre os meus

Só pode ter vindo do Bem

Veio de Deus

(escrito em 14 de março de 2014)

Embora não tenha conhecido meus irmãozinhos que morreram recém-nascidos, sinto amor fraternal por eles. Provavelmente, por ouvir minha mãe contar, emocionada, como foram os rápidos momentos em que estiveram nesse mundo. Eu ainda não era nascida, vim depois deles, mas emociono-me com as histórias que ela contava.

O mais velho, José Eustáquio, nasceu prematuro, em novembro de 1947; teve problemas respiratórios. Morreu com apenas 12 horas. Era muito parecido com o meu pai.

Cabe aqui, lembrar de fenômenos impressionantes que ocorreram com meus pais, relacionados com o Beato Padre Eustáquio, já falecido, naquela época. Transcrevo, abaixo, o que escrevi sobre isso, há algum tempo (link ao final):

Com minha mãe, que também era muito devota dele, houve uma espécie de manifestação em dois sonhos, já alguns anos após a morte do sacerdote. Ela tinha perdido o primeiro filho, recém-nascido, e sonhou com o padre que lhe dizia que ela perderia um filho. Ela dizia que já tinha perdido um e perguntava se era desse que ele estava falando. Ele não respondeu, nem sim nem não.

Outro episódio interessante que ocorreu com meus pais foi que, também em sonho, o Padre Eustáquio disse à minha mãe que ela teria sete filhos. Sem que ela tivesse comentado nada sobre isso, meu pai deu a ela um presente – não sei se no dia seguinte, ou dias depois: uma peça de louça com sete criancinhas pintadas; e perguntou se não seria uma boa conta. Ela ficou impressionada porque era o mesmo número do sonho.

Naquele tempo, as famílias católicas não evitavam filhos, viessem quantos viessem. Pois, anos depois, após finalizada a produção da “fábrica”, minha mãe lembrou-se dos sonhos e constatou que estavam certos. Ela teve sete filhos, contando com os dois que morreram pequeninos. Sim, ela teve um outro que morreu recém-nascido – uma menininha. Coincidências estranhas... Sinais para ajudar a fortalecer a fé?

Maria Jacinta foi o quinto rebento, nasceu logo antes de mim. Segundo minha mãe, ela nasceu forte, saudável, mas parece que adquiriu uma infecção no hospital, morreu com sete dias. Provavelmente, tétano.

Outro dia, ouvi a palestra de um padre, explicando o que acontece com as pessoas após a morte, de acordo com os ensinamentos da Igreja Católica. Meus irmãozinhos foram batizados. Como recém-nascido não tem pecados pessoais, a alma alcança a visão beatífica de Deus de imediato. Não sei se a proximidade genética desse lado de cá leva algum rastro para o lado de lá, mantendo algum elo entre os dois "mundos". Penso que não. Mas, pelo menos, sabemos, com certeza, que eles são santos. Temos, portanto, garantidos, mais dois para pedirmos intercessão por nós e para darmos glória a Deus. É o que eu faço praticamente todos os dias.

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Padre Eustáquio - Saúde e Paz


sexta-feira, agosto 14, 2026

Eclipse solar - efeito "pinhole"

 

Gosto de observar fenômenos no céu, mas eclipse do Sol não me interessa de modo nenhum. Penso que, tal foi a eficácia da explicação de meus pais, quando éramos crianças, de que olhar para o Sol cegava e que não se podia confiar que os óculos especiais que nos ofereciam eram bons mesmo, que perdi o interesse completamente, para o resto da vida. :-)

Não me lembrava de ter ocorrido em Belo Horizonte, durante toda a minha vida lá. Não o total. Fui checar com a IA e, realmente, um eclipse total nunca foi visível de Belo Horizonte, no século XX.

O único eclipse total que presenciei, pelas sombras e pela escuridão, foi o que ocorreu em 8 de abril de 2024, visível aqui do Québec. Foi tanta falação, que acabei me preparando, não para olhar para o Sol, com os tão anunciados óculos protetores, mas para ver o fenômeno pelas sombras. A estratégia de vê-lo indiretamente acendeu meu interesse.

Sim, ver o eclipse solar projetado na sombra é muito interessante. Trata-se do efeito "pinhole". É uma forma segura e indireta de observar um eclipse solar sem olhar para o Sol. Projeta-se a imagem da luz solar, através de um orifício, em uma superfície branca, que pode ser o chão de cimento mesmo. Basta ter um objeto qualquer com um orifício bem pequenininho, não necessariamente do tamanho de um furinho feito com alfinete, pode ser um pouquinho maior. :-) A luz passa pelo pequeno furo e desenha, no chão, o formato do Sol sendo ocupado pela sombra da Lua. Até os pequenos espaços entre as folhas de uma árvore funcionam como múltiplos pinholes, criando dezenas de pequenas imagens do eclipse no quintal, no passeio, na rua.

Eu usei meu escorredor de macarrão, como se vê na foto ilustrativa desta página. Cada buraquinho projeta uma imagem do eclipse. Acompanhei todo o tempo que o fenômeno durou observando o chão da minha sacadinha. Parece que o povo da minha cidade estava na rua. Quando o Sol ficou todo coberto, foi um grito em uníssono: "Oh!"... Muito legal!!!

O momento em que ele fica todo escondido é muito rápido. Enquanto a Lua vai cobrindo e descobrindo é que demora mais um pouco. Os passarinhos começam a "cochichar", quando vai escurecendo, como quando anoitece. Um encanto! Não chega a ficar totalmente escuro, fica como uma noitinha, como um resto de crepúsculo.

Finalmente, quebrei o tabu de não olhar para o eclipse do Sol, mas de modo indireto. Uma ótima estratégia! Sempre bom lembrar que momentos de escuridão são passageiros, a Luz está só escondida por eventuais circunstâncias. Ela vai aparecer de novo.


sexta-feira, julho 03, 2026

Divine omniscience

 

Português

Français

Regarding Holy Week, I was reading a text about Judas' betrayal. The author mentions certain erroneous interpretations, such as the idea that Judas was predestined, as if he was forced to do what he did. This misinterpretation comes from not knowing the meaning of prophecies, including Jesus' prophecy moments before the betrayal.

Or rather, it comes from a lack of understanding of what divine omniscience is. 

It is very difficult to know what omniscience is, because we are incapable of experiencing it, but there is a way to do an exercise in imagination, although in a very rudimentary way, since we only have a very vague idea; nobody really knows what it is like. It reminds me of what I myself wrote once.

Do you remember the old tapes, with those little squares showing each movement, frame by frame? Looking against the light, we could see several sequences, sliding the strips, following them with our eyes to see the whole movie.

God can see, or rather, He knows the tape of the entire universe, of all times, past, present, and future, as if He were looking at everything at once, always. As if, for Him, all this movement were static, in a tiny instant. His "gaze" encompasses everything at the same time. There is no before and after, as there is for us, who perceive everything in a confused way.

Jesus knew that Judas would want to betray Him and that he actually would.

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Somersault


terça-feira, junho 30, 2026

Purgatory, nostalgia for the future

Português

Français

According to what I have read by authors who specialize in the subject, I have understood that even if we repent, confess our sins and are forgiven during confession, many of us must go through Purgatory… a purification process that can begin here on Earth, through the pursuit of holiness and penance.

It is not about paying for sin, that has already been done by Salvation in Jesus; it is about recognizing the extent of our misery, which does not do justice to the infinite merciful love of God, or, as Father Paulo Ricardo says, it is about welcoming this Salvation, through faith and works of charity, works of rejection of the world, works of struggle against sin, works of an ascetic life.

Purification is not without suffering. We must praise God for the salvation he has offered us and act to welcome it, while acknowledging our propensity for sin. This acknowledgment and the painful effort to correct ourselves ultimately bring us indescribable joy, often accompanied by consolation and progress in faith and holiness.

In other words, we can also say that Purgatory consists of knowing oneself to be unworthy of such great divine Love, of experiencing a kind of pain at the idea of knowing oneself to be unworthy, because we constantly make mistakes, despite the immense gratitude for Salvation and the hope of joining God.

It is when nostalgia turns towards the future, within the limits of our understanding, when it evokes a joy to come, the nostalgia for eternal happiness. And, paradoxically, this feeling already has a foretaste of joy.

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O Purgatório

Treatise on Purgatory


quarta-feira, maio 27, 2026

Meu "blues" ficou vermelho

 

Sou uma pessoa que tenta seguir os passos da Igreja Católica. Por exemplo, vou à missa nos dias de preceito, o que me coloca a par do tempo litúrgico do momento. Pois, mesmo assim, a chegada do Domingo de Pentecostes me surpreendeu. O tempo passou depressa demais!

Andei muito distraída, com trâmites de mudança de estação, com meu hobby preferido, que é fotografar tudo quanto há. Acho que estive tentando distrair minha alma do luto pela falta do meu marido. Às vezes, o sentimento de perda recrudesce, com todas aquelas lembranças tristes. Não sei se a culpa é da primavera, com suas flores, passarinhos, calor, Sol... Nessa época, começávamos a cuidar do terreno da nossa antiga casa e isso me faz falta. Não bem o terreno, mas o estarmos juntos, nessas atividades.

Depois que fiquei viúva, penso que estou sendo afetada pelo "blues printanier"; o que me ajuda a superá-lo são as orações. E o interessante é que, pensando nesse vácuo interior, preenchido por preocupações, ansiedade e desânimo, tudo ao mesmo tempo, veio-me a ideia de que o vazio em meu coração poderia ser um chamado para eu deixar o Espírito Santo ocupá-lo. Pensei isso na véspera de Pentecostes, sem me dar conta da data. Quando cheguei à Missa de sábado, valendo para domingo, surpresa! Os ajudantes estavam trocando os panos litúrgicos do altar para vermelho. Já era Pentecostes! Que alegria! Meu pensamento teria sido um "Sopro" que recebi? Gosto de pensar que foi. Deus é tão misericordioso, sempre atende os aflitos, de alguma forma. Meu "blues" ficou vermelho!

Para completar, um fato curioso: uma das fotos que consegui tirar no sábado, foi de um Cardeal (passarinho) que, aqui, é todo vermelho. Que amor! Há algum tempo, estava tentando. Na nossa casa, era muito mais fácil, os passarinhos eram acostumados com a gente. Pudera, nós os alimentávamos. Eles pousavam e posavam para nós.

Então, quero deixar esta mensagem para quem, por vezes, sente um vazio imenso no coração. Imagine que seja um convite, um chamado para deixá-lo ser habitado pelo Espírito Santo. Ele vem nos incendiar de Amor!

"Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado. E renovareis a face da terra."

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A origem e o sentido cristão da festa de Pentecostes

Pentecostes individual

Pentecostes

Maria e o Espírito Santo

O que é a Crisma

Os dons do Espírito Santo

A importância da Ascensão de Cristo


quinta-feira, abril 09, 2026

Unconditionally

 

To the skies

May I praise God to the skies

In joy and in sorrow

With laughs and cries

Today and tomorrow

Because He loves me

Unconditionally

May I love Him there

As high as Heaven can be

And inside me, somewhere

Though my eyes cannot see

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I wrote the poem/prayer above on my Easter card this year. Then, I read it again and I stopped on the word "unconditionally", asking myself if it was correct to say God's love is unconditional. Yes, it is, but I was thinking about it.

First of all, I have considered that we have some established conditions for having a good relationship with God, like the Commandments, for example. But they were given because of our wrong way of thinking. We think the opposite way. As a consequence of sin — absence of love — introduced in our thoughts (original sin), we behave wrongly, without love for God and for each other. Commandments were given for us to understand how love should be practised in our world. We are created to love God and each other. Jesus said:

— “You shall love the Lord your God with all your heart and with all your soul and with all your mind. This is the great and first commandment. And the second is like it: You shall love your neighbour as yourself." (Matthew 22:37-39)

— "Love each other. Just as I have loved you, you should love each other." (John 13:34).

The heart of the matter is that absence of love is about rejecting God, which we call sin. We are the ones who are distancing ourselves from God when we commit sins. God's love for us is still present despite our sinfulness.

Sometimes, we don't know what we are doing. Jesus said, “Father, forgive them, for they do not know what they are doing." (Luke 23:24) This sentence is for all of us, not only for the executioners of Calvary.

When we know something is wrong and we do it anyway, we need to repent in order to draw closer to God again. We have the fragility to commit sins, but also the divine grace of the time for repentance. Oh, how loving is the Sacrament of Reconciliation given to us in this time!

When we insist on rejecting God, then it is our decision to distance ourselves from Him; He created us with the capacity for free will.


sexta-feira, abril 03, 2026

Quaresma - Confissões

 

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Tenho me confessado pelo menos uma vez por ano. Aqui, há somente duas temporadas em que a Igreja estabelece horários para o Sacramento do Perdão: Quaresma e Advento. Para confessar fora desses períodos, é preciso pedir ao padre, se ele estiver disponível antes ou depois de alguma missa.

No ano passado, participei da confissão comunitária com absolvição individual, uma modalidade que eu não conhecia. Após orações em conjunto, cada um vai ao padre só para pedir perdão, sem precisar desfiar toda a lista de pecados, e recebe a absolvição.

Dessa vez, fui enfrentar a confissão individual. Sim, enfrentar, pois é sempre um desafio de humildade e fé. Pedir perdão a Deus é algo de suma importância para nós, imprescindível. É um momento muito grave e sério. Mas tem lá o seu lado cômico, quando se trata de confissão individual. Não devido ao fato de nos confessarmos, mas pela maneira como os padres nos recebem.

Apesar de sabermos, racionalmente, que é com Cristo que vamos falar, que é Ele, sendo Deus, que nos perdoa, penso que temos dificuldade em vê-LO através do padre que está ali e isto nos traz um sentimento desconfortável. Por isso, acho engraçado ver todos ali na fila, saber que estamos sentindo a mesma coisa, todos compenetrados, tensos, como crianças sabendo que fizeram algo errado. E somos "crianças" de Deus mesmo, Ele nos acolhe em sua infinita Misericórdia.

Mas o lugar e o modo como os padres nos atendem, muitas vezes, não ajudam em nada. Eu preferia aqueles confessionários tradicionais, em madeira, o padre entrava pela frente, por uma portinha, e lá ficava, do lado de dentro, no escuro. Nós, os penitentes, ajoelhávamo-nos num genuflexório lateral integrado, com saliências laterais e um pequeno teto; ficávamos também no escuro e escondidos. Mal nos víamos, através de uma treliça, apenas vultos dos dois lados. Dava para perceber que o padre aproximava a orelha da treliça para ouvir melhor o cochicho. Daí essa confissão ser chamada de auricular. :-) Conforme a demora da conversa, ao sairmos da toca, a iluminação da igreja até parecia mais intensa, devido a pupilas dilatadas, se não pela escuridão, pela adrenalina liberada, com o stress. :-)

Hoje, isso tornou-se raro, pelo menos por essas bandas de cá. Há ainda confessionários, lindas peças de madeira que não passam de objeto decorativo.

Cheguei à Catedral na hora marcada para começarem as confissões. Já havia quatro pessoas na fila próxima a um confessionário maior, no fundo da igreja. Fiz a pergunta que quase todos fazem, já sabendo a resposta; perguntei, ao que estava na extremidade, se era fila para confessar. Para que outra finalidade seria aquela fila? :-) Daí a pouco, chegam dois padres, um paramentado e o outro com livrinhos que foi distribuindo sobre aquelas mesinhas de entrada de igreja. A esta altura, a fila já tinha triplicado.

O padre que estava paramentado abriu a porta do confessionário e acendeu a luz. Para meu espanto, descortinou-se o interior da peça, com iluminação feérica; uma saleta, com uma cadeira em frente a outra e uma mesinha ao fundo. Assim era o ambiente destinado ao tête-à-tête sacramental. O jeito era enfrentar aquela epifania.

O segundo padre ressurgiu, agora paramentado, vindo das lonjuras da sacristia, e se pôs disponível para também dar confissão, sentado alguns bancos à frente do confessionário, oferecendo um encontro não tão resplandecente, mas às claras.

Difícil saber qual situação seria menos constrangedora. Entreguei para Deus, o que me couber será. Quando chegou a minha vez, a vaga era com o segundo padre. Ele fez sinal para que eu fosse ao seu encontro e me disse para esperar um pouco, pois ia pedir para colocarem música ambiente na igreja, para diminuir a chance de ouvirem as confissões. Não sei por que ele não escolheu outro dos tantos confessionários que há na Catedral... Paciência.

Após terminar de me confessar e receber a absolvição, fui sentar-me em um banco do outro lado, bem longe, para rezar um pouco. Pude ver que muitos que chegavam depois, em vez de entrarem na fila única, estavam se aproximando do padre do banco. Ele mandou todo mundo voltar para a fila, gesticulando peremptoriamente, com braços que pareciam mais longos do que se poderia imaginar. Os infratores voltaram para trás quase correndo. :-)

Apesar de a igreja estar vazia, com música suave, aquela movimentação tirou minha concentração para rezar. Resolvi ir embora, uma boa caminhada num belo dia de primavera. Mesmo se estivesse nevando, era Primavera para mim.

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Confissões

Confissões II


quarta-feira, abril 01, 2026

Onisciência

 


A propósito da Semana Santa, eu estava lendo um texto que fala sobre a traição de Judas. Nele, o autor menciona certas interpretações errôneas, de que Judas estivesse predestinado, como que obrigado a fazer aquilo. Essa interpretação errada vem da incompreensão do que significam as profecias, incluindo a de Jesus, momentos antes da traição.

Ou melhor, vem do desconhecimento do que é a onisciência divina.

É muito difícil de compreender o que é onisciência, pois somos incapazes de experimentá-la, mas há um jeito de fazer um exercício de imaginação, embora de modo muito rudimentar, pois só temos uma vaguíssima ideia, ninguém sabe realmente como é. Lembrei-me do que eu mesma escrevi, certa vez.

Vocês se lembram das fitas antigas de filme, com aqueles quadradinhos mostrando cada movimento, quadro a quadro? Olhando contra a luz, podíamos ver várias sequências, ir passando a fita, seguindo com o olhar e ver o filme todo.

Deus vê, ou melhor, conhece a fita de todo o universo, de todos os tempos, passado, presente e futuro, como se olhasse tudo de uma vezada só, sempre. Como se, para Ele, este movimento todo estivesse estático, num ínfimo instante. O "olhar" dEle abrange tudo, ao mesmo tempo. Não existe antes e depois, como para nós, que percebemos tudo de modo confuso.

Jesus sabia que Judas iria querer traí-lo e que realmente o faria.

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Cambalhota - Parte I


quinta-feira, fevereiro 19, 2026

Purgatoire, nostalgie du futur

 

Português

English

D'après ce que j'ai lu d'auteurs spécialistes du sujet, j'ai compris que même si nous nous repentons, confessons nos péchés et sommes pardonnés lors de la confession, beaucoup d'entre nous doivent passer par le purgatoire… un processus de purification qui peut commencer ici-bas, par la recherche de la sainteté et par la pénitence.

Il ne s'agit pas de payer pour le péché, cela est déjà fait par le Salut en Jésus ; il s'agit de reconnaître l'ampleur de notre misère, qui ne rend pas justice à l'amour miséricordieux infini de Dieu, ou, comme le dit le père Paulo Ricardo, il s'agit d'accueillir ce Salut, par la foi et les œuvres de charité, les œuvres de rejet du monde, les œuvres de lutte contre le péché, les œuvres d'une vie ascétique. La purification n'est pas sans souffrance. Nous devons louer Dieu pour le Salut qu'il nous a offert et agir pour l'accueillir, tout en reconnaissant notre propension au péché. Cette reconnaissance et l'effort douloureux pour nous corriger finissent par nous apporter une joie indicible, souvent accompagnée de consolation et de progrès dans la foi et la sainteté.

Autrement dit, on peut aussi dire que le purgatoire consiste à se savoir indigne d'un si grand Amour divin, à éprouver une sorte de douleur à l'idée de se savoir indigne, car nous commettons des erreurs sans cesse, malgré l'immense gratitude pour le Salut et l'espoir de rejoindre Dieu.

C’est lorsque la nostalgie se tourne vers l’avenir, dans les limites de notre compréhension, lorsqu’elle évoque une joie à venir, la nostalgie du bonheur éternel. Et, paradoxalement, ce sentiment a déjà un avant-goût de joie.

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domingo, janeiro 11, 2026

Purgatório, saudade do futuro

 


Pelo que andei lendo de autores entendidos, compreendi que, mesmo que nos arrependamos, nos confessemos e que sejamos perdoados na Confissão, é preciso, para muitos de nós, passar pelo purgatório... um processo de purificação que pode começar já aqui na Terra, pela busca da santidade e pela penitência.

Não se trata de pagar pelo pecado, isso já está feito pela Salvação por Jesus; trata-se de reconhecer o tamanho da nossa miséria, que não retribui ao Amor misericordioso infinito de Deus, ou seja, como diz o Pe. Paulo Ricardo, trata-se de acolher esta Salvação, pela fé e pelas obras da Caridade, as obras de rejeitar o mundo, as obras de lutar contra o pecado, as obras de uma vida ascética. A purificação não se faz sem sofrimento. É preciso louvar a Deus, por nos ter dado a Salvação, e agir para assumi-la, apesar de reconhecermos a nossa tendência para pecar. Este reconhecimento e o esforço penoso para nos corrigirmos acabam por nos dar uma alegria indizível, muitas vezes com consolações e a progressão na fé e na santidade.

Em outras palavras, também pode-se dizer que o purgatório é um saber-se indigno de tamanho Amor divino, sentindo uma espécie de dor por saber-se não merecedor, incorrendo sempre em erros, apesar de estar grandemente agradecido pela Salvação e com esperança de juntar-se a Deus.

É quando a saudade diz respeito ao tempo futuro, nos limites da nossa compreensão, quando se refere a uma alegria que virá, a saudade da felicidade eterna. E, paradoxalmente, esse sentimento já tem um gostinho de alegria.

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Links relacionados:

O purgatório

Tratado sobre o Purgatório