
Creio que, escandalizadas com as notícias sobre livros completamente criados por IA, muitas pessoas que gostam de escrever estão temerosas que seus textos sejam assim "diagnosticados", com o "mal da IA".
Existem programas, tidos como altamente eficazes e confiáveis, que analisam textos e dizem se foram escritos por humanos ou por IA, dando até a porcentagem de participação de um e de outro na obra.
O escândalo do livro "diagnosticado" como inteiramente criado por IA, um verdadeiro tsunami que invadiu o mundo literário francófono, ocorreu no mês de setembro. O "autor" de "C'était ça ou mourir", um canado-haitiano, ganhou prêmios prestigiosos com sua obra e era favorito na lista do Goncourt, na França, quando foi descoberta a autoria da IA e, em seguida, após vasculharem sua produção, descobriram também plágios completos em artigos escritos para jornais. Em consequência disso, o livro foi cancelado e sua reputação, como autor, completamente desacreditada. O livro, porém, subiu como um foguete nas vendas.
Tenho pequenos livros publicados por minha própria conta, há mais de uma década, portanto livres dessa suspeita. Mas continuo escrevendo e pretendo, talvez um dia, publicar uma coletânea de algumas crônicas e alguns poemas já registrados em meu "blogspot", desde os idos de 2010, além de outros avulsos, arquivados em minhas pastas.
Minha preocupação vem do fato de usar corretores ortográficos e gramaticais gratuitos online, assim como tradutores gratuitos disponíveis na Internet. Muitas vezes, meu original é em português, mas, também, em francês ou em inglês. E uso esses tradutores gratuitos, para me ajudar a escrever o mesmo assunto nas três línguas. De qualquer forma, após ter trechos traduzidos com a assistência desse método, eu própria "corrijo" de maneira a expressar meu pensamento do meu jeito. Espero que isso não seja interpretado como uma criação de IA, porque não é. Uai ! (Vem a calhar, nossa interjeição mineira, uai, parece até uma sigla: não tenho conhecimentos nesta área: "Unknown...")
Nem sequer sei como seria a criação de um livro por IA, como estão falando que o tal escritor fez. Espero que meu uso de corretores e tradutores não seja mal interpretado. Uso-os há anos, muito antes de se falar em IA.
Há, ainda, outra coisa que me preocupa. O fato de, às vezes, usar palavras em francês ou em inglês, que têm as mesmas raízes em português, mas que não são as mais usadas naquelas línguas. Quando fiz meus cursos de inglês e de francês, os professores diziam, e é verdade, que temos tendência a usar palavras parecidas com as da nossa língua materna, mas que soam estranhas no uso corrente dos outros idiomas; e vice-versa. É preciso ter cautela para não passarmos por pedantes, usando palavras que não são comuns e, nos dias de hoje, para não sermos acusados de usar IA!
Não vou parar de escrever por causa disso, certamente que não. E, de qualquer forma, minha produção é importante só para mim mesma.
Por falar no meu "blogspot", ele completará 16 anos no próximo 15 de outubro!