segunda-feira, dezembro 22, 2025

São José, o menor e o maior

 

No evangelho do terceiro domingo do Advento, São José é citado indiretamente por Jesus, segundo a conclusão de grandes doutores da Igreja, quando Ele diz: "Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior que João o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele." O menor, São José, é maior (ver Links relacionados ao final do texto).

No evangelho do quarto domingo do Advento, ao saber que Maria estava grávida, sem que tivessem consumado o casamento, José pensa em deixar Maria, discretamente. Mas um Anjo do Senhor lhe diz em sonho que ela concebera por ação do Espírito Santo. E explica a ele o significado daquilo tudo. Certamente, não foi um simples sonho, a mensagem do Anjo teve o poder do Amor de Deus e, sendo José um homem justo, ele aceitou a missão que lhe foi dada. E a cumpriu com humildade, força e determinação de alguém que estava mesmo muito perto de Deus, pois vimos como ele agiu em defesa da Sagrada Família, enquanto Jesus crescia.

Viva São José!

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"Jesus, Maria, José, meu coração vosso é."

"Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a Piedade divina, sempre me rege, me guarda, me governa, me ilumina. Amém."

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Links relacionados:

São José

Lendo e aprendendo

São José, o maior de todos os santos

José ou João Batista: quem foi o maior, afinal?


São João Batista não duvidou

Église de Saint-Jean-Baptiste
à Notre-Dame-des-Neiges, QC
Canada

 O Evangelho do 3° domingo do Advento nos lembra que São João Batista, já estando preso, enviou discípulos a Jesus para perguntar-lhe se Ele era o Messias ou se deviam esperar por outro.

E João, ouvindo no cárcere falar dos feitos de Cristo, enviou dois dos seus discípulos,

A dizer-lhe: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?

E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes:

Os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho.

E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar em mim.

E, partindo eles, começou Jesus a dizer às multidões, a respeito de João: Que fostes ver no deserto? Uma cana agitada pelo vento?

Sim, que fostes ver? Um homem ricamente vestido? Os que trajam ricamente estão nas casas dos reis.

Mas, então que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, e muito mais do que profeta;

Porque é este de quem está escrito: Eis que diante da tua face envio o meu anjo, que preparará diante de ti o teu caminho.

Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele.

Mateus 11:2-11

À primeira vista, parece que São João Batista duvidou. Mas São João Crisóstomo nos explica esta passagem, usando a lógica, não há como contestar. Vejamos o texto com o qual o Padre Angelo responde a uma fiel:

1. Trago-te o comentário de São João Crisóstomo, que é um dos quatro grandes Padres da Igreja do Oriente.

Este comentário era muito estimado por São Tomás.

Como tu mesma observas, certamente São João conhecia Jesus.

Independentemente do fato de serem primos (eles tinham tido dois caminhos totalmente diferentes até então), João tinha sido avisado de cima sobre a identidade de Cristo.

Ele mesmo diz: “Eu não o conhecia, mas aquele que me mandou batizar em água disse-me: Sobre quem vires descer e repousar o Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo” (Jo 1,33).

2. Mas eis o que disse Crisóstomo:

Ele O conhecia antes que fizesse milagres. Ele o havia sabido através do Espírito, havia ouvido do Pai.

Ele o tinha proclamado diante de todos, como é que agora por sua própria vontade ele envia pessoas para perguntar se Ele era ou não o Cristo?”.

Voltando-se ao Batista, Crisóstomo pergunta: “Não disseste tu: Eu não sou digno de lhe desatar a correia do calçado. Não disseste tu: Eu não o conhecia, mas aquele que me mandou batizar em água disse-me: Sobre quem vires descer e repousar o Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo?

Não viste o Espírito na forma de uma pomba? Não ouviste aquela voz?

Não tentaste atrapalhar dizendo: Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim?

Não disseste aos discípulos: Importa que ele cresça e que eu diminua?

Não ensinaste a todos que Ele os batizaria no Espírito Santo e no fogo e que Ele é o Cordeiro de Deus que toma sobre si o pecado do mundo?

Não havias proclamado tudo isso antes dos milagres e das maravilhas?

Por que, então, agora que Ele se manifestou a todos, Sua fama se espalhou por toda parte, os mortos foram ressuscitados, os demônios expulsos e houve provas de milagres tão grandes, envias, por tua própria iniciativa, pessoas a se informar? O que aconteceu? Todas essas palavras foram engano, falsidade, fábulas?

Mas que pessoa sensata poderia dizer isso? Não digo João, que estremeceu no ventre de sua mãe, que o proclamou antes de nascer, que era um cidadão do deserto, que exibia um sistema angélico de vida; mas nem mesmo nenhuma das multidões, entre aqueles muito desprezados, poderia duvidar depois de tantos testemunhos, tanto dele como de outros”.

3. E continua: “Daí é evidente que nem mesmo ele (o Batista) enviou os discípulos porque duvidava, nem fez essa pergunta porque ignorava.

Também não se poderia dizer que ele sabia claramente, mas tinha se tornado mais temeroso por causa da prisão; ele não esperava ser libertado e nem, se o tivesse esperado, teria traído sua piedade religiosa, ele que estava pronto para morrer. Pois, de fato, se ele não estivesse preparado para isso, não teria mostrado tanta coragem diante de todo o povo, que tinha se comprometido a derramar o sangue dos profetas, nem teria desafiado, com tanta franqueza, aquele tirano cruel no meio da cidade e da praça, repreendendo-o duramente como uma criancinha, enquanto todos o escutavam.

E se ele tivesse se tornado mais temeroso, porque não tinha vergonha de seus discípulos, diante dos quais ele havia dado um testemunho tão grande, mas abordado sua pergunta através deles, ao passo que deveria tê-lo feito através de outros?

Certamente ele sabia claramente que eles tinham inveja dele e desejava encontrar um pretexto contra ele. (…)

Qual é então a sua intenção?

É evidente pelo que foi dito que o questionamento dessas coisas não dizia respeito a João, mas também a nenhuma pessoa, por mais tola e insensata que fosse. A solução da questão deve agora ser apresentada. Por que então ele os enviou para questionar?

Os discípulos de João se opunham a Jesus; isso é evidente para todos que eram sempre invejosos dele. Está claro pelo que disseram ao seu mestre: Aquele que estava convosco do outro lado do Jordão e a quem dás testemunho, eis que ele batiza, e todos vêm até ele; e ainda: surgiu uma discussão entre os discípulos de João e os judeus a respeito da purificação. E mais, eles vieram até ele e disseram: Por que nós e os fariseus jejuamos muito, mas os teus discípulos não jejuam?

4. Eles ainda não sabiam que era Cristo, mas, imaginando que Jesus era um mero homem e João mais do que um homem, ficaram angustiados ao ver que o primeiro gozava de uma grande reputação, enquanto o segundo nem tanto, como ele havia dito. Isso os impediu de se aproximar de Cristo, pois a inveja lhes impedia o acesso a Ele.

Enquanto João estava com eles, exortava-os e os instruía continuamente e, mesmo assim, não os convencia; mas porque estava prestes a morrer, aumentava seus esforços, porque temia que pudesse dar origem a uma opinião perversa, e que eles permanecessem separados de Cristo.

Se esforçava desde o início para levar todos os seus discípulos até Ele, mas como não conseguia convencê-los, aumentou seus esforços quando estava prestes a morrer.

Se ele tivesse dito: “Vão até Ele; Ele é melhor do que eu”, não os teria persuadido, pois eles dificilmente teriam se separado dele, mas teriam pensado que ele falava assim por modéstia e teriam se apegado ainda mais a ele. Por outro lado, se tivesse ficado em silêncio, nenhuma vantagem teria surgido disso.

O que ele faz então? Espera ouvir deles que fazia maravilhas e nem mesmo nesse caso faz exortações a eles, nem envia todos, mas apenas dois que ele talvez soubesse que eram mais dóceis que os outros, que a pergunta poderia não parecesse suspeita, para que eles aprendessem com os fatos a diferença entre Jesus e ele, e então diz: “Vão e perguntem: Sois vós aquele que deve vir, ou devemos esperar por outro?”

5. Cristo, conhecendo a intenção de João, não disse: “Sou eu”, pois novamente isso teria perturbado seus ouvintes, embora fosse lógico dizê-lo, mas deixa que eles aprendam com os fatos. Quando se aproximaram Dele, curou muitos.

Certamente havia alguma conexão entre o fato de não responder nada à pergunta: “Sois vós?” e a cura imediata dos doentes, se não tivesse a intenção de indicar o que eu disse?

De fato, consideravam que o testemunho resultante dos atos era mais credível e menos suspeito do que aquele proveniente das palavras.

Sabendo, portanto, já que era Deus, da intenção com que João os havia enviado, Ele imediatamente curou cegos, aleijados e muitos outros, para não ensiná-lo – e como ele poderia, uma vez que estava convencido disso? – mas para aqueles que duvidavam e depois de tê-los curado, disse: Ide e contai a João o que ouvistes e o que vistes: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres … Bem-aventurado aquele para quem eu não for ocasião de queda!, mostrando conhecer os segredos de suas mentes.

Se Ele tivesse dito:Sou eu, isso os teria chocado, como já disse antes e eles teriam pensado, mesmo sem dizer, o que os judeus Lhe diziam: “Tu dás testemunho de ti mesmo“.

Portanto, não se expressa nesses termos, mas faz com que aprendam tudo dos prodígios, tornando seu ensinamento insuspeito e mais claro” (Homilia 36, 1-2).

Agradeço por ter me dado a oportunidade de citar uma página do Crisóstomo para mostrar quão profunda e persuasiva é a análise dos Santos Padres sobre as Sagradas Escrituras.

Desejo-te tudo de bom, lembro-te ao Senhor e te abençoo.

Padre Angelo

Eu acrescentaria: se São João Batista estava duvidando de Jesus, iria enviar seus discípulos para fazer a pergunta justamente ao "impostor"? Não, ele não duvidou.

Ambos os textos estão abaixo, nos links relacionados.

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Links relacionados:

Mateus 11:2-11

São João Crisóstomo responde 


sexta-feira, novembro 07, 2025

Corredentora e Medianeira de todas as graças

 

Sobre a polêmica gerada pelo documento (nota doutrinal) publicado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, "Mater Populi Fidelis", que impugna os títulos de Nossa Senhora como "corredentora" e como "medianeira de todas as graças", segue abaixo o meu pensamento.

Penso que, talvez, o que tenha suscitado, intuitivamente (inspiradamente?), o uso do termo CORREDENTORA por muitos Papas e santos, foi o fato de N. Sa. ter concordado em ceder sua própria carne para formar a carne do corpo de Jesus, filho do Altíssimo. O corpo de Jesus que morreu para nos redimir (e que a redimiu antes de todos - "extra tempus") é carne da carne dela. E ela não abandonou o seu papel nunca.

Ela não está no mesmo patamar de Jesus, claro, é Ele que nos redime, mas o termo corredentora talvez seja correto, como sempre foi dito, pois ela teve papel fundamental para a Redenção, papel este que lhe foi outorgado pelo próprio Deus e que ela aceitou. Quem somos nós para dispensar este "instrumento" preciosíssimo!

A "colaboração" dela não é como a de NENHUM outro santo. Nem como mera "discípula", como diz o documento. É muitíssimo maior. É ela que, obediente a Deus, entrega a natureza humana a Jesus, com a missão de nos redimir. Nada se compara!!!

Quanto à expressão "Medianeira de todas as graças", temos no Catecismo que é certo dizer Medianeira. De todas as graças... o Padre Paulo Ricardo nos explica magistralmente no vídeo+texto que anexei, abaixo, em "Links relacionados". Excelente! Obrigada, padre, por nos instruir.

O Padre Paulo Ricardo publicou estes vídeo + texto no dia 10 de outubro de 2025, para o dia da nossa padroeira do Brasil. Lindíssima homilia!!!

Parece que ele estava adivinhando o que ia ser publicado, pelo Vaticano, sobre Nossa Senhora, em 4 de novembro.

Ele podia ter falado sobre a história da imagem de Aparecida, mas não, ele falou exatamente dos dois títulos em questão, que foram considerados inadequados na nota doutrinal "Mater Populi fidelis". Vale muito a pena assistir ao vídeo ou ler o texto, ambos no link abaixo, que mencionei.

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Diga-se de passagem, é muito difícil ter alguém que saiba mais Teologia do que o Padre Paulo Ricardo.

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Links relacionados:

Corredentora e Medianeira de todas as graças (Pe. Paulo Ricardo)

Mater Populi fidelis (nota doutrinal do Dicastério para a Doutrina da Fé)

Homilia Padre Paulo Ricardo, 9 de novembro 2025


segunda-feira, outubro 13, 2025

Ação de Graças

Esta mão não é minha

Como diz o Pe. Paulo Ricardo (link ao final):

"Uma série de acontecimentos, assim, extraordinários, que não têm nada de milagroso, enquanto tal, mas que têm de providencial, ou seja, de ação divina; porque, que uma pedra caia num lugar, tudo bem. Que duas pedras caiam no mesmo lugar, é uma coincidência, não é? Que três pedras caiam no mesmo lugar... Cara, o negócio aqui tá fenomenal! Mas que, de repente, uma série de acontecimentos, todos no mesmo ano, apontem na mesma direção, ali tem uma inteligência. Ali tem alguém que está dirigindo aqueles acontecimentos."

Quando ouço ou leio depoimentos como este, sinto um certo alívio por pensar da mesma maneira. Algumas pessoas próximas a mim, apesar de estarem bem longe geograficamente, também compartilham ideias e experiências vividas.

Ah! Tantas "coincidências fenomenais"! São respostas sobrenaturais dentro dos limites do ambiente natural, são Providência Divina. Por que mereci? A Misericórdia de Deus acode o miserável que confia nela, e eu confio. Miseráveis, somos todos nós; ter consciência disso não é um caminho fácil. Dar glória a Deus é a nossa Alegria. Não estamos sós. Ele está conosco!

Hoje, no dia de Ação de Graças aqui do Canadá, agradeço a Deus, mais uma vez, pelas Graças recebidas, com a doçura de Nossa Senhora, com a força silenciosa, mas decidida de São José, com a companhia iluminada e protetora do meu Anjo da Guarda, que só falta falar comigo... ele escreve! :-) Agradeço por ter gente da família e amigos em quem confiar e que confiam em mim.

Sempre que me sentir sozinha, tenho que me lembrar disso tudo e prosseguir rezando, incansavelmente.

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Jesus, Maria, José, meu coração vosso é.

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós.

Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarda, me governa e me ilumina. Amém.

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Links relacionados:

Entrevista com o Pe. Paulo Ricardo

No coração de BH

Religião

Corações ao alto


quinta-feira, outubro 09, 2025

At dawn

 (a personal anecdote)

Français

Português

Before going to sleep, in the night from 6 to 7 October, I opened a little bit of my bedroom window's curtain to be awakened softly by the daylight in the early morning. Indeed, I woke up at dawn despite the darkness in the bedroom. The Sun is rising at about 7 a.m. these days, and it was still 5:50 a.m.

There was a faint light curiously making bright only what was on my bedroom dresser, my religious statues. They looked like having their own light, as phosphorescent objects in the darkness. For a while I was surprised, but not startled; I was softly and sweetly amazed.

But as a sceptical, healthy person, I looked for a plausible interpretation and I quickly found the reason for that "phenomenon." I immediately remembered the curtain I had left open and noticed a subtle white beam of light coming from the window towards the dresser. That explained it.

Anyway, regardless of my logical reasoning, regardless of the naked truth of the facts, I was enchanted by what I was seeing. The silhouettes of the Blessed Virgin, the representative of my Guardian Angel, my nativity scene... they were there, clearly visible and defined. Heaven was with me, and my heart overflowed with love. Thanks, amen.

quarta-feira, outubro 08, 2025

Ao alvorecer

 (um fato curioso)

Français

English

Antes de ir-me deitar, na noite de 6 a 7 de outubro, abri um pouquinho a cortina da janela do meu quarto, para que a luz do dia me acordasse suavemente, de manhãzinha. E, de fato, acordei ao alvorecer, apesar da escuridão do quarto. O Sol nasce por volta das 7 horas, por esses dias, e ainda eram 5:50.

Havia uma tênue claridade que, curiosamente, iluminava somente o que estava sobre a minha cômoda, as minhas imagens religiosas. Elas pareciam ter luz própria, como os objetos fosforescentes brancos na escuridão. Por alguns instantes, fiquei surpresa, mas sem sobressalto, eu estava suave e agradavelmente maravilhada.

Mas como sou saudavelmente cética, procurei uma explicação plausível e rapidamente encontrei a razão do "fenômeno". Lembrei-me, imediatamente, da cortina que eu havia deixado entreaberta e notei um delicado facho branco de luz vindo da janela, passando sobre meu computador, em direção à cômoda. Estava explicado.

De qualquer modo, pouco importa meu raciocínio lógico, pouco importa a verdade nua e crua dos fatos, eu estava encantada com o que estava vendo. As silhuetas da Virgem Santíssima, do representante do meu Anjo da Guarda, do meu presepinho... elas estavam ali, bem visíveis e claramente definidas. O Céu estava comigo e meu coração transbordava de amor. Obrigada, amém.

terça-feira, outubro 07, 2025

À l'aube

 (l’anecdote du jour)

Português

English

Avant de me coucher, la nuit du 6 au 7 octobre, j'ai ouvert un petit peu le rideau de ma chambre, pour que la lumière du jour me réveille doucement, le matin. Et, effectivement, je me suis réveillée à l'aube, malgré la noirceur de la chambre. Le Soleil se lève à peu près à 7 heures, ces temps-ci, et il était encore 5:50.

Il y avait une faible lueur qui, curieusement, éclairait seulement ce qui était sur ma petite commode, mes statues religieuses. Elles semblaient allumées de leurs propres lumières, comme les objets phosphorescents blancs dans la noirceur. Par quelques instants, ça m'a étonnée, mais sans sursaut, j'étais émerveillée, paisiblement.

Mais comme je suis une sceptique saine, j'ai cherché une explication plausible et j'ai vite trouvé la raison du « phénomène ». Je me suis rappelée tout de suite du rideau que j'avais laissé un petit peu ouvert et j'ai remarqué un délicat faisceau blanc en provenance de la fenêtre, en passant sur mon ordinateur, en direction de ma commode. Bon, c'était expliqué.

En tout cas, peu importe mon raisonnement logique, peu importe la vérité toute crue des faits, j'étais enchantée de ce que je voyais. Les silhouettes de la Sainte Vierge, du représentant de mon Ange Gardien, de ma mini-crèche... elles étaient là, bien visibles et clairement définies. Le Ciel était avec moi et mon cœur débordait d'amour. Merci, amen.

terça-feira, setembro 09, 2025

Ar do Brasil

 

Fazendo uma arrumação, para terminar o verão de casa limpinha, cheirosa, encontrei essa garrafinha graciosa, presente de minha irmã.

Ela era tão generosa, tudo dela era exagerado; mandava tudo dobrado, triplicado, um para me agradar, outros para eu presentear.

Esta eu dei para o meu sogro. Ela voltou, quando ele se mudou.

Eu me lembro que ele ficou muito intrigado com o presente. Ele me disse que o ar do Brasil estava ali, mas a tampa não abria, era um presente escondido. E se ele abrisse, o ar iria embora pelos ares daqui. Ele se divertiu com a brincadeira.

O ar do Brasil está lá dentro até hoje, atestado com letras de ouro de Minas Gerais. Desse jeito é o Brasil que é meu, com o coração de ferro e ouro das Minas que Deus deu, dentro do meu, e não sai.

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Nota: na foto, não dá para ver o dourado das letras e dos contornos dos desenhos, mas é ouro de Minas mesmo. Peça feita por artesãos.


terça-feira, agosto 26, 2025

Doce Coração de Maria

 

 

(25 de agosto de 2025)

"Les sceptiques seront confondus" - como dizia o personagem Capitaine Bonhomme, de Michel Noël. Na verdade, eu sei que os céticos não acreditam em fenômenos do tipo que abordo neste texto, porque eu já fui muito mais cética do que sou hoje, eu sei o que é isso. Mas, se meu depoimento puder confundi-los um pouco, já terá sido bom. Sempre tenho este ímpeto de partilhar, para que outras pessoas sintam o bem que faz ter fé, crer. Penso que isso de querer que outros acreditem é outro sinal de que estes fenômenos vêm do Alto, porque o que seria mais compatível com meu perfil psicológico seria não contar para ninguém, para não ser desacreditada, para não me sentir vexada.

Por tanto tempo privei-me das graças e consolações que, por meio de Nossa Senhora, podemos receber. Quantas vezes, furtei-me a pronunciar louvores a Ela, esquivando-me de chamá-la de Santíssima Virgem, Maria Imaculada, Mãezinha do Céu... De que inefável prazer me desamparei!

O primeiro coração — no meu caminho — que mostrei na foto do texto anterior (No coração de BH) foi quando fui visitar minha mãe, em 2013. Ela estava muito doente, já com quase 97 anos, temíamos que morresse.

Depois daquele de 2013, o próximo coração que me "apareceu" foi em maio de 2015, às vésperas de eu ir de novo visitar minha mãe, que estava muito mal, novamente. Estive lá em junho. Eu não me lembrava mais do "coração de BH". Mas ele estava batendo na minha "porta".

Desde o início de 2015, eu tinha passado a rezar como nunca rezei na minha vida. Este coração de maio, uma gota de água em perfeita forma de coração, impactou-me, foi como uma resposta às minhas orações (que não vem ao caso aqui esmiuçar). E no mês de Maria, por sinal... um sinal, sim, nossa mãezinha do Céu me consolando, mostrando sua doce Presença Materna; isso eu senti, não foi um pensamento, fui induzida a sentir a presença dEla.

Em 2020, renovei minha Consagração a Nossa Senhora e, todo ano, desde então.

Só hoje liguei os pontinhos... foi quando eu estava com medo de perder a minha mãe, nas duas vezes em que vi os primeiros corações. Foi Ela, Nossa Senhora, que quis me amparar, pois eu estava realmente me sentindo desamparada. E, daí em diante, não pararam mais de aparecer corações no meu caminho, no meu dia-a-dia, em todo tipo de material, em tudo! São tantos, já perdi a conta. Sempre que os vejo, meu coração é tomado por uma doçura indizível, com um forte sentimento de que vem de Maria.

Imediatamente antes da internação do Léo, no período em que ele esteve no hospital e após sua morte, houve uma intensificação impressionante dessa doce Presença Materna muitas consolações.

Preciso registrar esses dados, isso é importantíssimo para mim. Tenho que me lembrar sempre, agradecer, com estupefação, e mesmo uma certa expectativa... de quê, não sei.

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Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós.

Jesus, Maria, José, meu coração vosso é.

Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarda, me governa, me ilumina. Amém.

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Links relacionados:

Corações ao alto

No coração de BH

Consagração a Nossa Senhora



segunda-feira, agosto 18, 2025

No coração de BH

 

Por acaso, para as pedras, tenho uma foto de um passeio com revestimento em "pedra portuguesa", em BH, lá perto da casa dos meus pais. Foi em 28 de fevereiro de 2013, eu tinha ido visitar minha mãe (), que estava doente.

Nas minhas caminhadas, passei por aí. Este passeio era onde existia uma agência da Minas Caixa — ou Caixa Econômica Federal? Não me lembro mais. Na Rua Aimorés, quase esquina com Grão-Pará e Getúlio Vargas. Se eu disser que é quase na Praça Esperanto, ninguém, hoje em dia, vai saber.

A praça é na confluência de Avenida do Contorno, com Avenida Getúlio Vargas, com Rua do Ouro, com Rua Aimorés, com Grão-Pará, com Pouso Alto... sim, quase todos os caminhos passam ali.

Tinha a Padaria São José, a Eureka, a Villa Rizza, a "casa da aranha"; tinha o Juiz Moacir Pimenta Brant e sua família, o Professor Antônio Augusto de Mello Cançado e sua esposa, Dona Glória, tão bonita e simpática.

Mas não sei se a praça ainda é praça, nem se ainda tem esse nome. Mas a esperança nos jovens continua.

Lembrando das palavras do Papa João Paulo II quando esteve em Belo Horizonte:

"Eis aqui um Belo Horizonte, um Belo Horizonte do futuro".

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Links relacionados:

Homilia do Papa São João Paulo II em BH, em áudio

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P.S.: O coração da foto foi o primeiro que me "apareceu". Tenho muito que agradecer.

"Jesus, Maria, José, meu coração vosso é."

"Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a Piedade divina, sempre me rege, me guarda, me protege, me ilumina. Amém."


sexta-feira, agosto 01, 2025

Honnêteté... Courtoisie

 

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J'ai lu une histoire à propos de quelqu'un ici, au Québec, qui a trouvé un portefeuille et l'a livré intact, avec tous les documents et l'argent qu'il contenait, à l'adresse qu'il a trouvée. Et il a été très félicité dans les commentaires, sur Facebook, pour son honnêteté.

Je me suis souvenue de ce qui est arrivé à Léo à Belo Horizonte (BH). C'était en 1998, je ne sais pas si cela arriverait aujourd'hui.

Léo et moi étions en train de faire du shopping à BH, nous sommes allés à plusieurs endroits. En arrivant à la maison, il a constaté que son passeport n'était pas dans son sac banane. Nous sommes retournés à tous les endroits où nous étions allés et c'est seulement dans le dernier, qui était le premier où on avait été, dans l'ancien « Central Shopping », que nous l'avons trouvé... ou plutôt, nous avons été trouvés.

Ce qui a dû se passer, c'est qu'à un moment donné, alors qu'il remettait son passeport dans son sac, il l'a coincé entre le sac banane et son corps, pensant qu'il le mettait à l'intérieur. Et, quand il est sorti de la voiture, dans le stationnement, le passeport est tombé. Parce qu'on nous a informé qu'il avait été retrouvé dans le stationnement.

Mais la partie drôle de l'histoire vient ensuite... :-)

Déjà découragés de retrouver le document, et déjà prêts à prévenir le Consulat canadien, nous sommes arrivés au centre commercial et avons fouillé le stationnement... rien. Nous avons décidé de parcourir tous les magasins que nous avions visités. Dans le premier, dès l'entrée, une des vendeuses a demandé à Léo si c'était lui qui avait perdu son passeport. Oh, quelle joie ! Quelqu'un l'avait trouvé dans le stationnement et l'avait apporté à l'Administration du centre commercial. Et l'Administration s'est chargée de prévenir tous les magasins, probablement avec sa photo... :-)

Après avoir récupéré le document auprès de l'Administration, nous avons décidé de magasiner encore. À chaque magasin où l'on arrivait, Léo était immédiatement reconnu - et sa belle moustache aussi, probablement... :-)... — C'est vous qui avez perdu le passeport ?

Il va sans dire que nous étions ravis de la bienveillance du centre commercial ! Et Léo était enchanté - un peu trop - du fait que les jeunes vendeuses venaient lui parler. :-)))



quinta-feira, julho 31, 2025

Honestidade... Amenidades

 

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Acabei de ler um relato sobre alguém, aqui no Québec, que achou uma carteira e entregou-a intacta, com todos os documentos e dinheiro que havia nela, no endereço que encontrou. E foi muito elogiado nos comentários do Facebook, pela honestidade.

Lembrei-me do que aconteceu com o Léo em BH. Foi em 1998, não sei se aconteceria hoje.

Léo e eu estávamos fazendo compras em BH, fomos em vários lugares. Chegando em casa, ele viu que seu passaporte não estava dentro de seu cinto-pochete. Voltamos em todos os lugares por onde tínhamos passado e só no último, que foi o primeiro onde fomos, no antigo "Central Shopping", o encontramos... ou melhor, fomos encontrados.

O que deve ter acontecido é que, em algum momento, ao recolocar o passaporte na pochete, ele o encaixou entre a pochete e o corpo, pensando que estava pondo do lado de dentro. E, ao sair do carro, no estacionamento, o passaporte caiu. Porque fomos informados de que tinha sido achado no estacionamento.

Mas o engraçado da história vem a seguir... :-)

Já desanimados de achar o documento, já nos preparando para avisar ao Consulado do Canadá, chegamos ao shopping e vasculhamos o estacionamento... nada. Resolvemos passar por todas as lojas em que tínhamos ido. Na primeira, logo ao entrar, uma das vendedoras perguntou ao Léo se era ele que tinha perdido o passaporte. Ai que alegria! Alguém tinha achado no estacionamento e levado para a Administração do shopping. E a Administração se encarregou de avisar a todas as lojas, provavelmente, com a foto dele... :-)

Depois que recuperamos o documento na Administração, resolvemos dar mais uma volta pelas lojas. Em cada loja que entrávamos, Léo era identificado de cara - e de bigode provavelmente... :-)... — Foi o senhor que perdeu o passaporte?

Não preciso dizer que ficamos encantados com a competência do shopping! E o Léo "enchanté... un peu trop" com o "assédio" das moçoilas vendedoras... :-)))




quinta-feira, julho 24, 2025

Rezar

 

Saint-Valérien-de-Milton

Muita gente se incomoda e questiona a validade das orações repetitivas. Penso que precisamos, sim, repetir as orações, para sempre manter o coração aberto à comunicação com Deus.

Rezar repetidamente, concentrados nas palavras das orações, nos permite manter o foco na fé e desviar de tantas distrações passageiras do mundo que nos distanciam da busca à santidade. As tentações são muitas e não vêm somente de fora de nós mesmos; podem vir de dentro, dos nossos próprios pensamentos e sentimentos. Em ambas as situações, as orações nos fazem voltar ao que é mais salutar para a alma e também para o corpo.

Estamos vivendo num mundo muito decadente. Aliás, o nosso mundo é decaído, mas não sei se piorou ou se, com a idade, estou com um maior cabedal de conhecimento e experiência, analisando melhor o que acontece.

Nosso planeta me lembra a velha "placa de Petri", com a qual aprendíamos a fazer culturas de bactérias e fungos, para testar antimicrobianos, nos meus tempos de estudante de Medicina. O mal prolifera por todo lado, em todos os âmbitos. Até mesmo dentro da Igreja, onde deveria haver um ambiente "asséptico", onde não proliferassem os vícios do mundo. A oração é um "antídoto" poderoso.

Rezar, rezar, rezar... As orações repetitivas são óculos para a miopia da alma. Assim como, quando olhamos para a arquitetura de uma construção, podemos não perceber todos os detalhes, num primeiro momento, e precisamos olhar de novo, muitas vezes, o que não compreendemos da primeira vez que rezamos, vai-se tornando mais claro, quando repetimos as orações. É um treino pelo qual nós vamos nos inteirando e nos aproximando do sobrenatural que está contido naquelas palavras. É uma forma de abrir nosso coração ao que sempre É, de ter um "avant-goût" do Eterno.

Perseguições a cristãos têm ocorrido em muitos lugares do mundo, em verdadeiros massacres, que não são noticiados nos grandes jornais. E, mesmo em países ocidentais onde o Catolicismo foi dominante por um grande período da História, tem-se observado uma espécie de perseguição, pela instituição de leis laicistas que promovem a ridicularização da fé, por vezes, até mesmo sua criminalização. Muitas pessoas aderem ao abandono da religião, inconscientemente ou não, para serem aceitas, para terem o sentimento de pertença a comunidades pagãs, cada vez mais numerosas, mesmo no âmbito familiar. Vão rezando cada vez menos. Há um efeito em cadeia promovendo silêncio e distanciamento da Igreja.

Ao mesmo tempo, há relatos de conversões ao Catolicismo em todo o mundo, um fenômeno surpreendente, aparentemente paradoxal, também não noticiado nos grandes jornais.

Além disso, temos um novo Papa Leão XIV — que me faz lembrar de São João Paulo II. O Papa polonês foi instrumento/protagonista de um "Domingo de Ramos" apoteótico mundial, ao longo de 26 anos do seu pontificado. Leão XIV tem somente 2 meses e alguns dias como Papa, no momento em que escrevo este texto, mas já suscita aclamações de entusiasmo, esperança e confiança, demonstrando acolhimento e a viva preocupação de um Pastor em guiar seu rebanho ao bom "Caminho".

Na nossa precária condição humana, com nossas limitações, necessitamos, e muito, de pedir graças, incluindo a fé, que é um dom; não podemos tê-la sem pedir e aceitar. É preciso rezar, sim, sempre.

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Links relacionados:

Jesus quer orações repetitivas


sexta-feira, julho 11, 2025

Il faut toujours se méfier

 

Português

Jusqu’au milieu du XXe siècle, dans les années 1950, le système téléphonique était encore très précaire, bien qu’il ait représenté un grand développement dans les communications. Dans les régions rurales du Canada et des États-Unis, il y avait des lignes partagées (party lines, shared service line).

Lorsqu'un téléphone sonnait dans la maison de quelqu'un, ceux qui partageaient la ligne entendaient un signal et savaient que ce n'était pas pour leur maison. Mais il y avait des curieux qui mettaient l'appareil à l'oreille pour écouter la conversation ; le système ne garantissait pas la confidentialité, même si un « clic » pouvait être entendu lorsque la personne curieuse décrochait l’appareil, risquant ainsi d’être réprimandée. J'ai entendu de nombreuses anecdotes de cette époque lors de réunions de famille ici.

Au Brésil, dans les années 1960, les lignes téléphoniques étaient offertes comme individuelles, à Belo Horizonte. Les connexions n'étaient pas censées être partagées avec d'autres maisons. Cependant, il arrivait assez fréquemment que nous entendions de petits bruits dans l'appareil et, lorsque nous le prenions pour vérifier, il y avait des gens qui parlaient sur une autre ligne. Bien sûr, les bonnes manières nous dictaient de raccrocher immédiatement le téléphone, pour ne pas entendre les conversations des autres, et parfois même nous leur parlions : « – Hé, on peut entendre votre conversation. » Parfois, lorsque nous étions en communication, nous entendions un clic, donnant l’impression que quelqu’un d’autre nous avait rejoints pour écouter. Il y avait toujours des curieux.

Étant plus âgée, et ayant donc connu plus d'échecs dans la communication naissante par téléphone, ma mère nous avertissait, en disant doucement, pour que la personne de l'autre côté ne l'entende pas : – « Attention aux lignes croisées » – tout en faisant un geste des deux mains, en croisant les doigts, chaque fois qu'elle pensait que nous disions quelque chose d'inapproprié ou de compromettant.

Puis la technologie s’est améliorée et les téléphones ne pouvaient être mis sur écoute que par les autorités habilitées à le faire. Mais ma mère a continué à donner des avertissements, même après que nous trouvions que le téléphone était plus fiable : – « Nunca fiando! » C'est-à-dire « il faut toujours se méfier! » C'était une autre expression qu’elle utilisait, pour plusieurs circonstances.

De nos jours, malgré l’énorme évolution de la technologie, tout peut échapper à la confidentialité, pas toujours par un mandat de justice, et encore moins pour des raisons nobles.

Ça me fait rire tout en étant fière de conclure qu'il est très difficile de contester quoi que ce soit de ce que ma mère disait... Elle avait raison de dire qu'on ne pouvait faire confiance à rien.

Pour ces raisons et d’autres, nous devons garder à l’esprit que si nous ne pouvons pas dire quelque chose au microphone pour que tout le monde l’entende, il vaut mieux ne pas le dire du tout. Bientôt, ils trouveront un moyen de lire nos pensées... et il semble qu'ils étudient déjà cette possibilité.

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Liens connexes :

Lignes partagées

Party line


sexta-feira, julho 04, 2025

La Voile au Lac Champlain

 

17 août 1999

J'ai pris cette photo pendant une tempête, mon Capitaine en action, lorsque l'on faisait de la voile au Lac Champlain. Je me trouvais dans la partie du voilier où il y a la cuisine, la salle à manger, les chambres et la salle de bain. C'est à un niveau plus bas, il faut descendre un petit escalier pour y accéder, je ne sais pas comment s'appelle cet espace.

Je m'y sentais plus en sécurité, car en haut j'avais peur de tomber à l'eau. Le bateau s'inclinait d'un côté puis de l'autre, je voyais la surface de l'eau presque comme si elle était verticale. J'étais terrifiée et c'est pour ça que je me suis réfugiée en bas. :-)

Nous étions avec un couple ami, dont le gars était aussi passionné que Léo par la voile. Les deux étaient en haut, très occupés pour nous garder tous en vie. Les deux femmes en bas, mon amie avait le mal de mer, la pauvre. Puis elle s'est allongée et s'est endormie.

Les gars aimaient leur aventure, ils étaient fiers de leurs manœuvres. Et tout a bien fini. Je me souviens que Léo avait trouvé cette tempête faible, que ce n'était rien. Il avait déjà traversé de terribles tempêtes en mer. Il aimait faire de la voile en mer, c'était sa passion. 

Une chose qui m'a marqué dans ses histoires de voile est comment il m'a décrit l’immensité noire de la nuit en haute mer, éclairée par les étoiles. Et comment il s'est ému, un jour quand il m'a montré l'étoile Polaris, celle qui est visible seulement à l’Hémisphère Nord. Dans mon imagination un peu romantique, disons, j'ai pensé que quand il la voyait au ciel, il pouvait s'orienter, ne pas s'écarter, pour retourner à la maison, même sans les instruments.

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La voile

Par les yeux d'El Capitan,

je vois la mer, les étoiles,

dans le noir vaste.

Bercée pour un moment,

je rêve à la voile,

dans le silence chaste.