sábado, março 22, 2025

For sure

 


Português

Français

"Like marriage, widowhood is for life."

Someone asked me why I almost always wore black. I hesitated to answer; the person is not Portuguese and wouldn't understand. I said I've always liked darker clothes, gray and black. It's not a lie; I've always had that preference, perhaps to contrast with the white clothes of my profession. But lately, there's another reason: widowhood. Although I don't have enough black clothes for every occasion, I like to wear them when possible.

The quote in the epigraph explains it. I read this sentence in a report on those Portuguese widows in mourning, dressed in black, for the rest of their lives [1]. It is a sentence without meandering, without metaphors, without concessions, neither permission for intrusions, and without antediluvian Freudian reveries. It is the naked truth. For me, that's how it is. "Like marriage, widowhood is for life."

The widows interviewed lost their husbands at sea: they were fishermen. Some of these women say, in a questioning tone, whether they would bear it if someone else imposed conditions on them in their daily lives—pure rhetoric, so as not to appear saccharine, they want to be tough; but I know that the reason is the irreplaceable love for their deceased husbands. Others confess the feeling that always accompanies them, with the portraits of their men, which “sway on their chests... drawn together by golden threads.”

My husband had a passion for the sea, for sailing. Not by profession, but he was a man of the sea. He once said that it would be a happy death to die at sea.

I am like these widows, my part of Portuguese DNA has prevailed 😊 — portuguesa com certeza (Song that says "a Portuguese house, for sure"). I like to wear black clothes and the portrait of my husband also swings on my chest, brought closer by a golden thread. I identify myself with these fishermen's widows. My love is still present in me [2], and it will always be like this.

~~~~~~~~~~

[1] As viúvas das Caxinas

[2] Uma só carne


Sûrement

 


Português

English

« Comme le mariage, le veuvage est pour la vie. »

On m'a demandé pourquoi je portais presque toujours des vêtements noirs. J'ai hésité à répondre, la personne n'est pas portugaise, elle ne comprendrait pas. J'ai dit que j'ai toujours aimé les vêtements plus foncés, entre le gris et le noir. Ce n’est pas un mensonge, j’ai toujours eu cette préférence, peut-être pour contraster avec les vêtements blancs de ma profession. Mais dernièrement, il y a une autre raison : le fait d'être veuve. Même si je n'ai pas assez de vêtements noirs pour toutes les occasions, j'aime les porter quand c'est possible.

La citation dans l'épigraphe l'explique. J'ai lu cette phrase dans un reportage sur ces veuves portugaises en deuil, vêtues de noir, pour le reste de leur vie [1]. C'est une phrase sans méandres, sans métaphores, sans concessions, sans permission d'intrusions, sans rêveries freudiennes antédiluviennes. C'est la vérité nue. Pour moi, c'est comme ça. « Comme le mariage, le veuvage est pour la vie. »

Les veuves interrogées ont perdu leur mari en mer : ils étaient pêcheurs. Quelques-unes de ces femmes donnent l'excuse, sur un ton interrogateur, si elles supporteraient que quelqu'un d'autre leur impose des conditions dans leur vie quotidienne — pure rhétorique, pour ne pas paraître mielleuses, elles veulent être dures ; mais je sais que la raison est l'amour irremplaçable pour leurs défunts maris. D'autres confessent le sentiment qui les accompagne toujours, avec les portraits de leurs hommes, qui « se balancent sur leurs poitrines... rapprochés par des fils d'or ».

Mon mari avait une passion pour la mer, pour la voile. Pas par profession, mais il était un homme de la mer. Il a dit un jour que ce serait une mort heureuse de mourir en mer.

Je suis comme ces veuves, ma part d’ADN portugais a prévalu 😊 — portuguesa com certeza (Chanson qui dit "une maison portugaise, c’est sûr"). J'aime porter des vêtements noirs et le portrait de mon mari se balance également sur ma poitrine, rapproché par un fil doré. Je m'identifie à ces femmes des hommes de la mer. Mon amour est toujours présent en moi [2] et ce sera toujours comme ça. 

~~~~~~~~

[1] As viúvas das Caxinas

[2] Uma só carne


sexta-feira, março 21, 2025

Com certeza

 

Français

English

"A viuvez, como o casamento, é para o resto da vida."

Perguntaram-me por que eu, quase sempre, uso roupas pretas. Hesitei em responder, a pessoa não é portuguesa, não entenderia. Disse que sempre gostei de roupas mais escuras, entre cinza e preto. Não é mentira, sempre tive essa preferência, talvez para contrastar com o branco da profissão. Mas, ultimamente, há outro motivo: a viuvez. Embora eu não tenha roupas pretas suficientes para todas as ocasiões, gosto de usar, quando é possível.

A citação em epígrafe explica. Li esta frase em uma reportagem sobre aquelas viúvas portuguesas que guardam o luto, vestidas de preto, para o resto da vida [1]. É uma frase sem meandros, nem metáforas, sem concessões, nem permissão de intromissões, sem devaneios freudianos antediluvianos. É a verdade nua e crua. Para mim, é desse jeito. "A viuvez, como o casamento, é para o resto da vida."

As viúvas entrevistadas perderam seus maridos no mar — eram pescadores. Algumas dão a desculpa, em tom de pergunta, se aturariam outro a impor condições nos seus cotidianos — pura retórica, para não se passarem por melosas, querem ser duronas; mas eu sei que o motivo é o amor insubstituível pelo falecido. Outras confessam o sentimento que lhes acompanha sempre, junto com os retratos de seus homens, que "balouçam-se no peito... presos por fios de ouro".

Meu marido tinha paixão pelo mar, por velejar. Não por profissão, mas era um homem do mar. Certa vez, chegou a dizer que seria morte feliz, morrer no mar.

        Sou como essas viúvas, minha porção de DNA português prevaleceu 😊 — portuguesa com certeza. Gosto de usar roupas pretas e meu amor também balouça no meu peito, preso por fio de ouro. Identifico-me com essas mulheres de homens do mar. O meu continua presente em mim [2] e sempre estará.

~~~~~~~~

[1] As viúvas das Caxinas

[2] Uma só carne


segunda-feira, março 03, 2025

Nossa Lua

 

"Ela não é o Sol, que pela vivacidade dos seus raios poderia cegar-nos por causa da nossa fraqueza. Ela é bela e doce como a Lua, que recebe a luz do Sol e a abranda a fim de adaptá-la à nossa pequenez."– São Luís Maria Grignion de Montfort


Lua de Saint Louis de Montfort,

Clareia a minha noite escura.

A minha escada flutua insegura

Ao léu.

Eleva o meu louvor

Ao céu.

Oh, Nossa Lua! Nossa Senhora,

Acende em mim o fervor.

Eu sou tua,

Para o meu Senhor.


sexta-feira, fevereiro 28, 2025

Préstito em BH

 

English below

Français ci-dessous

Que mudança! Não consigo nem imaginar Carnaval em BH. Belo-horizontino sempre gostou de sossego. A cidade ficava deserta no Carnaval.

Mas continuam gostando de procissão. Vi pela Internet. Agora a procissão é laica, com outros cantos, outras roupas e enfeites, e outro gestual. Chamam-na de Bloco de Carnaval.

Lá vão eles, em bloco, em préstito. 😂

~~~~~~~~~~~~

What a change! I can't even imagine Carnival in Belo Horizonte. BH residents have always liked peace and quiet. The city was deserted during Carnival.

But they still like processions. I saw it on the Internet. Now the procession is secular, with different songs, decorations and clothes, and different gestures. They call it "Bloco de Carnaval".

There they go, in a compact mass of people, in procession. 😂

~~~~~~~~~~~~

Quel changement ! Je n'arrive même pas à imaginer le Carnaval à Belo Horizonte. Les habitants de BH ont toujours aimé le calme et la tranquillité. La ville restait déserte pendant le Carnaval.
Mais ils aiment toujours les processions. J'ai vu sur Internet. Maintenant, la procession est laïque, avec des chants, des décorations et des vêtements différents, et des gestes différents. Ils appellent ça "Bloco de Carnaval".

Et voilà, ils y vont, en bloc, en procession. 😂

~~~~~~~~~~~~

Links relacionados:

Foi o Carnaval que passou

De outros carnavais

História do Carnaval em BH

Un autre wagon de train

Batuque no jardim


domingo, fevereiro 02, 2025

Quem é este?

 

“Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?” (Marcos 4:35-41)

"35Naquele dia, ao cair da tarde, ele lhes disse: “Passemos para a outra margem”. 36Deixando a multidão, eles levaram Jesus na barca, assim como ele estava. E havia outras barcas com ele. 37Sobreveio então uma grande tempestade de vento, que lançava as ondas dentro da barca, de modo que ela já estava enchendo-se de água. 38Ele, entretanto, estava na popa, dormindo sobre um travesseiro. Eles o acordaram e lhe disseram: “Mestre, não te importa que pereçamos?” 39Acordando, ele repreendeu o vento e disse ao mar: “Silêncio! Acalma-te!” O vento cessou e fez-se uma grande calma. 40Depois ele perguntou-lhes: “Por que estais com tanto medo? Ainda não tendes fé?” 41Eles ficaram com muito medo e diziam uns aos outros: “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?"

“Mestre, não te importa que pereçamos?”

Esta é a pergunta que toda a humanidade, todos nós, fazemos ou já fizemos. Por que Deus não interfere nos acontecimentos para que não soframos, para que não pereçamos? Por que Jesus parece dormir, enquanto o mal triunfa? O Padre Paulo Ricardo nos dá a resposta de Ricardo de São Vitor, um grande comentarista medieval da Bíblia, em sua homilia (ver link ao final). É para dar a oportunidade do livre arbítrio, ou seja, aos maus, para terem tempo de escolher ou não a conversão e aos justos de manifestarem a sua fé até nos piores momentos.

O episódio narrado, do poder de Jesus sobre o vento e o mar, é um dos inúmeros exemplos da manifestação da Divindade de Jesus, em quem devemos confiar sempre, não importa qual seja a nossa tempestade.

Já refleti sobre isso há mais tempo (link ao final). Repito aqui alguns pontos:

Não sabemos o que é ser bom. Só Deus é (Marcos 10: 18). Não temos experiência disso. Nossos parâmetros de bondade chegam mesmo a mudar de uma época para outra. Temos alguns graus de bondade adquiridos. SER bom é outra coisa, não conhecemos essa completude. Então, esse julgamento (“Se Deus existisse, sendo bom, não deixaria a humanidade sofrer.”) não está ao nosso alcance.

  1. O que para nós é sofrimento intenso, certamente tem uma avaliação muito diferente para Deus. Claro que os parâmetros são muito diferentes, se a gente fala em Deus grande, onipotente, etc. Deus não tem sentimentalismos. Ele, tampouco os anjos (que são espíritos), não têm, não dependem de um sistema nervoso como o nosso, esta nossa matéria que nos faz ter sofrimentos, alegrias, etc. Duro compreender isso, não? Mas tem um mas...

  2. Mas Deus é misericordioso e nos ajuda muitas vezes. O objetivo dessas ajudas não é o alívio ou o prazer terreno, apesar de estes poderem acontecer, como efeitos colaterais potencializadores. A função dessas ajudas misericordiosas é resultar em conversão ao mistério da fé ou em transformação da inteligência para caminhar em direção a um relacionamento mais profundo com Deus, ou seja, para caminhar para a santidade. Note-se bem que transformação da inteligência aqui não tem nada a ver com estudo ou conhecimento de teorias, letras, matemáticas, etc. Entenda-se, também, que santidade não tem viés sentimental; é estado de fé (que, claro, deve frutificar e resultar em efeitos comportamentais no ambiente em que vivemos também).

  3. A grande intervenção de Deus com relação ao sofrimento humano foi a encarnação do Verbo Divino e a Ressurreição de Jesus. Isso nos revela, concretamente, o Amor de Deus por nós. Tendo-se feito Homem, Ele se humilhou para que pudéssemos ter acesso a Ele através de nossas capacidades sensoriais e... metabólicas. Ele sofreu como nós e morreu como nós. Esteve nas nossas medidas, para que O experimentássemos e, embarcando nEle e com Ele, comendo e bebendo de seu Corpo e Sangue – alimento de vida eterna – fôssemos por Ele salvos dessa nossa misteriosa condição mortal tenebrosa, desse círculo vicioso.

Finalizando, para nós, que fomos evangelizados, a questão do livre arbítrio é crucial. Somos chamados a querer crescer na fé. A nossa responsabilidade é muito maior. Quem não foi catequizado, evangelizado, é claro que não pode querer o que não conhece, mas é amado por Deus do mesmo jeito e dele se exigirá menos, obviamente.

~~~~~~~~~~~~~~

Links relacionados:

Por que Cristo parece dormir?

           Marcos 4:35-41

           Sentimental eu sou


sábado, fevereiro 01, 2025

Juntos

 

English

Français

Sempre penso que o reverei

Nas caminhonetes vermelhas, na rua.

Que felicidade!

É loucura, eu sei...

Mas um dia será verdade.

Em novo céu e nova terra,

A eternidade,

Todos reunidos, povo de Deus.

Minha alma sonha em ser feliz,

No Amor de Nosso Senhor.

Amém.

~~~~~~~~~~~~~~~

Links relacionados:

Apocalipse 21

Sincronicidades e esperança