quarta-feira, janeiro 08, 2025

Alegria

 

Em meio às minhas angústias e preocupações, sou mestra para pôr lente de aumento nas circunstâncias angustiantes e preocupantes. Eu já tinha tendência a me preocupar com tudo quanto há, mas a idade contribuiu para exacerbar esta minha característica.

Há uma passagem anedótica na minha vida, que ficou famosa em nosso núcleo familiar, representando bem a minha amplificação da gravidade das situações, embora um tanto caricaturalmente. É quase no estilo "morreremos juntos" — este casinho filhote(*¹), acontecido com minha mãe, vai ficar para uma outra vez.

A janela do meu quarto, no segundo andar da casa dos meus pais, dava diretamente para o passeio, onde havia uma frondosa árvore. Não havia muito espaço entre a copa da árvore e a minha janela. As folhas, por vezes, queriam entrar, tinha que empurrá-las para fechar a janela. Eu costumava deixar as cortinas abertas, quando ia dormir, para desfrutar da claridade das luzes da rua, mas com o vidro fechado.

Tínhamos uma vizinha que, na calada da noite, punha fogo no seu lixo exatamente no pé desta árvore. Pois, certa vez, eu acordei de madrugada, com o barulho do crepitar das labaredas nas folhas da árvore. O quarto, antes em tom azulado pelas luzes de mercúrio, estava rubro-laranja, com a dança espetacular do fogo iluminando as paredes, num show aterrorizante. Levantei assustadíssima e vi o fogo pela vidraça. A minha impressão foi de que o incêndio se alastraria rapidamente à nossa casa.

Não titubeei. Telefonei imediatamente para o Corpo de Bombeiros e disse que havia um incêndio de grandes proporções nas folhagens, encostando na minha janela. Para minha surpresa, mal eu acabei de falar, o fogo apagou, as folhas foram queimadas rapidamente pela labareda que se extinguiu, por falta de combustível. O bombeiro que me atendeu ao telefone pediu maiores detalhes e, certamente, para o espanto dele, respondi, entre estupefata e envergonhada: —acabou. Em seguida, expliquei com mais detalhes, senão ele poderia até pensar que era um trote.

Até hoje, meus irmãos lembram disso e dão gargalhadas.

Mas o que me fez lembrar desse episódio foi um caso banal que estava me preocupando exageradamente. Não estou acostumada a morar de aluguel, fico sempre temerosa de estragar o que não é meu. Nem pendurei quadros nas paredes, por medo de furar onde não poderia. Ademais, o apartamento é tão pequeno que qualquer decoração resultaria em poluição visual. Preferi deixar as paredes "limpas", acho que dá a impressão de mais espaço.

Bem, vamos ao caso: o ralo da banheira estava entupido; não completamente, mas a água estava descendo cada vez mais lentamente. Detesto banheira, só tomo banho de chuveiro, mas o chuveiro fica sobre a dita cuja. Pensei que pudesse ser meu cabelo, que cai muito. E era. Mas a minha primeira tentativa de desentupir foi infrutífera.

Telefonei para o "concierge"; é ele que se ocupa de todo e qualquer problema no prédio. Ele disse que ia comprar um produto químico próprio para isso. Fiquei preocupadíssima de que o tal produto provocasse danos na tubulação e que eu tivesse que pagar pelo estrago. Tratei de tentar desentupir de novo.

De luvas e com a ajuda de uma agulha de crochet, consegui retirar alguns tufos de cabelo, apesar do obstáculo propiciado pela "patante"(*²) que tem por cima do ralo, para fechá-lo quando a pessoa quer tomar banho de imersão, peça esta que o síndico me advertiu que não podia ser removida. Enfim, consegui que a água fluísse mais rapidamente, dispensei o concierge.

Mas não foi o fim do problema. Após alguns meses, a coisa entupiu de novo com irritante contumácia, apesar de eu ter continuado a tentar manter o ralo livre de fios de cabelo. Fiquei angustiada. Não queria o método do síndico, mas não estava vendo outra solução. Procurei, na Internet, por outras maneiras e, entre as menos complicadas, estavam duas que eu podia tentar: água quente ou usar o antigo desentupidor (foto ilustrativa). Fiz as duas.

Não acreditava que fosse dar certo, principalmente, por causa da "patante". Apesar dela, foi um sucesso! Na primeira tentativa, a água desceu ruidosamente veloz, desimpedida, embora somente um discreto tufo de sujeira tenha saído para cima. Que alívio! Que alegria! Vamos ver se o efeito do que eu fiz vai ser duradouro. Se houver recidiva e resistência ao desentupidor, minha próxima tentativa vai ser usar bicarbonato de sódio com vinagre branco. Dizem que é bastante eficaz.

Até parece que meu blog virou um lugar para dicas caseiras práticas. Na verdade, contei tudo isso porque aprendi muito, nesses últimos dias, com angústias desproporcionais. Este caso foi só um exemplo simples que coexistiu com outras preocupações que estavam entupindo meu cérebro e com as quais estou aprendendo a lidar.

Coincidentemente, li um texto de alguma página religiosa, não me lembro qual, fornecendo, entre outras fórmulas de sabedoria e fé, uma orientação para controlar preocupações, para quem está procurando o caminho da santidade. Estou muitíssimo longe da santidade, mas penso que o fato de procurar esse caminho já conta alguns pontos positivos. E o tema das preocupações veio a calhar para mim.

A dica para controlar o exagero nas preocupações é perguntar-se: isso que está preocupando tem fundamento para salvar a alma? A resposta nos dá a importância que precisamos dar ao fato, ou seja, o grau de sofrimento que permitimos a uma preocupação. Claro, temos que resolver mesmo os problemas de menor importância com que nos deparamos, mas não devemos nos permitir sofrer por isso.

Bom, eis aí mais uma dica prática e também caseira, por que não; pois o caminho da santidade começa dentro de nós, de nossa casa, com o controle daquilo que deixamos ocupar nossos pensamentos.

Às vezes, porém, o motivo do sofrimento é significativo mesmo e resolvê-lo parece estar acima de nossas forças. Para esses casos, isso eu sei por experiência própria, a melhor forma de apaziguar a aflição é pedir a Paz de Cristo, com fé; oferecer o sofrimento a Nossa Senhora, em nome de Jesus, para o Capital de Graças(*3), rezar o terço contemplando a vida de Jesus. Uma Alegria interior serena, apaziguadora, vai nos invadindo, aos poucos, cada vez que assim buscamos o bálsamo do Divino Espírito Santo.

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(*¹) Casinho filhote é como minha mãe chamava um assunto apêndice de outro, introduzido no meio de uma conversação.

(*²) "Patante": palavra quebequense genérica, para quando a gente não sabe nomear alguma coisa.

(*3) Nossa Senhora quer presentear-nos graças merecidas por Jesus, por meio de nossa livre colaboração. O Capital de Graças são os méritos, o valor que recebem nossas orações, sacrifícios, boas obras, sofrimentos, esforço na própria educação, etc., que unimos ao sacrifício de Cristo, pelas mãos de Nossa Senhora. É a água que podemos colocar na talha, para que Jesus a transforme em vinho, pela intercessão de Maria. Jesus transforma nossos méritos em graças que Maria distribui aos necessitados. Esta expressão, Capital de Graças, surgiu com a devoção a Nossa Senhora de Schoenstatt. Mas a confirmação deste "mecanismo" pode ser constatada pelas explicações da própria Virgem Maria, em algumas aparições. Os fundamentos teológicos para o Capital de Graças são encontrados no ensinamento da Igreja, no Catecismo da Igreja Católica, incluindo a comunhão dos santos, a intercessão e os méritos.

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Schoenstatt

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domingo, dezembro 29, 2024

La dernière messe

 

Português

Ce dimanche, le 29 décembre 2024, nous avons eu la dernière messe célébrée à l'Église Saint-Joseph de Saint-Hyacinthe. Ce fut une messe solennelle, avec l'évêque, le curé et des assistants.

L'église était bondée.

J'étais émue, je n'ai pas pu retenir mes larmes.

Mais c'était très beau, avec un orgue très bien joué et une chorale spectaculaire (tous des bénévoles). La musique touche les profondeurs de nos âmes et ils ont choisi des chansons avec de si belles paroles !

Cela donnait l'impression que l'église tremblait (ou était-ce moi), surtout après la Consécration, le chant de grande joie et d'exultation, que l'orgue a finalisé avec toute sa force, dans les graves et les aigus. J'ai pensé : l'église va tomber maintenant, avant d'être démolie.

Dommage que je n'ai pas pu tout filmer. Mais deux enregistrements étaient en train de se faire, ils seront probablement publiés quelque part.

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Curiosités : la statue de Saint Joseph qui se trouvait dans le transept, d'un côté, avait déjà été enlevée et le curé a raconté qu'ils ont trouvé, au sous-sol, une ancienne statue qui, selon lui, devait dater de l'époque de l'inauguration de l'église. Et ils l'ont montée pour la messe.

Ils ont enlevé Saint-Joseph, mais Saint-Joseph a voulu montrer qu'il y est resté jusqu'à la fin. Il ne nous abandonne pas.?

Quand nous sommes partis, après la fin de la messe, il y avait une très forte brume, comme si le ciel entourait l'église... un triste jour, aujourd'hui.

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Note: la fabrique déménage à l'Église Sainte-Eugénie, à partir du 1er janvier 2025. On appelle ça "Paroisse Saint-Joseph hors les murs".


Última missa

 

Français

Hoje, 29 de dezembro de 2024, foi a última missa celebrada na Igreja Saint-Joseph de Saint-Hyacinthe. Foi uma missa solene, com bispo, pároco, ajudantes.

A igreja estava lotada.

Fiquei emocionada, não consegui segurar o choro.

Mas foi muito bonito, com órgão muito bem tocado e um coral espetacular (todos voluntários). A música toca o fundo da alma da gente e eles escolheram cantos com palavras tão lindas!

Deu uma sensação de que a igreja tremeu (ou fui eu), principalmente, após a Consagração, quando eles entoaram um canto de grande júbilo e exultação, e o órgão finalizou com a força toda, em graves e agudos. Eu pensei: a igreja vai cair é agora, antes da demolição.

Pena que não deu para filmar tudo. Mas tinha duas filmagens sendo feitas lá, provavelmente, vão ser publicadas em algum lugar.

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Curiosidades: a imagem de São José que ficava no transepto, de um lado, já havia sido removida e o padre contou que eles acharam, no subsolo, uma antiga imagem que, segundo ele, deve ter sido dos tempos da inauguração da igreja. E eles levaram a imagem para a missa.

Eles tiraram São José, mas São José quis mostrar que ficou lá até o fim. Ele não nos abandona.?

Na saída, após o término da missa, havia uma bruma muito forte, como se o céu estivesse envolvendo a igreja... um dia triste, hoje.

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Nota: a paróquia funcionará na Igreja Sainte-Eugénie, a partir de 1° de janeiro 2025, o que é chamado paroisse hors les murs. Será Paroisse Saint-Joseph hors les murs.


quarta-feira, dezembro 18, 2024

Glory to God in the highest

 

Français

Português

Jesus came to save us, yes, it is an immeasurable love, let us celebrate. But Christmas time hurts deep in the heart, doesn't it? In addition to the obvious sadness at the absence of people who are no longer with us, I think it is because we know that Jesus came to suffer, to die for us. This little baby in the manger... This young man of 33 years. Even if we know that He was also God and that He rose, the sufferings He endured were atrocious.

Sadness is present in the scenery.

When my beloved Leo was in the hospital, in a critical condition, at one point I made a thorny association between his suffering and that of Jesus, with great emotion. I have already explained it in a text; I think I had a sort of insight, which I interpreted as a grace received through the intercession of the Virgin Mary, to offer our sufferings to God: I felt the Love of Christ for us, which allows us to love him in return (Rebounding love).

I'm trying to have more empathy with others, to extend this experience to the suffering of everyone, because we all suffer, there is a lot of suffering in this world. I ask God to give me the grace to make me capable of welcoming this Love into my heart, so as not to remain only in a more rational than sentimental bias. We are sensory beings, our manifestation must go through feelings. And may our feelings be appeased, in the Peace of Christ. All this is very difficult, but "nothing is impossible with God." (Luke 1:37)

Now is the time to prepare a joyful heart to receive the Child Jesus, to celebrate the mystery of the Incarnation of the divine Word, this mystery of Love. What a blessing to imagine myself closer to Him, to be able to take Him in my arms, to comfort Him... under the maternal gaze of the Virgin Mary and the benevolence of Saint Joseph.

Let us join the angels and sing praises! Gloria in excelsis Deo !

"Glory to God in the highest Heaven, and on Earth peace to those on whom his favour rests." (Luke 2: 14)

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Rebounding love

Religion


terça-feira, dezembro 17, 2024

Gloire à Dieu au plus haut des cieux !

 

Português

English

Jésus est venu pour nous sauver, oui, c'est un amour incommensurable, célébrons. Mais le temps de Noël fait mal au fond du cœur, non ? En plus de la tristesse évidente face à l'absence de personnes qui ne sont plus parmi nous, je pense que c'est parce que nous savons que Jésus est venu souffrir, mourir pour nous. Ce petit bébé dans la crèche... Ce jeune homme de 33 ans. Même si nous savons qu’Il était aussi Dieu et qu’Il est ressuscité, les souffrances qu’Il a endurées ont été atroces.

La tristesse est présente dans le décor.

Lorsque mon bien-aimé Léo était à l'hôpital, dans un état critique, à un moment donné, j'ai fait une association épineuse entre sa souffrance et celle de Jésus, avec beaucoup d'émotion. Je l'ai déjà expliqué dans un texte ; je pense que j'ai eu une sorte d'intuition, que j'ai interprétée comme une grâce reçue par l'intercession de la Vierge Marie, d'offrir nos souffrances à Dieu : j'ai ressenti l'Amour du Christ pour nous, qui nous permet de l'aimer en retour (L'amour ricochant).

J'essaie d'avoir plus d'empathie avec les autres, d'étendre cette expérience à la souffrance de tous et de chacun, car nous souffrons tous, il y a beaucoup de souffrance dans ce monde. Je demande à Dieu de me donner la grâce de me rendre capable d'accueillir cet Amour dans mon cœur, pour ne pas rester seulement dans un biais plus rationnel que sentimental. Nous sommes des êtres sensoriels, notre manifestation doit passer par les ressentis. Et que nos sentiments soient apaisés, dans la Paix du Christ. Tout cela est très difficile, mais « rien n'est impossible à Dieu ». (Luc 1:37)

Il est maintenant temps de préparer un cœur joyeux pour recevoir l'Enfant Jésus, pour célébrer le mystère de l'Incarnation du Verbe divin, ce mystère d'Amour. Quelle bénédiction de m'imaginer proche de Lui, de pouvoir le prendre dans mes bras, le réconforter... sous le regard maternel de la Vierge Marie et la bienveillance de Saint Joseph.

Rejoignons les anges et chantons des louanges ! Gloria in excelsis Deo !

« Gloire à Dieu au plus haut des cieux, et paix sur la terre aux hommes, qu’Il aime. » (Luc 2: 14)

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Liens connexes :

L'amour ricochant

Religion


Gloria in excelsis Deo !

 

Français

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Jesus veio para nos salvar, sim, é amor imensurável, vamos celebrar, vamos comemorar. Mas o tempo de Natal dá uma dor, lá no fundo, não dá? Além da óbvia tristeza pela ausência das pessoas que já não estão mais entre nós, acho que é porque nós sabemos que Jesus veio para sofrer, para morrer por nós. Aquele bebezinho no presépio... Aquele jovem de 33 anos. Apesar de sabermos que Ele era também Deus e que ressuscitou, o sofrimento por que passou foi atroz.

A tristeza está no pano de fundo.

Quando meu amado Léo estava no hospital, em estado gravíssimo, num dado momento, fiz um tipo espinhoso de associação do sofrimento dele com o de Jesus, com muito sentimento. Já expliquei isso num texto; penso que tive uma espécie de insight, que interpretei como graça recebida por intercessão de Nossa Senhora, para oferecer nosso sofrimento a Deus — senti o Amor de Cristo por nós, que nos capacita a amá-lO de volta (Amor ricochete).

Estou tentando ter mais empatia com os outros, estender essa experiência para o sofrimento de todos e de cada um, porque todos nós sofremos, há muito sofrimento por esse mundo afora. Estou pedindo a Deus que me dê a graça de me tornar apta a acomodar esse Amor no meu coração, para não ficar somente num viés mais racional que sentimental. Somos seres sensoriais, nossa manifestação tem que passar por sentimentos. E que sejam sentimentos apaziguados, na Paz de Cristo. É muito difícil, tudo isso, mas "para Deus nada é impossível." (Lucas 1: 37)

Agora é tempo de preparar um coração alegre para receber o Menino Jesus, para celebrar o mistério da Encarnação do Verbo divino, esse mistério do Amor. Que bênção é imaginar que estou pertinho dEle, que poderia carregá-lo no meu colo, consolá-lo... sob o olhar materno de Nossa Senhora e a bondade de São José.

Vamos nos juntar aos anjos e entoar cânticos de louvor! Gloria in excelsis Deo !

“Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens, por ele amados”. (Lucas 2: 14)

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Amor ricochete

Religião


quinta-feira, dezembro 12, 2024

Le péché

 

Português

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Je pensais à quelques extraits que j'ai transcrits sur mon blog, des auteurs Emily Stimpson Chapman et Scott Hahn (The power of Confession). J'ai beaucoup aimé tous les deux, mais quelque chose dans le texte de Chapman m'a semblé décousu. Peut-être que j'étais en deçà de son raisonnement. En même temps, je pense que le fait de ne pas être d'accord avec cette partie m'a aidé à progresser dans ma compréhension.

Elle a dit :

« All the good that is done to us and that we do comes from God and God alone. We cooperate with His Grace. However, one thing we can give the Lord that He does not have is our sin. If we give God our sin and offer Him our brokenness and weakness, He can use that for His greater glory and our redemption. »

Traduction :

« Tout le bien qui nous est fait et que nous faisons vient de Dieu et de Dieu seul. Nous coopérons avec Sa Grâce. Cependant, une chose que nous pouvons donner au Seigneur et qu’Il n’a pas, c’est notre péché. Si nous donnons à Dieu notre péché et Lui offrons notre brisure et notre faiblesse, Il peut s’en servir pour Sa plus grande gloire et notre rédemption. »

Ce qui n'a aucun sens, à mon avis, c'est de dire : « La seule chose que nous pouvons donner au Seigneur et qu'Il n'a pas, c'est notre péché. » Car il ne peut y avoir rien que Dieu n'ait pas, qui ne fasse pas partie de Sa Création. Alors, qu'est-ce que le péché ?

Comme par inspiration, comme si on me l’avait murmuré à l’oreille – bien que je n’aie rien entendu –, le souvenir de la salutation de l’ange Gabriel à la Vierge Marie m’est revenu à l’esprit : « Je te salue, Comblée-de-grâce ! » Et nous savons qu’elle est une personne préservée du péché. J’ai associé les deux choses : elle est sans péché parce qu’elle est pleine de grâce. Oui, c’est l’explication que nous avons apprise sur l’Immaculée Conception.

De ce raisonnement, je crois que nous pouvons inférer que le péché est donc l'absence de Grâce. Selon la gravité du péché, il doit alors y avoir l'absence d'une part plus ou moins grande de Grâce, pour ainsi dire, pour que ce soit plus facile à comprendre. Et l'absence totale... eh bien, je n'aime pas penser à ce nom-là.

Ce n'est pas une nouveauté pour quiconque connaît la théologie ; je tire probablement des conclusions trop évidentes. Je me souviens d'avoir entendu et lu des gens définir le mal comme l'absence de bien, dans les discussions sans fin sur la question de savoir si Dieu a créé le mal ; mais ce n'était pas très clair pour moi. L'association avec la salutation de l'ange Gabriel est venue éclairer ma compréhension.

D’où le terme « desgraçado » (en portugais, on utilisait couramment desgraçado pour une personne méchante, mais le terme veut dire celui qui manque de grâce) que mes parents n’aimaient pas que nous utilisions. Je comprends maintenant leur répulsion pour ce mot. Je me souviens que ma mère me disait, quand j’étais encore jeune, qu’il ne fallait pas appeler quelqu’un comme ça, car c’était trop grave. Mon Dieu, comme le catéchisme transmis par nos parents est important ! Il reste gravé et, tôt ou tard, il refait surface, même si nous n’en avons pas saisi toute la portée au moment de l’enseignement.

J'étais déjà passé près de cette idée lorsque j'avais écrit un texte où j'avais utilisé ce que Jésus avait dit : « Seul Dieu est bon » (Matthieu 19, 16-22). Ainsi, j'avais conclu que Dieu EST bon et que nous ne le sommes pas, mais que nous AVONS la bonté à des degrés divers (À se tordre les neurones). La grâce est le bien, pour nous, en portions de ce qui est bon et juste. Ces bontés sont des Grâces que nous recevons. Notre-Dame a reçu pleinement la Grâce, elle a été la première à être rachetée par les mérites de Jésus (le temps n'existe pas pour Dieu). Maintenant, tout cela semble tellement évident !

En revenant au texte de l'auteure américaine que j'ai cité au début, je comprends maintenant ce qu'elle dit. Cela a du sens. Ce que Dieu n'a pas, le péché, ce sont des « vides » de Grâce. Il est la Grâce infinie ! Quand nous Lui donnons nos « vides », de notre plein gré, Il les comble à nouveau ! Elle a raison.

Mon Dieu, que c'est beau ! Merci beaucoup !

Amen !

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Ô Marie, conçue sans péché, priez pour nous qui avons recours à Vous.

Jésus, Marie, Joseph, je vous confie mon cœur et mon âme.

Ange du Seigneur, mon fidèle gardien, à qui la bonté divine a daigné me confier, éclairez-moi, dirigez-moi et gouvernez-moi toujours. Amen.

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Liens connexes :

The power of Confession

À se tordre les neurones

Religion