quinta-feira, fevereiro 27, 2020

Gratias


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- Agradecendo por graças recebidas 🙏
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"Todo aquele que se declarar por mim diante dos homens também eu me declararei por ele diante de meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me renegar diante dos homens também o renegarei diante de meu Pai que está nos céus." (Mt 10,32-33).
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Testemunhar fé é uma consequência natural de tê-la. Quem não tem, nem quer ter, não pode testemunhar, obviamente. Tê-la depende da nossa vontade, mas a fé em si é um dom, não é mérito, portanto não pode gerar vaidade. Se estiver servindo à vaidade humana, não é fé... pelo menos, não em Deus. 
               Não são só os santos que têm.
Numa comparação grosseira, a fé seria como um presente, para cada um de nós, que temos que ir pegar ao pé da árvore de Natal. Ele não foi fabricado nem lá colocado por nós. Para tê-lo, precisamos querer buscá-lo. Às vezes, não o encontramos; podemos pedir ajuda e, se pedirmos desejando muito tê-lo, se insistirmos, aquele que nos presenteou pode até nos mostrar onde está.
E que alegria quando o encontramos! Olhem como é lindo o meu presente! Vá pegar o seu também!
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O que é ter fé e também ser uma pessoa de fé?

quarta-feira, fevereiro 19, 2020

De outros carnavais...

Revista Semana Illustrada, março/1928
               “Quem não gosta do samba, bom sujeito não é/Ou é ruim da cabeça ou doente do pé.”
(Samba da minha terra – Dorival Caymmi)

Gosto de samba, sempre gostei, mas samba no pé mesmo, no meu tempo de criança, não estava ainda muito difundido na minha cidade natal, Belo Horizonte.
- Não nascemos com o samba, ao contrário de Dorival Caymmi, como ele conta em sua linda canção “Samba da minha terra” – na minha opinião, um dos melhores compositores do Brasil.
Na minha infância, eu considerava o samba como coisa da Bahia e do Rio de Janeiro, assim como frevo é de Pernambuco, baião, forró, xaxado e tantos outros do Nordeste, bossa nova do Rio, e por aí vai. Essa minha impressão era consolidada nos programas de televisão, à época predominantemente cariocas, pela insistência com que se debochava de mineiros e paulistas que não sabiam sambar. Era verdade com relação a nós, mineiros – com raras exceções.
- Não sou estudiosa do assunto, mas arrisco a dizer que, em tempos antigos, a música mineira era de influência portuguesa, mais sacra, de igreja; havia também modinhas, serestas e canções sertanejas. A manifestação artístico-religiosa afro-brasileira de que se tinha notícia na nossa região era o Congado. Mais tarde, na década de 1970, se não me engano, começamos a ouvir batuques no Morro do Pau Comeu, perto lá de casa, de escolas de samba ensaiando para o Carnaval (História do Carnaval de BH).  
“Batuque” porque o ritmo não era exatamente o mesmo das escolas de samba do Rio; havia uma pequena diferença também no modo de sambar. Longe de ser especialista em samba, notava, no entanto, que não era a mesma coisa. Imagino que deve haver variantes. Não sei, hoje, como está.
- Mas não é que não houvesse compositores de samba de destaque nacional originários de Minas. Só para dar um exemplo dos mais antigos que me lembro, já vou logo arrasando 😀 com Ary Barroso, que caiu no samba, no Rio de Janeiro. Ele mesmo, sim, autor da Aquarela do Brasil!
Foi a Ditadura de Getúlio Vargas que fez campanha para que o samba carioca passasse a ser o ritmo, a música nacional (Brasil brasileiro nasce com Vargas). Nasci depois da era Vargas, mas ainda antes de a campanha ter surtido efeito nas Alterosas; a onda acabou chegando... e eu acabei aprendendo a sambar, já bem grandinha.
- Lembrei de samba porque estamos na temporada de Carnaval no Brasil – temporada, sim, pois já não são mais só três dias, como nos meus tempos de infância. Em BH, havia desfiles de blocos caricatos, mas eu nunca assisti a nenhum. Penso que era mais uma disputa de bairros e predominavam torcidas na assistência. A gente via lances da festa pelo noticiário da TV e as fotos que saíam no jornal depois, dando notícia de quem ganhara o concurso.
Eu achava divertido sair fantasiada na rua, ir a clubes para pular, literalmente, ao som de marchinhas de carnaval. Fiz isso poucas vezes, devo confessar; não era muito carnavalesca. Havia, também, concursos de fantasias infantis, em BH.
- As marchinhas que dominavam o ambiente musical do carnaval de outras épocas chegaram até meu tempo. Eu sabia a letra de quase todas de cor.
Os famosos corsos dos tempos de juventude dos meus pais não existiam mais. Eles diziam que eram muito animados. Deviam ser mesmo, renderam notícias nas revistas da época (Saiu na Revista Semana Illustrada de março/1928) e até uma crônica do Carlos Drummond de Andrade*.
- Desde lá pelos meus vinte anos, até me mudar para o Canadá, já quarentona, o retrato que tenho na memória, dos carnavais de Belo Horizonte, é de uma cidade deserta, silenciosa – o êxodo para o litoral durante o feriado prolongado era a programação preferida, a cidade se esvaziava. Fico surpresa quando vejo as notícias dos carnavais de rua repletos de gente, atualmente!
Em outros tempos, atravessei noites assistindo aos desfiles das Escolas de Samba do Rio, pela TV... e os famosos desfiles de fantasia também! Não tenho mais paciência.
- Tenho visto, pelas notícias na Internet, que muita polêmica tem surgido com relação às fantasias, que estão limitadas ao rigor do “politicamente correto” e da questão da “apropriação cultural”. Até mesmo o samba vem sendo motivo de reclamação, por parte do movimento da negritude, como tendo sido apropriado pela sociedade dominante (Apropriação cultural é um problema do sistema, Apropriação cultural: poutine e samba).
Mas nada ofusca o brilho do Carnaval no Brasil, principalmente no Rio. Pelo menos, é uma oportunidade de cumprir a função tradicional europeia da festa, de manifestar críticas e sátiras, pacificamente, com alegria. Isso é um ponto positivo, embora não ponha minha mão no fogo para atestar lisura em todas as instâncias desses eventos. É muito dinheiro, são muitos empregos e muitos turistas envolvidos na festança. Não sei exatamente como isso tudo funciona.
- Para todos que curtem honestamente a festa, desejo um bom e saudável Carnaval!
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*Texto do Drummond sobre o carnaval de BH, em 1927:
CARNAVAL E MOÇAS
(Carlos Drummond de Andrade)
Minas Gerais está mudando? As moças vão para o corso fantasiadas de Malandrinhas. Não cantam “A malandragem eu não posso deixar” nem “Eu quero é nota”, mas do alto dos carros de capota arriada, sorrindo, atirando serpentinas nos outros carros, entoam desenvoltas “Levanta o pé, esconde a mão, quero saber se tu gostas de mim ou não”. Os pais deixaram. Aí vem o Bloco Papai Deixou: as Tamm de Lima, as Franzen de Lima, as Tamm Bias Fortes, as Tamm Loreto, irmãs, primas, cunhadas, a família mineira descobrindo e revelando uma alegria carioca, a alegria do carnaval. Moulin Rouge? Assim também não. Mas pode ser Moulin Bleu com Maria Rosa Pena, Célia de Carvalho, Iolanda Vieira, Iolanda Bandeira, outras que vão desfilando, vão cantando ou, se não cantam, cantam os seus braços. Cuidado! capitalistas de Belo Horizonte, a Mão Negra está chegando e ameaçando. Maria Geralda Sales, Irene e Pequetita Giffoni fazem tremer o mineiro, que tem sempre um dinheirinho guardado nas dobras do silêncio e um pecado, talvez, de todos ignorado. Felizmente nos salvam os Três ou as Três Mosqueteiras, galhardas e galantes. Lúcia Machado é Porthos, Maria Helena Caldeira é Athos, e Aramis, Maria Helena Pena. Cadê o D’Artagnan? Elas respondem: “Foi ferido no último duelo, mas nós três damos conta do recado”. Neste bloco maior vejo as Boêmias, Ilka e Luizinha Andrada, Lurdes Rocha, Hilda Borges da Costa, Heloísa Sales, e Tinice e Clarita e Cidinha e quem mais. Nomeá-las todas não posso: são dois carros e é preciso olhar, passando na Avenida, as Sevilhanas, as Aviadoras, os Fantasmas da Ópera, as Caçadoras de Corações, as Senhoritas Barba-Azul, copiadas de Bebé Daniels, as Funcionárias (da Secretaria das Finanças), e na calçada os Netos de Gambrinus fantasiados de Barril de Chope. Meu Deus, de cada rua no bloco irrompe, e é tudo animação. Bailarinas do Xeque, sem o Xeque, nem eu queria vê-lo: elas sozinhas cercam de Oriente minha sertanice. De cada município agora sinto afluir foliões em sarabanda. Minas perdeu o sério. Minas pula, revoluteia, grita, esquece a história comedida, o severo “vou pensar”. Minas não pensa mais, Minas se agita ao som do jazz, ao som do bumbo, zum-zum-zum. Vejo tudo isto ou estou sonhando à mesa do Trianon, junto de Emílio, poeta amigo, e Almeida, sorvendo uma frappée, lenço molhado de Rodo, pasárgada dos tímidos? Ao clube não irei, nem aspirante de sócio me tornei. Na minha face gravado foi por lei hereditária: “Este não dança”. Sei apenas ver, e o que vejo na Rua da Bahia é chuva chuva chuva sem parar, é chuva e guarda-chuva, luva-dilúvio a envolver os dedos da cidade. Na cara dos garçons, nas fustigadas árvores, no desolado cão fuginte, na deserta calçada noturnal, esta leitura faço, da sentença: “Por aqui, a Quaresma no sábado de carnaval é que começa”.
... do Livro Boitempo - Esquecer para Lembrar
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quarta-feira, fevereiro 12, 2020

Casinho filhote - fator desencadeante

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“Casinho filhote” é como minha mãe chamava um assunto apêndice de outro, numa conversação. No caso presente, o assunto é tão ou mais importante que o outro ao qual ele se relaciona (Consagração a Nossa Senhora).
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Em agradecimento, cismei que tinha que mandar celebrar uma missa para o padre que me batizou e me consagrou a Nossa Senhora; falecido longe do seu país de origem, talvez não tivesse mais ninguém que pudesse se lembrar dele. Entre uma nevasca e outra, fui à igreja, em 30 de janeiro de 2020, na cidade, e encomendei missa para ele, além das outras pessoas que são constantes na minha lista de almas para quem rezo e peço que intercedam por mim.
Na volta, dirigindo na estrada, avistei no céu um fenômeno que nunca tinha visto. Não estava com minha máquina fotográfica, infelizmente; e mesmo se estivesse com ela, não poderia parar na estrada para fotografar. Quando cheguei em casa, o fenômeno já tinha desaparecido. Fiquei intrigada e pesquisei na internet. Descobri que era o que chamam de parélio. Além de nunca ter visto, não me lembro de ter ouvido falar. Fiquei contente de ver um fenômeno raro e bonito.
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 Capturei de um vídeo a imagem que mais se aproxima do parélio que eu vi. Só que o conjunto do fenômeno estava um pouco mais alto no horizonte e os pedaços de arco-íris pareciam mais próximos de mim. Na estrada onde eu estava, a visão do horizonte é ampla, mas, para ver o outro lado, eu tinha que virar os olhos. Tanto que, à primeira vista, eu achei que era um arco-íris grosso e estranhei, porque não tinha chovido. Por acaso, olhei para a direita, por algum motivo, e vi o gêmeo dele, com as cores invertidas (o vermelho mais próximo do sol, nos dois). O sol não estava cegando como de costume, mas não olhei diretamente para ele, pois tenho medo de danificar minha visão. No entanto, notei que não me causou tanta reação à luz, não precisei baixar o quebra-sol.
O vídeo de onde capturei a imagem segue: Parélio no mundo (youtube)
Dias depois, em 5 de fevereiro, uma página que sigo em rede social publicou um artigo de 2018 sobre o milagre do sol em Fátima, em outubro de 1917 (101 anos do milagre do sol ocorrido em Fátima), mencionando que alguns pensam que pode ter sido o tal do parélio. Fiquei estupefata e associei imediatamente o "meu" parélio a Nossa Senhora – eu estava voltando da igreja para encomendar a missa pela alma do padre que me consagrou a Ela! Além do mais, os padres são sabidamente prediletos de Maria. Com isso, a vontade de renovar minha Consagração a Nossa Senhora tornou-se uma urgência para mim.
Como já dizia Shakespeare, “há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”.
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Nota: se o fenômeno em Fátima foi parélio, certamente foi muito mais intenso do que o que eu vi ou foi outro. Mas o artigo sobre Fátima, sem ser na data do ocorrido, mencionando o fenômeno que eu presenciei, me impressionou, lá isso é verdade.
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