quarta-feira, dezembro 06, 2017

Joyeux Noël et Bonne Année

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Dans le monde occidental, le monde où je suis née, où j’ai grandi et toujours vécu, Noël et le Nouvel An sont des fêtes joyeuses, les temps pour échanger des vœux de bonheur. Même quand l'année a été triste, dure, douloureuse, dramatique; pour cette raison même, nous ressentons le désir d'avoir de l'espoir pour des jours meilleurs. Me voilà à nouveau, pour participer à cette campagne d'optimisme.
Récemment, nous avons constaté la disparition des derniers bastions de nombreuses idées et actions qui ont transformé le monde au 20e siècle et maintenant nous faisons face à beaucoup de défis nouveaux et difficiles, dans le siècle en cours. 
Née au milieu du 20e siècle, je me considère déjà comme une «survivante». Je ne me sens pas vieille, bien que la "machine" vacille parfois, mais il est indéniable que ceux qui atteignent mon âge ne sont plus jeunes, ni dans la tête, comme certains le disent. Ayant vécu pendant tant d'années, même la personne la plus distraite acquiert une expérience que seulement les ainés peuvent avoir, évidemment.
Au long de ma vie, j'ai vu passer plusieurs générations. J'ai connu mon arrière-grand-mère, qui est venue au monde en 1877, imaginez. Le fait d’avoir connu une personne de ce vieux temps-là, entre autres, donne forme à une certaine base de données personnelle, n'est-ce pas? Même si je ne le voulais pas, même sans m’obstiner à lire des livres d'Histoire, j'ai acquis une connaissance historique de coutumes non négligeable. Les gens de ma génération ont été témoins de grands événements, découvertes, mouvements artistiques et sociaux, progrès technologiques et scientifiques, guerres; on était là quand ces événements ont eu lieu dans les années 1900.
C’est normal de penser que nous en savons beaucoup mais, dans le fond, cela fait peu de différence. Enfin, c’est important juste pour nous-mêmes. Cette "ère" achève, la face de la Terre a de nouvelles faces, et les idées changent. Il est inutile de vouloir que les anciens concepts et coutumes prévalent. C’est normal et salutaire qu'il y ait des changements, qu'il y ait des progrès dans la société humaine.
J'espère que les jeunes pourront découvrir l'importance de leur temps, avec leurs propres défis, qui sont énormes. Qu’ils ne mettent pas à plus tard leurs responsabilités en tant qu'agents du futur. Dans très peu de temps nous, les anciens, ne serons plus là, ni pour aider, ni pour déranger. Je souhaite qu’ils se débarrassent des pensées rancies et néfastes du siècle passé qui continuent encore, avec une obstination futile, à maintenir leurs derniers râles. Je ne veux pas dire que le passé est mauvais, au contraire, il nous accorde la sagesse.
Je souhaite aux citoyens de l'année prochaine un avenir prometteur. Qu'ils sachent comment utiliser leur énergie pour perfectionner les bons résultats et ne pas insister sur les erreurs. Et, surtout, qu’ils puissent essayer d'innover, sans oublier un très vieil instrument qui n'a jamais été bien utilisé par nous, même si on l'a tant proclamé et proclame encore: l'Amour... "Que celui qui a des oreilles pour entendre, entende." (Matthieu 13: 9)
Essayons nous tous d'agir avec solidarité, de contrôler les instincts belliqueux, au lieu de les fomenter. Nous devons nous unir avec des objectifs communs, pour le bien de l'humanité, pour notre bien. Les nouvelles technologies de communication peuvent nous aider beaucoup si nous ne les utilisons pas de façon maligne.
Que ce moment spécial de notre planète, dans son orbite autour du soleil, en gardant la vie et la mort dans ce cercle vicieux si joliment dépendant des rayons du soleil, puisse nous aider à voir à quel point nous sommes petits et, en même temps, assez grands pour le comprendre.
Enfin, je veux partager avec tout le monde la meilleure énergie que j'ai: la foi qui me fait croire à la VIE sans la mort, au-delà de tout ce que nous pouvons percevoir. La commémoration de la naissance de l'Enfant Jésus à cette époque de l'année a été très bien choisie, l'analogie est bonne. La lumière du soleil, de laquelle nous nous sommes éloignés et que nous a laissé dans le froid glacial, va revenir au nord de ce monde, ramenant l'espoir à nos cœurs.
Joyeux Noël et bonne année!

segunda-feira, dezembro 04, 2017

Meu violão avatar

Français

English

– Quem toca violão aqui? – alguém me perguntou. Meu marido não toca, nem eu. Mas temos um em casa, com uma história bem especial. Já pensei em vendê-lo, doá-lo, mas ele não quer ir embora. É uma espécie de avatar que representa parte da história de minha vida.
Fica no seu canto, em silêncio, dentro de sua caixa original, tal como quando o comprei. Às vezes, quando estou sozinha em casa, ele sai todo desafinado, me pedindo para ajustá-lo – Sim, sei como fazer isso, aprendi quando era bem pequena. Aproveito esses momentos para cantar algumas canções antigas, que me trazem boas lembranças. Mas logo, logo, cedo às dores de minhas mãos tão leigas em música, e o avatar volta para seu guardado, protegido da poeira.
Em criança, aprendi, com meu pai, uns acordes simplicíssimos, para acompanhar uma música folclórica que só ouvi cantar durante a minha infância, até a minha adolescência, depois nunca mais. O máximo que consegui evoluir nessa arte, foi aplicando aqueles acordes em umas cantigas de roda e de ninar. E depois, observando minha irmã e tentando imitá-la, consegui desenferrujar um pouco mais os dedos, que começaram até mesmo a formar calos nas pontas – depois de muito doer. Mas o esforço foi em vão, não tinha agilidade, faltava talento. Restou-me cantar no âmbito doméstico, fazendo coro com outros, assim minhas falhas não realçavam muito.
Há males que vêm para o bem. Eu explico. É que recebo elogios do marido, que diz gostar de me ouvir, quando acontece de me flagrar em delito. Considero isso uma prova de amor, sou uma felizarda. Mas evito insistir no mal... ele pode mudar de ideia.
Voltando à história do avatar... Um mês após a morte de minha irmã, retornei a minha casa, no Canadá. Minha mãe, meus irmãos e eu – não me lembro mais de quem partiu a ideia, talvez de mim mesma – todos concordamos que o violão dela viesse comigo. Mas ele não quis se exilar, a possibilidade de viajar para tão longe de sua companheira de tantos momentos alegres e sagrados foi rejeitada. Na hora de embarcar no avião, fui impedida de entrar com o instrumento junto comigo. Teria que ir como bagagem registrada. Não quis que ele passasse por essa experiência, tive medo de que se machucasse. Preferi deixá-lo com a família.
Foi um momento triste, como se mais um pedaço de minha irmã estivesse se desligando de mim. Se faltava chorar ainda, se algum choro tinha sido contido antes, ele desabou durante a viagem. Foi catártico.
Retomei minha vidinha. Um dia, em minhas andanças, deparei-me com uma loja de música e, num ímpeto, entrei. Havia todo tipo de instrumentos musicais à venda. Embora me questionando sobre a utilidade que teria, comprei um violão – o avatar.
Isso tudo talvez não explique logicamente por que razão tenho o instrumento em casa mas, como diz o ditado: Cada louco com sua mania.

Maria Leonídia

A estrelinha
 
 
 
 
 

terça-feira, novembro 07, 2017

Quem são os heróis?




"É por isso que o Brasil não vai pra frente."

Em vez de lançar um olhar de compaixão sobre a história dos bandidos que ficaram famosos no Brasil, compreendendo suas circunstâncias e limites temporais, porém sem subir no patamar do julgamento, a sociedade brasileira insiste em continuar cultivando esses criminosos como heróis.
Exemplo disso são os ensinamentos até hoje presentes nas escolas, que pintam a imagem de Lampião e Maria Bonita como heroica, inspiração para “a estética da resistência”, como vi numa das questões do Enem 2017, que me pareceu emblemática. Não vi todas as questões. Da pequena amostra a que tive acesso, constatei que a linguagem do nosso “ensino” não mudou nada, desde os meus velhos tempos de Universidade... e já se vai quase meio século desde que passei no “Vestibular”. Obviamente, se o ensino não muda, fica difícil evoluir, mantém-se o status quo.
Os “coronéis” que oprimiam o povo na época de Lampião não eram santos. Os cangaceiros também não e, na maioria dos casos, seguiam ordens de uns coronéis para massacrarem outros e quem estivesse do lado deles.
Tudo leva a crer que o grupo de Lampião era independente, mas reproduzia as atitudes criminosas da classe dominante, com gana de poder e vingança. Conta a sua história que ele próprio entrou para o cangaço para se vingar de quem estava envolvido na morte de seu pai, que fora assassinado num confronto com a polícia, em decorrência de disputas armadas que sua família travava contra outras famílias, por limites territoriais.
Não é preciso ser grande filósofo para concluir que sede de poder e vingança são motivações que não levam a resultados construtivos, só fazem corroborar e perpetuar o banditismo, com a mesma disposição de oprimir o semelhante, seja ele quem for.
E é exatamente isso que constatamos no cotidiano brasileiro atual, não só da parte dos que detêm o poder, como também da parte dos novos cangaceiros (que não são grupos de nordestinos, isso é uma analogia), esses que assaltam, roubam, matam, invadem lares para cometer seus crimes, no Brasil inteiro. E não faltam defensores seletivos de direitos humanos para os vitimizarem, oprimindo sempre o cidadão honesto. Estes, não há quem os defenda.
Afinal, quem são os heróis nessa história toda?
Precisamos mudar tudo no Brasil, principalmente a nossa autoanálise.

quarta-feira, novembro 01, 2017

November

Versão em português
Version en français

I never forgot the words of one of my husband's aunts during my first autumn here in Canada – "I hate November, it's the worst month of the year." – she said.
In the early years, when everything was new to me, I thought she was exaggerating. Despite all the bureaucracy I had to deal with and all the expenses I had to face for changing civil status and moving to another country – a whirlwind of measures to take – I was delighted with everything, because love makes us overcome all obstacles. It would not be thirty days that would disturb my joy.
That year, we had a sunny and very hot summer, the Northern Hemisphere had been generous to the point of receiving me so warmly, living up to my "tropicality". Autumn followed with all the beauty of the foliage in dazzling colours, a show that I knew only from pictures or paintings. Then, the leaves have fallen, as we learn at school, but we do not have the opportunity to see with the same magnitude in our "tropical paradises".
A short "Indian summer" came before I marvel at winter, with all the surprising varieties of water conditions – also my first time to see these capricious forms of solid H2O: the beautiful and silent crystals in snowflakes, but also the dreaded ice storm – the rain that freezes and sticks on the surfaces. Not to mention the freezing cold that taught me rituals and gestures never imagined – clothes and even ways to walk.
Over the years, I got accustomed, but not like people from these latitudes. I keep a certain respect and, why not say, fear of these mood states of nature, not always favorable.
Now, I begin to agree with my dear aunt. I share her displeasure with this month. Yes, it is the worst of all. The darkness of the days becomes more evident, the green remains only in coniferous trees – a green without strength at this time. Migratory birds have already left to the south, insects and spiders are trying to come into our homes in search of shelter, and we no longer hear the birds singing. The wind is strong and cold, announcing that winter shall soon be on our doorstep.
Let the snow come, then, to erase all those shadows wanting to take possession of us. May it reflect our lights and show us the right paths. And when December comes, our hope will be renewed, the light of day will start staying longer with us. We will celebrate the gift of LIFE again. May Christmas come!