sexta-feira, maio 27, 2016

Onde estão os pais?


Tenho que registrar minha profunda tristeza com o estupro coletivo da menor, no Rio de Janeiro. Como lidar com isso, além de punir os responsáveis por essa ocorrência? Que ações devem ser feitas para que não aconteça mais com ninguém?

Infelizmente, num país de situação caótica, fica tudo muito difícil.
Gosto de repetir isto muitas vezes, para ver se "pega": a EDUCAÇÃO do povo é primordial!!!

Numa sociedade mais organizada, acho que isto que digo, a seguir, seria uma das medidas a serem tomadas. Não sei se já existe na lei...

Valendo tanto para os pais de meninas menores de idade, quanto para os pais de meninos menores de idade, que tenham cometido estupro ou que tenham sido estuprado(a)s:

Na minha opinião, pais que não cuidam de seus filhos e filhas menores de idade, também teriam que ser punidos, após avaliação de cada caso e se verificada negligência ou qualquer outra circunstância que tenha facilitado a ocorrência do crime de estupro.

Acho que, com isso, as ocorrências diminuiriam muito.

- Se os pais, por algum motivo, se sentem incapazes de conduzir e arcar com a educação e proteção do(a) filho(a), deveria haver a possibilidade de recorrerem à ajuda do Estado, para avaliação e resolução.

- Se o(a) filho(a) não se sente suficientemente amparado pelos pais, para poder se desenvolver e viver em segurança, deveria haver a possibilidade de recorrer à ajuda do Estado, para avaliação e resolução.

Mas para o psicopata adulto que comete estupro, por favor, TODO O RIGOR NA CONDENAÇÃO, porque este caso é praticamente perdido e ele oferece perigo para a sociedade.

sábado, maio 07, 2016

Celebrating mothers and the Province of Quebec


Esther
Version en français


It is never too much to talk about this phenomenon of having children. It will never be a cliché. In my opinion, the Mother’s Day is a date that is really worth celebrating. Maternal love seems to be the strongest feeling in the universe we can see. Not surprising, this intimate contact with the reorganization of the matter, to form a being, is a special experience. The feeling of these transformations in the inner of herself is a woman privilege. Of course, there must be some effect on mother's behaviour, even beyond hormonal causes; it is impossible to stay unscathed after an experience of this magnitude.
It’s the first “Mother’s Day” without mine. She died last year at the age of 99. She has always been a strong and cheerful woman, with a very firm personality. I miss her but, at the same time, I am relieved she is no longer in this more and more crazy world. So many good things I bring in my luggage of life, as heritage from my mother, impossible to list them all! I am grateful for all she did for us, a demanding and energetic mother, yes, but we were sure that she was our refuge – we never had any doubt about it.
In this joyous Sunday, I also want to celebrate the province of Quebec, that welcomed me... a child from elsewhere. I am not a refugee, and I'm here since long time; but I identify myself, somehow, with all immigrants who have found home in Quebec. It's like having a mother of adoption. I think I can speak for all... We thank the Province of Quebec and Canada to welcome us and allow us to live safely, in a free country.

Célébrons les mères et le Québec


Esther
English version


Ce n’est jamais trop de parler du phénomène d’avoir des enfants. Ce ne sera jamais un thème cliché. À mon avis, une des dates qu’il vaut vraiment la peine de célébrer est la Fête des Mères. L’amour maternel semble être le sentiment le plus fort dans l’univers détectable par nous. Pas surprenant, ce contact intime avec la réorganisation de la matière pour former un être est une expérience spéciale. Apercevoir ces transformations qui se produisent au cœur de soi-même est un privilège des femmes. Bien sûr que cela doit avoir un certain effet sur leur comportement, même au-delà des causes hormonales, impossible de sortir indemne d'un vécu de cette ampleur.
Pourquoi cette liaison avec les enfants est plus durable chez les humains que chez les autres mammifères? Cela doit être grâce à l’évolution des espèces… C’est l’amour ! Heureusement, les mères dénaturées sont rares.
C’est la première Fête des Mères sans la mienne. Elle est décédée l’année passée, à l’âge de 99 ans. Elle a toujours été une femme solide et joyeuse, avec une personnalité très forte. Elle me manque mais, en même temps, je suis soulagée qu’elle ne soit plus dans ce monde de plus en plus fou. Toujours amoureux, elle et mon père n’ont jamais eu même pas un mot en désaccord d’opinion, en présence de leurs enfants. Certes, il devait y avoir des controverses et des discussions entre eux, mais ils ne nous ont pas donné le désagrément du témoignage; nous avons été bénis avec l'harmonie, quelque chose de si important pour le développement des enfants; nous pouvons dire que nous sommes chanceux.
Tant de bonnes choses j'apporte dans mon bagage de vie, comme héritage de ma mère, impossible de les énumérer toutes! Au cours de la vie, je suis reconnaissante de tout le bien qu'elle nous a fait, une mère exigeante et énergique, oui, affectueuse à sa façon, nous étions sûrs qu’elle était notre refuge – jamais aucun doute là-dessus.  
En ce joyeux dimanche, je veux célébrer également la province du Québec, qui m’a accueilli, moi, cet enfant d’ailleurs. Je ne suis pas une réfugiée, et cela fait longtemps que je suis ici; mais je m’identifie, en quelque sorte, avec tous les immigrants qui ont trouvé l’accueil au Québec. C’est comme avoir une mère d’adoption. Je crois que je peux parler au nom de tous… Nous remercions à la province du Québec et au Canada de nous accueillir et de nous permettre de vivre en sécurité, dans un pays libre.
Un bon dimanche à toutes les mamans!

segunda-feira, maio 02, 2016

Em família

Esther



            Vem aí o Dia das Mães e este grande papel que a mulher ainda desempenha, para garantir a existência humana, tem que ser celebrado! Vai ser o primeiro que vamos passar sem a nossa mãezinha. Mas não quero que seja triste, ela não era. A ideia é homenageá-la de tabela, cutucando cada um dos meus irmãos, com histórias engraçadas que ela gostava de contar, dando boas risadas. Vamos vê-la através de nós mesmos. A partir do meu ângulo de visão, claro, mas com o toque materno sempre por perto, para corresponder à realidade de sua presença constante em nossas vidas. Por certo que nós mesmos é que vamos rir, ou quem nos conhece, mas são casos herdeiros da humanidade, todos estão convidados a esta reunião de família.
Que coisa sublime é ver o irmãozinho mais novo crescer, começar a andar e falar; cabelos lindos, cachinhos que minha mãe não queria cortar. Um menino dócil, mas firme na sua personalidade, desde pequerrucho: “Ranheta, não. Ranheto!”. Coisa que, por sinal, nunca foi. Mas a sua especialidade mesmo, muito antes de ingressar na escola, era a concordância verbal: “nós vai, não; nós vamos”, assim reagia às provocações da sua babá que, já às gargalhadas, esperava a resposta gramaticalmente correta. Isto, eu mesma presenciei, e a memória foi reforçada muitas vezes, quando minha mãe relembrava.
Quando éramos pequenos, ela dizia que gostaria que fôssemos freiras e padres. Isso não era colocado como exigência, tanto que rendeu muito riso. É difícil saber quem não tenha sofrido algum tipo de influência dos pais, mesmo aqueles que dizem que deixarão seus filhos fazerem suas escolhas – já nesta conduta está embutida uma atitude de alheamento a possíveis convicções. Estas posturas, de uma forma ou de outra, são tomadas, certamente, visando o bem.  Além do mais, mesmo que os pais não sejam doutrinadores, os radares apurados das crianças são capazes de detectar os princípios, as crenças ou as opiniões parentais.
Certa vez, fomos visitar uma irmã de minha mãe, freira enclausurada, e eu fui transferida dos braços maternos aos braços da tia, que quis carregar a criança, num provável arroubo do seu instinto maternal reprimido. No momento da passagem, meu irmão logo acima de mim em idade, sussurrou no meu ouvido: “já é para ficar”. Pronto, foi o que bastou, mal minha tia me tomou nos braços, eu caí em prantos e repeti o que ele me dissera, em tom de pergunta, dirigida à minha mãe: “já é para ficar?”. Apesar de muito nova, lembro-me bem disso e da vergonha que tive quando todos começaram a rir de mim.
Esse meu irmão, ele mesmo já tinha sofrido, anteriormente, a pressão de ter que escolher o sacerdócio e respondera, por sua vez: “vou ser padre, mas vou casar também” - não se falou mais no assunto. Não presenciei esta passagem, as histórias que conto aqui dos irmãos mais velhos, são memórias do que ouvi minha mãe dizer.
Ainda sobre o irmão que não era favorável ao celibato, ela dizia que ele tinha espírito científico, desmontava tudo o que lhe passava pelas mãos, para saber como funcionava. Ela tinha razão. Lá de casa, é o que mais investiga e escarafuncha as origens de tudo quanto há no universo e para além do que podemos perceber. E olhe que também tem lá o seu lado pastoral: é o nosso irmão conciliador, o que mais se esforça para nos manter unidos e altruístas.
Se todas as mães soubessem quão importante é o incentivo que suas palavras podem dar para o resto da vida de seus filhos... Vale muito mais fazer um elogio, do que recriminar colocando mil defeitos. A nossa era brava, não nego. E nos corrigia com muita energia em nossas faltas, mas não economizava elogios, quando era a hora certa, justiça seja feita. Tanto ela quanto nosso pai.
Minha amada e saudosa irmã, aquela ali era extraordinária. Minha mãe sempre contou que ela nunca deu trabalho, nem para nascer, pois no seu parto ela saiu sozinha, sem nenhum esforço, para surpresa do médico, que teve que correr para segurar sua cabeça, que "escorregou" para fora. Já aí começou sua característica independência, traço importante de sua personalidade. Não vou repetir todos os dons, todas as conquistas, todas as bondades dela, sempre relembradas por minha mãe (e por todos nós), pois me faltariam palavras e, pior, corro o risco de pensarem que falo assim porque ela já morreu. Mas quem a conheceu sabe que é verdade.
O mais velho de todos é sempre o que tem mais fotos e mais histórias contadas. Mesmo não tendo presenciado a infância do meu irmão mais velho, sei de mais histórias dele, contadas por minha mãe, do que sei de minha própria infância. Bem pequeno ainda, já tinha uma voz possante e pregava sermões, na casa da avó, no alto do patamar da escada, à guisa de púlpito de igreja, para gáudio de todos. Hoje, ele não gosta de se lembrar disso, mas que ele me desculpe, não podia deixar de contar esta passagem tão engraçada e que fazia minha mãe rir tanto. No ônibus, confundiu o motorista algumas vezes, imitando o trocador dizer “Bora!”; ninguém podia imaginar que aquela voz grave vinha de uma criança de colo. Na escolinha, ele era o motorista, punha os alunos todos alinhados atrás dele, formando o corpo do veículo, e saíam em corrida desabalada pelos corredores; era um ônibus vivo! E por aí vai, são inúmeras as suas histórias. Continua, ainda, com o dom da oratória e deu até para escrever livros.
Mas a família não acaba aí. Nós dizemos que somos (éramos) cinco irmãos. Mas, na verdade, éramos sete. Tivemos um irmãozinho e uma irmãzinha que morreram recém-nascidos e minha mãe sempre contou como eles eram, com riqueza de detalhes e com muito pesar por tê-los perdido. Ela nunca se esqueceu deles.
Esse elo, esse amor de mãe para filho é algo muito forte. Cortar esta ligação com a mãe, mesmo após sua morte, é impossível e jamais fará parte do meu lote de desejos. Quero sempre me lembrar dela, com toda a boa energia que ela nos deu.
Saúde e longa vida a todas as mães!

quinta-feira, abril 28, 2016

Hipnose: golpe de sugestão





Causa-me grande espanto saber que ainda existam países que não têm uma lei para proibir a hipnose de espetáculo, praticada simplesmente para fins de diversão. Há hipnotizadores que se apresentam em programas de televisão (vi um, outro dia, na TV aqui no Quebec), e em auditórios com público geral, não especializado no assunto. Não creio que isso seja uma prática a ser levada na brincadeira. Na minha humilde opinião, penso que a hipnose deveria ser usada somente para fins terapêuticos e por profissionais especializados e autorizados para tais terapias.
Embora digam que as pessoas que são sugestionadas o são porque o permitem, creio que existe uma interpretação um tanto leiga e grosseira da permissão dada pela pessoa hipnotizável. No momento em que a atuação de outro pode provocar qualquer alteração em uma pessoa, mesmo que seja transitória, configura-se aí uma intervenção com resultados que não dependem somente da própria pessoa, portanto existe um componente externo que atua nela.
Trata-se de um voto de confiança, digamos assim, do mesmo tipo daquele em que um paciente consente um ato médico, ou seja, em que ele autoriza um médico que o examine e lhe administre tratamentos que vão modificar seu estado de alguma maneira; é o mesmo tipo de consentimento que se dá também aos psicólogos, psiquiatras, etc.
Esse tipo de intervenção não deveria poder ocorrer a esmo, num espetáculo, mesmo porque não se conhece bem o fenômeno, em profundidade, nem a magnitude do efeito sobre cada tipo de pessoa. Sabe-se, por exemplo, do risco de plantar falsas memórias no hipnotizado e isso pode causar problemas sérios.
Estive num espetáculo desses, quando era criança, e presenciei cenas preocupantes. Foi no colégio onde eu estudava, um colégio de freiras e de estudantes só do sexo feminino (naquele tempo, era comum haver colégios ou só para meninas, ou só para meninos). No dia do “show”, já em sala de aula, fomos avisadas de que não haveria aula, que deveríamos ir para o auditório. Este já foi o primeiro erro, pois os pais não foram avisados que suas filhas estariam presentes e, possivelmente, submetidas a sessões de hipnose.
O auditório do colégio ficou lotado, com alunas de variadas idades, entre 7 e 18 anos. Pelos meus cálculos de quando isso ocorreu, eu tinha entre 9 e 11 anos. Lembro-me muito bem de como tudo aconteceu, eu não fui hipnotizada, participei do grupo que ajudou a socorrer as que estavam acometidas dos mais diversos estados de transe.
Inicialmente, o hipnotizador detectou as alunas que eram mais sugestionáveis, fazendo aquele teste (sem dizer que era teste, claro) de mãos agarradas, e usando aquela linguagem repetitiva (cuidado quando alguém repete alguma coisa muitas vezes, você pode estar sendo assediado na sua “habilidade” de se deixar sugestionar); assim, ele escolheu um grupo para subir ao palco. Ali, ele as fez desempenhar os papéis mais ridículos que, imagino, não fariam em estado de lucidez. Muitas gargalhadas ecoaram, até que se percebeu que nem todas estavam rindo na plateia.
Umas choravam sem saber por que razão, outras dormiam profundamente, ou pareciam dormir. Outras faziam as mesmas palhaçadas a que eram submetidas as que estavam no palco. Foi um descontrole de assustar qualquer um.
Informado do que se passava, primeiramente, o “showman” tentou dar comandos a partir do palco, para encerrar a hipnose. Mas não foi suficiente. Ele teve que descer à plateia e tentar tirar as meninas do transe, uma de cada vez. Funcionava com algumas, mas não com outras. Nesta altura, as freiras já estavam desesperadas e começavam a esbofetear aquelas que choravam sem cessar, até gritando com elas.
Da minha turma, havia algumas que dormiam, sono solto. Parecia um campo de feridos em uma batalha. Conseguimos acordar algumas, mas uma delas dormia tão profundamente, que nós a sacudíamos e ela não mexia sequer um músculo. Esta foi removida do recinto e não soubemos para onde foi. Nunca mais voltou às aulas. Nós pensamos que ela tinha morrido, ninguém sabia de nada. Mais tarde, ficamos sabendo que os pais dela a tinham retirado do colégio.
Como é que isso pode ser permitido? Ouvi dizer que há lei que proíbe esse tipo de apresentação no Brasil. Numa rápida pesquisa, achei um decreto de 1961 que trata do assunto:
“Em 1961, o então presidente da República, Jânio Quadros, assinou o Decreto nº 51.009:
"Proíbe espetáculos ou números isolados de hipnotismo e letargia, de qualquer tipo ou forma, em clubes, auditórios, palcos ou estúdios de rádio ou de televisão, e dá outras providências".
Art. 1º - Ficam proibidas, em todo o território nacional, as exibições comerciais...
Art. 2º - Ficam excluídas da proibição de que trata o presente Decreto, as demonstrações de caráter puramente científico, sem fito de lucro, direto ou indireto, executadas por médicos com curso especializado na matéria.”
Pasmem, este “show” que relatei aconteceu, seguramente, entre 1964 e 1966, ou seja, após o decreto citado acima e, portanto, foi ilegal. Mas existem países em que a lei permite esse tipo de apresentação, como aqui no Quebec, por exemplo.
Volto a minha pergunta aos psicólogos, psiquiatras, neurologistas e a quem mais entenda do assunto: este tipo de espetáculo pode continuar acontecendo? Não seria necessário algum regulamento para impedir que métodos terapêuticos sejam usados para diversão?