quinta-feira, agosto 24, 2017

Carnet de Voyage: Îles de la Madeleine



Au mois de février 2017, après une grosse bordée de neige, mon mari et moi, nous avions décidé notre destination-vacances en été : on irait faire un tour aux Îles de la Madeleine en auto. Ce serait bien moins cher qu’aller par avion. Et en auto, nous pourrions apprécier les paysages de trois provinces du Canada. On s’est dépêché de faire les réservations pour le traversier et pour les hôtels. Il faut le faire bien à l’avance. Un de nos amis est un Madelinot et il nous a aidés dans les démarches.
On rêvait à cela. À tous les jours, on regardait les webcams du port de Cap-aux-Meules et celle du Pont de la Confédération. On regardait les sites touristiques des Îles, on avait hâte d’y aller.
My husband decided to go with his pickup instead of Aveo. We’ll be more comfortable with air conditioning.
30 juillet 2017 : grosse journée! Léo a été brave! 1000 km!
As estradas são perfeitas! 
 
On est arrivé à Shediac au Nouveau Brunswick (NB) le soir et on a été chanceux de trouver une chambre d’hôtel. À Moncton, il n’y avait plus aucune place dans les hôtels.
Não reservamos hotéis no trajeto porque queríamos ficar mais livres de horários. Só reservamos nas Ilhas da Madeleine.
Antes de dormir, procuramos um restaurante para jantar – estamos famintos.
At least curious, restaurants were already closed at 8:00 pm, the sun still shining wall-to-wall. Finally we found a pizzeria and it was delicious!
  

31 juillet 2017 : le jour de traverser le Pont de la Confédération. Nous avons pris de belles photos du pont à partir du Cape Jourimain.
Lindo dia ensolarado!

We are lucky! Lunch in Borden-Carleton, in Prince Edward Island (PEI) and let’s go to Souris! 

Confederation Bridge

Achamos um hotel muito simpático em Souris – British style: The McLean House Inn – a 19th century home nicely restored. Com direito a “tea time”. Muito bem instalados, mas muito barulho durante a noite – grandes caminhões passando na estrada?
Et les corneilles ont crié fort le matin. Mais je me sens reposée quand même.
The McLean House Inn: nosso quarto





 
The McLean House Inn
1er août 2017 : aujourd’hui, on va prendre le traversier, pour aller aux Îles de la Madeleine.
Café da manhã com panqueca e salsichas. Léo trouxe sirop d’érable. 





Visitamos praias e East Point.

Basin Head Beach
East Point





 

Many potatoes fields in NB and also in PEI.
Les champs étaient tous fleuris!



Cinco horas de ferry; bem agradável, apesar de minha instabilidade para andar em barcos. Mas sem enjoos, só mesmo sentindo falta da terra firme. Definitivamente, não sou boa “marinheira”. O lugar mais aconchegante do navio é o “bistro”. Há ambientes para todos os gostos: bar e restaurante com música ao vivo, salas de repouso, cinema, refeitório, etc. Um conselho: se tiver alguma coisa de que precisará durante a viagem, não deixe no carro; o acesso ao estacionamento fica fechado, só abre quando o barco chega ao destino.


Zarpando...

Chegamos às ilhas! Cap-aux-Meules... Fomos direto para o hotel – Auberge du Port.
Very friendly staff! Gorgeous view from the balcony, we can see Cap-aux-Meules better than by webcam :-)
Nous sommes gâtés!
Auberge du Port: vue sur Cap-aux-Meules







02 août 2017: je dors pas très bien ces jours-ci, mon oreiller me manque :-) Le bateau klaxonne, il va partir bientôt, nous resterons ici encore quelques jours.
Visitamos a ilha, há lugares lotados de turistas, onde há lojas com souvenirs e restaurantes (Chemin de La Grave). Grande parte da população das ilhas é de acadianos, que se identificam por uma estrela. A bandeira é como a da França, com essa estrela. Mesmo as casas residenciais, há muitas com uma estrela na fachada.
 No correr da estrada, há pontos para estacionar, com passarelas e escadas que dão acesso à praia. Fomos numa dessas hoje. 


Beau monument aux pêcheurs, de Roger Langevin, à l’Étang-du-Nord.

 



La Butte de la Croix avec une croix, une petite chapelle et une grotte avec la statue de la Vierge Marie, en haut d’un petit mont; au pied du mont, un rappel du passage de Jacques Cartier aux Îles. Tout en face de l’Église Notre-Dame-de-la-Visitation, modern style at Havre-Aubert.

Paroisse de Notre-Dame-de-la-Visitation









03 août 2017 : Mudaremos de hotel hoje – acho difícil encontrar um melhor que o Auberge du Port. Após deixar o hotel, fomos passear.
We went to the Museum – Musée de la Mer. Very interesting! 
L'histoire des Îles, les premiers peuples et le développement jusqu'à aujourd'hui, tout illustré par des objets anciens, des photos, des miniatures, tout très bien expliqué. On comprend que la vie n’a pas été toujours facile aux Îles… et aujourd’hui non plus. 

Até madeira tem que vir do continente, pois quase não há árvores por aqui.


Le squelette d’un cachalot géant est en exposition au musée. En 2008, il s’est échoué sur une plage des Îles. 
Podemos vê-lo em "realidade aumentada" usando um aplicativo.




Agora, estamos no segundo hotel que reservamos. Léo quis mudar de hotel a cada dois dias. Foi ótimo, pois se tivéssemos escolhido este (Havre sur Mer) para todos os dias, não teria sido muito bom. Apesar da ótima acolhida, excelente conexão internet, decoração e limpeza impecáveis, o quarto que nos ofereceram é minúsculo.
Les fleurs, par contre, sont magnifiques!





04 août 2017: On s’est promené beaucoup, on est allé à plusieurs endroits, y compris le lieu de naissance de Donald (not Trump!), notre ami Madelinot : Pointe aux Loups (loups marins). Paramos um pouco em Quai du Cap Vert, um lugar muito gostoso, renovado recentemente.

Caminhadas pelo Chemin de la Grave, rota dos turistas. Léo comprou dois T-shirts com motivos das ilhas, para mim, usei um deles hoje, avec des voiliers. O outro T-shirt tem um desenho de roupas secando no varal, ao vento intenso das ilhas.
Restaurant Vent du Large

Almoço no Restaurante Vent du Large, em Havre-Aubert – the best one, no doubts. Bon service, bonne bouffe, bonne musique. Viramos fregueses assíduos.

 

Restaurant Vent du Large



  Tive que colocar o meu leite na geladeira da recepção do hotel (Havre-sur-Mer), pois não há no quarto – é mesmo minúsculo, difícil até para andar entre a cama e as paredes laterais. O banheiro é excelente, em compensação. A decoração é muito chique e de bom gosto, o jardim é lindo – nunca vi flores tão maravilhosas. Mas não aconselho o hotel, se todos os quartos forem do mesmo tamanho – não vi os outros. Não tem espaço nem para colocar as malas e eles oferecem um lugar para guardá-las, com pagamento adicional, claro.
 05 août 2017: encore un coup de soleil. Eu não aprendo. O vento engana, a gente não sente que está queimando. E quase não há árvores! Difícil achar uma sombra.
Hoje é a festa dos acadianos, houve um show de barcos e seus tripulantes fantasiados, música e MUITA gente!
Mudamos de hotel: Chez Denis à François, muito confortável, espaçoso! Que alívio! Único problema: Wi-Fi não funciona bem :-(
Ficamos metade do dia vendo a festa dos acadianos e a outra metade no hotel. As ruas estão intransitáveis, de tanta gente circulando.
06 août 2017: estamos no hotel « Chez Denis à François », ponto estratégico, perto de uma das áreas de maior turismo. Internet continua fraca, às vezes, mais lenta que nos tempos em que conheci Léo – anos 1990.
Chuva o dia inteiro, só saímos do hotel para ir almoçar. Vento muito forte.
Souper tranquille à l’hôtel. Un lit énorme! – mais les amoureux sont proches 💙
07 août 2017 : on s’en va à la Pointe aux Loups. Vers 11:00 AM, on arrive à la maison des amis, où on va rester pour deux jours, il n’y a personne, tout est barré. On va dîner.


Dans le chemin, on passe par le Havre aux Maisons où il y a un coin plein de pratiquants de Kitesurf. La mer est belle, il vente beaucoup! On a pris de belles photos.


  
On a vu aussi le site des Mines de Sel, à Grosse-Île. Aí se produz sal usado nas ruas e estradas para derreter o gelo, no inverno.
  
Au retour de notre promenade, le propriétaire de la maison nous reçoit amicalement, comme tous les Madelinots, nous fait visiter la place et nous donne le code Wi-Fi – connexion excellente.
On profite pour laver notre linge. On le fait sécher sur la corde à linge dehors, aux gros vents des Îles – la tradition – ça sèche en quelques minutes 😊



08 août 2017 : Je n’ai pas dormi très bien, je ne sais pas si à cause du matelas bruyant…
Fomos ao correio de Pointe aux Loups, para enviar cartões postais ao Brasil. Não havia selos internacionais. Após ter timbrado como se fosse um envio dentro do Canadá, a funcionária teve que criar um selo no computador! Se não fosse o Léo ter desconfiado do preço, os cartões teriam-se perdido. A mocinha se desculpou várias vezes e disse que é muito raro haver postagens internacionais na região.
Passeamos pela Pointe aux Loups, fomos ao Quai Nord. Mar, mar, mar...



On a soupé chez Les Pas Perdus, très bon restaurant! Il y avait une fille qui ressemblait beaucoup à Iade.
 








09 août 2017 : J’ai bien dormi. Belle journée ensoleillée! Pas de vent aujourd’hui.
Café da manhã chez Le Sablier, passando pelo Quai Sud.

On part bientôt pour l’hôtel Auberge du Port.
Amanhã pela manhã, vamos pegar o ferry, de volta a PEI.
Une chambre plus simple à l’Auberge du Port cette fois-ci, mais très bonne, quand même, avec balcon au tour des chambres et une belle terrasse, avec une magnifique vue du Cap-aux-Meules. 

On a pris une marche, Léo m’a acheté un chapeau très beau. Un café pour moi et une bière pour lui, chez « Café d’chez nous ».







Dernier repas aux Îles au « Bistro du Capitaine ». Toujours bien accueillis, partout. Une serveuse s’est mise sur notre photo, par la fenêtre, très drôle. On a bien rigolé.



On se couche tôt parce qu’on part avant 6:30 AM, pour prendre le bateau.
10 août 2017 : Voyage tranquille en bateau.
Mas não sirvo para ser marinheira 😒
Em Montague, PEI, fomos encontrar René, Sylvie e seus amigos – pas longtemps et on a repris la route.
We took the Confederation Bridge and continued until Fredericton.
Entre Moncton e Fredericton, longo trajeto sem nada, nenhum “halte” e bem poucas placas de informação – às vezes, a gente até fica na dúvida se está no caminho certo, apesar do GPS indicá-lo.
NB should take info route lessons with QC. On ne manque pas de pancartes ici.
Chegamos de noitinha (entre 20:30 e 21:00 h), já escurecendo, em Fredericton - cidade desconhecida para nós, não foi um bom horário para chegar lá. Ainda bem que o Léo tem um bom "faro", acabamos achando uma região com vários hotéis, após termos errado uma entrada, por falta de informação correta das placas... O Léo já cansado e ficando com raiva...
Primeira tentativa, primeiro hotel que nos aparece PÉSSIMO! Depois de um bom tempo esperando na fila, onde éramos os primeiros e únicos, a atendente nos chama e diz que só tinha um quarto vago e nos aconselhou a ir vê-lo antes, por haver limitações (???). Nessa altura, chega um sujeito, parecendo sujo, e nos pede 2 minutos para vir uma outra atendente que nos levaria para ver o quarto. Léo olhou acintosamente para o relógio, marcando o tempo. Esgotados os dois minutos, nem mais um segundo, o Léo saiu a passos largos, sem dizer mais nada, eu tentando segui-lo :-/. Ele tinha razão. Apesar de o hotel ser enorme, com aparência razoável por fora e estacionamento lotado, por dentro parecia uma espelunca!
A 2ª tentativa foi no Comfort Inn: não tinha vagas.
Na 3ª tentativa, conseguimos no Best Western Plus. Ufa! Ótimo! Estávamos exaustos.
11 août 2017: Dernière journée de voyage. Après une bonne nuit de sommeil, on est parti vers le Québec… encore beaucoup de route, mais on va arriver chez nous aujourd’hui.
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Traffic congestionné sur la 20, en passant par Lévis, puis à Drummondville. Léo prend une autre route (55) et on arrive chez nous même avant que prévu. Ufa!
Totoche nous manquait et vice-versa – après bouder un peu, elle se colle à nous et on aime ça  😍😻
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Nos chaussures pour porter dans le bateau, pour ne pas marquer le plancher (deck), selon les critères de mon capitaine :-) Les miens ont déjà 20 ans ! Ceux de Léo sont plus vieux encore :-) Sapatos próprios para não marcar o convés dos barcos, segundo os critérios do meu Capitão :-)

They're back in the closet, waiting for a next trip ... maybe.
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Related link:
Une légende des Îles de la Madeleine

segunda-feira, julho 17, 2017

Maneira de falar



Não nego que haja muitos mineiros que falam errado, uns por ignorância, outros por gosto, mesmo conhecendo a língua portuguesa, demonstrando carinho para com a gente do sertão, da roça; é um jeito de falar que representa um modo de viver, perto da terra que nos alimenta e que nos dá vida. 
Mas ainda não cedi direitos a essa versão de que não pronunciamos o “nho” dos diminutivos, como em “mineirim”, embora ache até "bunitim". Pronunciamos, sim, o final átono das palavras, só que é uma pronúncia "para dentro", que os outros nem sempre escutam. A articulação se faz dentro da boca, com um mínimo acompanhamento dos lábios; tem um som bem mais baixo que o resto da palavra.
Por exemplo, se um mineiro falar "cafezinho" e "cafezim" (naturalmente, sem forçar nada), eu saberei quando ele falou com o final da palavra e sem o final da palavra. Os outros, que dizem que falamos "cafezim" em vez de "cafezinho", vão dizer que ele falou "cafezim" duas vezes.
Não sei se me fiz compreender.
Outro exemplo, agora com o meu marido, que é canadense. Quando ele ainda não sabia nem português, nem “mineirês”, e eu fui apresentá-lo ao meu irmão caçula, eu lhe disse o seu nome: Mário. Ele me perguntou: ele se chama Mári? Ele não ouviu o "o" final. Atualmente, ele compreende muito bem o mineirês e "ouve" perfeitamente os nossos sons ao final das palavras.
Já para a percepção de um mineiro, há pronúncias de outros estados brasileiros que carregam demais na sílaba final. Quando fiz um estágio na cidade de São Paulo, tinha a impressão de que eles falavam o meu nome quase como os francófonos (não pelo R do francês), eles pronunciam "Carmo" quase como uma palavra oxítona: Maria do Carmooo... um "o" longo.
Interessante, não? Tomamos por base os nossos parâmetros para "definir" os outros. Como em tudo, afinal.
Já que falei dos francófonos, para exemplificar também como tudo é bem relativo e depende da percepção de cada um... Uma colega de trabalho aqui do Québec, certa vez, comentou comigo que é falsa a impressão de que os francófonos falam forçando na última sílaba, eles falam a maioria das palavras linearmente, sem dar força maior a nenhuma sílaba.
Ao dizer que sua pronúncia é linear e não com mais força na última sílaba, isso pode valer para o francês. Para o português não vale, pois quando uma palavra é paroxítona, por exemplo, a tônica é na penúltima sílaba, a pronúncia não pode ser linear. Ao pronunciar a palavra linearmente, o falante está incorrendo no erro de tirar força da penúltima sílaba e colocar na última.
Estas coisas de percepção dos modos de falar são muito interessantes mesmo! Nós tentamos imitar a pronúncia de outra língua, de acordo com o que ouvimos e com as habilidades que temos no nosso aparelho fonador. Morando no Canadá, principalmente no Québec, pude notar isso, mesmo com relação ao inglês. Sem brincadeira, os francófonos ouvem o inglês de um modo bem diferente do que alguém de língua portuguesa. Tenho a tendência a achar que, dentre os que estudaram a língua (mas não viveram em países ou províncias onde se fala inglês), nós pronunciamos melhor o inglês. E eles devem achar a mesma coisa – que eles pronunciam melhor. E sei que acham pois me corrigem. Já cheguei a falar com alguém, uma vez, rindo de mim mesma, que me deixasse falar o inglês com meu sotaque de brasileira. Seria demais querer que, além do meu sotaque brasileiro no inglês, fosse eu obrigada a acrescentar o sotaque quebequense.
Um exemplo: o u de up, para eles é "ó", para mim tende mais para o "a", embora não seja um "a" do nosso jeito. E por aí vai... tenho inúmeros exemplos de outros fonemas que escutamos diferentemente, quando um anglófono fala.
É fácil constatar que cada povo tem o seu sotaque característico, ou por não estar bem treinado para articular os sons que diferem dos que existem na sua língua ou porque escuta diferente mesmo. Raros são os casos de estrangeiros sem sotaque... sei que não é o meu caso, pois já trabalhei com o público e, quando começava a falar, muitos me perguntavam de onde vinha, por terem observado o meu sotaque de estrangeira.
 Enfim, penso que é importante que sempre nos esforcemos para falar o mais corretamente possível, para sermos compreendidos. No mais, "deixa que digam, que pensem, que falem, deixa isso pra lá".