sexta-feira, novembro 13, 2020

L’huile de lampe

 

Portugais

English

L'Évangile de dimanche dernier m'a laissé sans voix [1]. J'étais pensive et, pourquoi ne pas le dire, j'ai reporté une méditation nécessaire. Cet Évangile m'a toujours intrigué. Ce n'est donc que jeudi, quatre jours plus tard, que j'ai pu mieux comprendre pourquoi les cinq vierges sages et prudentes n'ont pas partagé leur huile avec les autres et pourquoi ces dernières, dites folles, insensées, ont été rejetées.

L'homélie que j'ai écoutée à la messe avait déjà donné les explications nécessaires [2], mais j'ai dû lire le texte du Père Paulo Ricardo – en portugais [3]. Il m'aide toujours, avec son exégèse didactique unique. J’ai trouvé une explication magnifique aussi, l’homélie du Jour du Seigneur par CFRT.TV, à Paris, en France [4].

Le sujet est parfait pour l'époque dans laquelle nous vivons, avec la pandémie de Coronavirus. Nous ne savons pas si nous nous en sortirons, si nous contracterons la maladie et, si c'est le cas, comment notre organisme réagira. Sommes-nous prêts à franchir la « porte »? Comme les vierges de l'Évangile, nous attendons l'arrivée du Seigneur, chacun de nous, mais nous ne savons pas quand il arrivera.

Notre huile est ce que nous apportons avec nous pour nourrir notre foi, pour la garder allumée afin de glorifier le Seigneur. Nous ne pouvons pas donner aux autres ce que nous cultivons en nous, intérieurement. Nous pouvons donner des conseils, tout comme les vierges sages. Nous devons être présents avec notre foi, au moment où nous serons appelés, pour que nous soyons « reconnus ».

Grâce à l'intelligence, nous apprenons les choses de Dieu et par la volonté, nous sommes prêts à utiliser l'intelligence afin d'approfondir notre foi. J'invite le lecteur à lire le texte [4], ce sont des enseignements inspirés.

Je m'arrête ici, pour ne pas nuire à la méditation que le lecteur peut faire en lisant les liens ci-dessous.

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Liens connexes:

[1] Saint Matthieu, 25 : 1-13

[2] Homélie du 8 novembre 2020

[3] Por que perdemos o "óleo" da devoção?

[4] Le Jour du Seigneur CFRT.TV

quinta-feira, novembro 12, 2020

O óleo da lâmpada

 

Français

English 

O Evangelho do último domingo me deixou sem palavras [1]. Fiquei matutando e, por que não dizer, adiando uma meditação necessária. Este Evangelho sempre me intrigou. Somente quinta-feira, portanto, quatro dias depois, consegui compreender melhor por que as cinco virgens sábias, prudentes, não partilharam seu óleo com as outras e por que estas últimas, chamadas de insensatas, tolas, foram rejeitadas. A homilia da missa já tinha dado as devidas explicações [2], mas precisei ler o texto do Padre Paulo Ricardo [3]. Ele sempre me socorre, com sua didática inigualável.

O assunto vem a calhar para a época que estamos vivendo, com a pandemia do Coronavírus. Não sabemos se passaremos ilesos, se vamos contrair a doença e, se isso acontecer, como nosso organismo vai reagir. Estamos preparados para atravessar a "porta"? Como as virgens do Evangelho, estamos na expectativa da chegada do Senhor, cada um de nós, mas não sabemos quando Ele chegará.

Nosso óleo é aquilo que trazemos conosco para alimentar a nossa fé, para mantê-la acesa a fim de glorificar o Senhor. Não temos como dar a outros o que cultivamos dentro de nós. Podemos aconselhar, como fizeram as virgens sábias. É preciso estarmos presentes com a nossa fé, no momento em que formos chamados, para que sejamos “reconhecidos”.

Uma coisa muito interessante que o texto do Pe. Paulo Ricardo explica é que pela inteligência temos notícia das coisas de Deus e pela vontade nos dispomos a usar a inteligência para nos aprofundarmos na fé. Convido o leitor a ler o texto, são ensinamentos inspirados [3].

Vou parar por aqui, para não atrapalhar a meditação que o leitor poderá fazer com a leitura dos links abaixo.

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Links relacionados:

[1] São Mateus, 25: 1-13

[2] Homélie du 8 novembre 2020

[3] Por que perdemos o "óleo" da devoção?


terça-feira, outubro 27, 2020

Uma Copa do Mundo de tirar o fôlego!

 

Esther, foto de 1999

Outro dia, acordei engasgada, à noite. Deve ter sido com saliva, foi um engasgo típico. Não conseguia parar de tossir e lágrimas de esforço escorriam. Meu marido pensou que eu estava morrendo, mas, ao me ver levantando para ir tomar água, caiu no sono de novo, numa rapidez impressionante. "Benza Deus!" 😆

O episódio trouxe à minha lembrança o que minha mãe tinha, de vez em quando, que a gente chamava de engasgo, mas tenho minhas dúvidas sobre o que era aquilo, realmente. Parecia um tipo de apneia, estando ela acordada. De repente, ela parava de respirar, chegava a ficar com os lábios um pouco roxos. Ficava aflitíssima, sem emitir som algum. Acho que a laringe se fechava, sei lá (como o reflexo que acontece no início do afogamento – eu tive isso quando quase me afoguei [1]).

Lembro-me de que nós descobrimos (não sei se foi ela mesma que descobriu ou se fui eu) que, tomando uns golinhos de água, pausadamente, a respiração voltava. Depois de uns goles, ela pigarreava e respirava uma primeira vez com dificuldade semelhante a uma crise de asma e, em seguida, a respiração se normalizava. Depois que descobrimos isso, ela até ficava menos aflita, quando tinha um episódio, e já ia fazendo o gesto, como alguém segurando um copo bebendo água, para a gente trazer um copo d'água para ela.

Ela consultou com médicos por este motivo e nunca descobriram nada – acho que nem deram muita importância ao fato, provavelmente acharam que era “piti”.

Nunca encontrei uma explicação para aquilo. Parecia uma falta de coordenação motora para respirar e, ao tomar goles de água, destravava. Estranhíssimo. Não sei se o fato de passar água pelo esôfago estimulava algum receptor na vizinhança anatômica, "acordando" a laringe; beber água, pausadamente, era a única coisa que aliviava mais rápido.

Hoje, estava aqui conjecturando, misturando conhecimento médico com palpite leigo (das piores combinações que podem ser feitas 😊) para tentar explicar o fenômeno. Quem sabe era um engasgo com saliva mesmo, que ocorria no afã de falar alguma coisa. E, em vez de tossir para expelir o líquido, ela tinha o reflexo de fechamento da laringe, como nos primeiros instantes do afogamento – um mini-afogamento. Alguma memória (reflexa) do sistema nervoso dela, de quando ela quase se afogou, na infância? Ou, simplesmente, envelhecimento e alteração dos reflexos de deglutição?

 A primeira vez que o falso engasgo aconteceu com ela foi na Copa do Mundo de 1970 (ela tinha 54 anos), no gol do Brasil contra a Inglaterra, naquele jogo difícil; ela foi dar um grito (nós todos estávamos gritando e pulando) e o grito dela não saiu, a respiração travou. Foi tragicômico... hahaha... Mas tudo acabou bem. Ela e a Copa do Mundo, a melhor de todos os tempos, na minha opinião. Foi de tirar o fôlego, literalmente!

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Links relacionados:

[1] Afogamento

 

quarta-feira, outubro 21, 2020

Química das cores

 

English (Prof Shakhashiri)

Français

Esta é uma tradução da antiga página do Prof. Shakhashiri. Convido o leitor a visitar a nova página, para ver belas imagens do outono. O novo endereço da web é:

http://www.scifun.org/CHEMWEEK/AutumnColors2017.pdf

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A cada outono, no hemisfério norte, a redução da duração da luz do dia e as temperaturas em queda induzem as árvores a se prepararem para o inverno. Assim, elas perdem bilhões de toneladas de folhas. Em certas regiões, como a nossa, a queda das folhas é precedida por um espetáculo de cores feéricas. As folhas anteriormente verdes adquirem brilhantes tonalidades de amarelo, laranja e vermelho, assim como de castanho. Estas mudanças de cor são o resultado da transformação dos pigmentos presentes nas folhas.

O pigmento verde das folhas é a clorofila. Ela absorve os elementos vermelho e azul da luz solar. Desta maneira, a luz refletida, menos vermelha e menos azul, aparece verde. A clorofila compreende, na realidade, dois pigmentos, a clorofila a e a clorofila b.  As moléculas desses compostos são grandes: C55H72MgN4O5 para a clorofila a e C55H70MgN4O6 para a clorofila b. Essas moléculas são insolúveis no meio aquoso que preenche as células. Elas são fixas às membranas dos cloroplastos, estruturas semelhantes a discos, presentes no interior das células. Os cloroplastos são a sede da fotossíntese, o processo pelo qual a energia luminosa é convertida em energia química. Dentro dos cloroplastos, a luz absorvida pela clorofila fornece a energia usada pelas plantas para transformar o dióxido de carbono e a água em oxigênio e carboidratos, cuja fórmula geral é Cx(H2O) x.

Nesta transformação endotérmica, a energia da luz absorvida pela clorofila é convertida em energia química, que é armazenada nos carboidratos (açúcares e amido). Esta energia química é a base das reações bioquímicas responsáveis pelo crescimento, produção de flores e sementes.

A clorofila não é um composto muito estável e a luz brilhante do sol provoca sua decomposição. Para manter a clorofila nas suas folhas, as plantas a sintetizam continuamente. Esta síntese requer luz solar e temperaturas quentes. Assim, durante o verão, a clorofila é constantemente decomposta e renovada nas folhas das árvores.

Um outro pigmento encontrado nas folhas de muitas plantas é o caroteno. Este absorve as cores azul-verde e azul da luz. A luz refletida pelo caroteno aparece amarela. Este pigmento constitui-se em uma molécula também grande (C40H36) contida nos cloroplastos de muitas plantas. Quando o caroteno e a clorofila estão presentes numa mesma folha, juntos eles absorvem as cores vermelha, azul-verde e azul da luz solar. A luz refletida aparece verde. A energia da luz absorvida pelo caroteno é transferida à clorofila, que a usa na fotossíntese. O caroteno é um composto muito mais estável que a clorofila. Ele persiste nas folhas mesmo após o desaparecimento da clorofila. Quando esta desaparece, o caroteno remanescente confere à folha uma cor amarela.

Um terceiro pigmento, ou classe de pigmentos, que ocorre nas folhas, são as antocianinas. Elas absorvem a luz azul, azul-verde e verde. Desta maneira, a luz refletida pelas folhas que contêm antocianinas aparece vermelha. Contrariamente à clorofila e ao caroteno, as antocianinas não são fixas às membranas das células, mas dissolvidas no citoplasma. A cor produzida por estes pigmentos é sensível ao pH do citoplasma da célula. Se este é muito ácido, a cor se torna mais purpúrea. Estes pigmentos são responsáveis pela cor vermelha das maçãs maduras e pela cor purpúrea das uvas maduras. Eles são formados pela reação entre os açúcares e certas proteínas dentro do citoplasma. Esta reação ocorre somente quando a concentração de açúcar no citoplasma é muito grande e requer, também, a presença de luz. É por isto que, frequentemente, vemos maçãs vermelhas de um lado e verdes do outro; o lado vermelho é o que estaria voltado para o sol e o lado verde é o que estaria na sombra.

Durante o verão, as folhas das árvores são fábricas que produzem açúcar a partir do dióxido de carbono e da água, pela ação da luz na clorofila. Esta, por sua vez, faz com que as folhas tomem a cor verde (as folhas de algumas árvores, tais como os vidoeiros e os choupos-do-canadá, também contêm caroteno; suas folhas são de cor verde mais brilhante porque o caroteno absorve a luz azul-verde). A água e os nutrientes fluem das raízes até os ramos e as folhas. Os açúcares produzidos pela fotossíntese fluem das folhas para outras partes da árvore, parte da energia sendo utilizada para o crescimento e outra parte armazenada.

O encurtamento dos dias e as noites frias do outono, desencadeiam mudanças na árvore. Uma dessas mudanças é o crescimento de uma camada semelhante à cortiça entre um ramo e o caule da folha. Esta camada interfere na circulação de nutrientes para dentro da folha. Estando o fluxo de nutrientes bloqueado, a  produção de clorofila diminui e a cor verde desbota. Se a folha contém caroteno, como acontece com o vidoeiro e com a nogueira americana, sua cor muda de verde para amarelo brilhante, à medida que a clorofila desaparece. A camada semelhante a cortiça também impede a saída de açúcar da folha. Em algumas árvores, à medida que a concentração de açúcar aumenta na folha, uma reação ocorre para formar as antocianinas. Estes pigmentos tornam vermelhas as folhas amarelecidas. Os áceres, os carvalhos e alguns sumagres produzem antocianinas em abundância e são os que apresentam as folhas mais vermelhas e brilhantes na paisagem outonal. Em outras árvores, como a faia, quando os carotenoides amarelos são destruídos, sua cor é substituída pelo marrom, que resulta da oxidação dos taninos da folha.

A variedade e a intensidade das cores do outono são grandemente influenciadas pelo clima. Baixas temperaturas destroem a clorofila. Se a temperatura permanece acima do ponto de congelação, ocorre a formação das antocianinas. O sol brilhante também destrói a clorofila e aumenta a produção de antocianina. Um clima seco, pelo fato de aumentar a concentração de açúcar no citoplasma, aumenta também a formação de antocianina. Assim, as cores mais brilhantes do outono são produzidas quando dias secos e ensolarados são seguidos por noites frias e secas.

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Referências:

http://www.scifun.org/CHEMWEEK/AutumnColors2017.pdf

http://mcvieira.tripod.com/cores.htm