English version
Nunca
me esqueci daquelas palavras de uma tia do meu marido, no primeiro outono que
passei aqui no Canadá: “Je déteste le mois de novembre, c’est le pire mois de
l’année”.
No
início, quando tudo era novo para mim, achei que ela exagerava. Apesar de toda
a burocracia que tive que enfrentar e despesas que as mudanças de estado civil
e de país me custaram – um verdadeiro turbilhão de providências a tomar – eu
estava encantada com tudo, porque o amor nos faz vencer todos os obstáculos. Não
seriam 30 dias que iriam ofuscar a minha alegria. Naquele ano, tivéramos um
verão ensolarado e muito quente, o hemisfério norte fora generoso ao me receber
calorosamente, à altura da minha tropicalidade. O outono se seguiu com toda a
beleza das folhagens em cores fulgurantes, um espetáculo que eu conhecia somente
de fotografias ou pinturas. Em seguida, as folhas caíram, “comme il faut”, como
aprendemos na escola, mas não temos a oportunidade de testemunhar com a mesma magnitude em nossos
"paraísos tropicais". Um curto “Été des Indiens” marcou presença, antes que o
inverno viesse me encantar, com todas as surpreendentes variedades de estado da
água – também minha primeira vez a testemunhar estas várias e caprichosas
formas da água em estado sólido, desde os lindos e silenciosos cristais de neve
em flocos, até o temido “verglas”, aquela chuva se congelando e se acumulando como
cola nas superfícies. Sem falar do frio glacial que me fez aprender rituais e gestuais nunca dantes imaginados – roupas e até mesmo maneiras de caminhar.
Passados
os anos, fui-me acostumando, mas nunca como os nativos dessas latitudes. Guardo
um certo respeito e, por que não dizer, medo desses estados de humor da
natureza, nem sempre favoráveis.
Agora, começo a dar razão à tia – ma
chère tante Rachel – que, com seus 76 anos de vida nesse clima (hoje ela está com 91 anos), confessara-me seu descontentamento com o dito mês.
Sim, é o pior de todos. A obscuridade dos dias, cada vez mais curtos, torna-se
mais evidente, o verde permanece só nas árvores coníferas – um verde sem muito
vigor nessa época. As aves migratórias já partiram para o sul, insetos e aranhas entram nas nossas casas, em
busca de abrigo, o canto dos passarinhos silencia.O vento corre solto e frio, anunciando que o inverno não
tardará.
Que venha, então, a neve para apagar todas essas sombras que querem se apoderar de nós. Que venha refletir as nossas luzes e clarear nossos caminhos. E quando dezembro chegar, nossa esperança se renovará, a luz do dia começará a se prolongar. Celebraremos o presente da VIDA de novo. Que venha o Natal!
Que venha, então, a neve para apagar todas essas sombras que querem se apoderar de nós. Que venha refletir as nossas luzes e clarear nossos caminhos. E quando dezembro chegar, nossa esperança se renovará, a luz do dia começará a se prolongar. Celebraremos o presente da VIDA de novo. Que venha o Natal!
Nenhum comentário:
Postar um comentário